{"id":60,"date":"2025-08-06T16:28:39","date_gmt":"2025-08-06T19:28:39","guid":{"rendered":"https:\/\/extremidades.art\/x\/regimesdesentidonaspoeticas\/?p=60"},"modified":"2025-08-08T21:24:04","modified_gmt":"2025-08-09T00:24:04","slug":"2-seminario-21-08-virginia-de-medeiros-praticas-nas-extremidades-a-imagem-como-encontro-em-fabula-do-olhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/extremidades.art\/x\/regimesdesentidonaspoeticas\/2025\/08\/06\/2-seminario-21-08-virginia-de-medeiros-praticas-nas-extremidades-a-imagem-como-encontro-em-fabula-do-olhar\/","title":{"rendered":"2. Semin\u00e1rio (21\/08) &#8211; Virginia de Medeiros &#8211; Po\u00e9tica do encontro em \u201cF\u00e1bula do Olhar\u201d (s\u00e9rie fotogr\u00e1fica de  Virginia de Medeiros, Brasil, 2012-2013)"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Revista VIS<\/strong> \u2014 Revista do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Artes Visuais da<br>Universidade de Bras\u00edlia \/ Quais CAPES A3.<br><a href=\"https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/revistavis\/about\">https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/revistavis\/about<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Christine Mello\u00b9<br>Virginia de Medeiros\u00b2<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">\u00b9Professora Doutora no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP), \u00e1rea de concentra\u00e7\u00e3o: Signo e Significado nos Processos Comunicacionais. E-mail: chris.video@uol.com.br<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><br>\u00b2Doutoranda no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP), \u00e1rea de concentra\u00e7\u00e3o: Signo e Significado nos Processos Comunicacionais. E-mail: virginiademedeiros73@gmail.com<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong><em>RESUMO<\/em><\/strong><br>Este artigo analisa a s\u00e9rie fotogr\u00e1fica F\u00e1bula do Olhar (2012\u20132013), da artista visual Virginia de Medeiros em colabora\u00e7\u00e3o com o fotopintor Mestre J\u00falio Santos, a fim de compreender a alteridade da imagem na arte contempor\u00e2nea. A pesquisa parte da quest\u00e3o: como criar uma imagem de alteridade que escape aos regimes de representa\u00e7\u00e3o? Para isso, mobiliza tr\u00eas eixos te\u00f3ricos: a abordagem das extremidades, proposta por Christine Mello (2017); o direito \u00e0 opacidade, de \u00c9douard Glissant (2021); e a concep\u00e7\u00e3o de fic\u00e7\u00e3o no regime est\u00e9tico da arte, segundo Jacques Ranci\u00e8re (2021). A partir desses referenciais, investiga-se como Medeiros tensiona os limites entre visibilidade, representa\u00e7\u00e3o e afeto, tendo a fabula\u00e7\u00e3o atuando como operador de sentido da realidade. Prop\u00f5e-se, assim, uma imagem como encontro \u2014 gesto \u00e9tico-est\u00e9tico que busca reconfigurar regimes de representa\u00e7\u00e3o em busca da alterada da imagem.<\/p>\n\n\n\n<p><br><em>Palavras-chaves: Arte Contempor\u00e2nea; Alteridade; Extremidades; Encontro; Fotopintura.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><br><strong><em>ABSTRACT<\/em><\/strong><br>This article examines F\u00e1bula do Olhar (2012\u20132013), a photographic series by Virginia de Medeiros in collaboration with photo painter Mestre J\u00falio Santos, to explore the alterity of the image in contemporary art. The research asks: how can an image of alterity escape dominant representational regimes? To address this, it mobilizes three theoretical axes: Christine Mello\u2019s approach of extremities; \u00c9douard Glissant\u2019s right to opacity; and Jacques Ranci\u00e8re\u2019s concept of fiction within the aesthetic regime of art. These frameworks guide the investigation of how Medeiros challenges boundaries between visibility, representation, and affect, with fabulation operating as a generator of meaning. The image is proposed as an encounter \u2014 an ethical aesthetic gesture that reconfigures modes of seeing and calls forth new ways of existing and relating to the world.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong><em>KEYWORDS:<\/em><\/strong><em><strong> <\/strong>Contemporary Art; Alterity; Extremities; Encounter; Photo painting.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>1 Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><br> A busca por uma imagem de alteridade na arte que escape aos regimes de representa\u00e7\u00e3o ocupa um lugar central na pesquisa de Virginia de Medeiros, mulher nordestina nascida em Feira de Santana, sert\u00e3o da Bahia. Para a artista, a caatinga n\u00e3o \u00e9 apenas uma paisagem, mas tamb\u00e9m sua mestra: &#8220;onde h\u00e1 limite, ela faz mundo\u201d, afirma Medeiros. Esse bioma afetivo a ensinou a fabular com a aridez, com o sil\u00eancio e com o que existe para al\u00e9m da aus\u00eancia. Sua investiga\u00e7\u00e3o art\u00edstica, pautada na escuta atenta e no gesto do cuidado, opera nos limiares da experi\u00eancia sens\u00edvel, onde a vida se reinventa cotidianamente e a escassez se converte em for\u00e7a criadora. A sua obra emerge como um territ\u00f3rio de tens\u00e3o, desestabilizando modos de ver \u2014 e de existir \u2014 em uma sociedade atravessada por desigualdades sociais, raciais e de g\u00eanero, ou seja, por viol\u00eancias sistem\u00e1ticas dirigidas aos corpos historicamente marginalizados. Sua pr\u00e1tica art\u00edstica engaja-se nas lutas pelo direito ao prazer, \u00e0 liberdade, \u00e0 express\u00e3o, \u00e0 diferen\u00e7a e \u00e0 vida em comum, convocando uma pol\u00edtica do encontro que desafia as normatividades<br>hegem\u00f4nicas. Ao evidenciar como capitalismo e patriarcado operam conjuntamente na produ\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios de exclus\u00e3o, sua obra se inscreve como gesto de resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><br> Trata-se de uma pr\u00e1tica amorosa que se realiza na cria\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos de confian\u00e7a com o outro, instaurando, atrav\u00e9s da experi\u00eancia art\u00edstica, um espa\u00e7o de escuta, afeto e troca com aqueles que lhe eram, at\u00e9 ent\u00e3o, desconhecidos. Um encontro atravessado por presen\u00e7a e dist\u00e2ncia, solidariedade e desprendimento \u2014 como quem aprende uma \u00e9tica que, segundo Medeiros, ativa a constru\u00e7\u00e3o de um sentimento comum, n\u00e3o a partir da ideia de um mundo unificado, mas da prolifera\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos e da pot\u00eancia do agir coletivamente. \u00c9 nesse eixo de cria\u00e7\u00e3o descentralizada e em constante deslocamento<br>que nos posicionamos para analisar a obra em sua busca pela alteridade da imagem \u2014<br>ou pela imagem como encontro, operador conceitual formulado pela artista para refletir sobre pr\u00e1ticas situadas na extremidade da rela\u00e7\u00e3o e da linguagem na arte contempor\u00e2nea.<br><br><strong>2 O contexto de produ\u00e7\u00e3o de &#8220;F\u00e1bula do Olhar&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br> Como criar uma imagem de alteridade na arte que escape aos regimes de representa\u00e7\u00e3o? A s\u00e9rie fotogr\u00e1fica &#8220;F\u00e1bula do Olhar&#8221;(2012\u20132013), da artista Virginia de Medeiros em colabora\u00e7\u00e3o com o fotopintor Mestre J\u00falio Santos, confronta essa indaga\u00e7\u00e3o ao propor fotografar pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua \u2014 grupo social frequentemente representado por abstra\u00e7\u00f5es que atribuem a sua imagem uma presen\u00e7a amea\u00e7adora, perigosa e quase sempre indesejada. O trabalho foi realizado no ano de 2012, na cidade de Fortaleza, como parte do Edital Resid\u00eancias Art\u00edsticas, promovido pela Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco em parceria com a Coordena\u00e7\u00e3o de Artes Visuais do Centro Cultural Banco do Nordeste.<\/p>\n\n\n\n<p><br> Ao longo de um m\u00eas e meio, Virginia de Medeiros instalou um est\u00fadio fotogr\u00e1fico\u00b3 em dois refeit\u00f3rios voltados ao acolhimento de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, em Fortaleza: o Refeit\u00f3rio S\u00e3o Vicente de Paulo4 e o Grupo Esp\u00edrita Casa da Sopa5. Nesse per\u00edodo, realizou uma s\u00e9rie de retratos em preto e branco, colheu depoimentos em v\u00eddeo sobre as hist\u00f3rias de vida de cada colaborador e formulou uma pergunta-chave que orienta e d\u00e1 sentido \u00e0 obra: Como voc\u00ea gostaria de se ver ou ser visto? Essa quest\u00e3o<br>conduziu todo o processo do ensaio fotogr\u00e1fico, abrindo um campo de subjetividade no qual os retratados, ao fabular suas pr\u00f3prias imagens, tornaram-se agentes ativos na constru\u00e7\u00e3o do retrato. O fotopintor Mestre J\u00falio Santos coloriu digitalmente as imagens em preto e branco, atendendo aos pedidos espec\u00edficos de cada colaborador. Ao lado de cada fotopintura digital, impressa em grande formato, a artista apresenta um texto em primeira pessoa com o relato de vida do retratado. Esse texto \u00e9 exposto em uma moldura oval com vidro convexo, remetendo ao estilo tradicional das antigas fotopinturas. Ao final de cada narrativa, destaca-se a descri\u00e7\u00e3o do pedido feito para o fotopintor, refor\u00e7ando o gesto de autorrepresenta\u00e7\u00e3o e o protagonismo dos participantes no processo de cria\u00e7\u00e3o<br>de seu retrato.<\/p>\n\n\n\n<p>3 A artista contou com o apoio do fot\u00f3grafo Rodrigo Patroci\u0301nio e Marcos Rudolf para a captura do a\u0301udio. Teve acompanhamento curadorial de Bitu Cassund\u00e9 e assist\u00eancia da artista visual Simone Barreto.<br><\/p>\n\n\n\n<p>4 O Refeit\u00f3rio Sa\u0303o Vicente de Pa.ulo \u00e9 um refeit\u00f3rio voltado para o p\u00fablico masculino em situa\u00e7\u00e3o de rua. Fica localizado no bairro do Benfica, em Fortaleza. Trata-se de uma entidade da Igreja Cat\u00f3lica, fundado pela Companhia das Filhas de Caridade coordenada pela irm\u00e3 In\u0303 e\u0302s de Barros Lima. O Refeit\u00f3rio tem como prop\u00f3sito distribuir diariamente cafe\u0301 da manha\u0303 e almo\u00e7o para 100 moradores de rua, al\u00e9m de oferecer banho e atividades religiosas.<br><\/p>\n\n\n\n<p>5 O Grupo Esp\u00edrita Casa da Sopa \u00e9 uma Organiza\u00e7\u00e3o da Sociedade Civil sem fins lucrativos que atua desde 1995 no campo da assist\u00eancia social, promo\u00e7\u00e3o e defesa dos direitos da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua no centro da cidade de Fortaleza. O seu foco s\u00e3o as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"559\" height=\"283\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/regimesdesentidonaspoeticas\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2025\/08\/image-6.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-61\" style=\"width:781px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/regimesdesentidonaspoeticas\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2025\/08\/image-6.png 559w, https:\/\/extremidades.art\/x\/regimesdesentidonaspoeticas\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2025\/08\/image-6-300x152.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 559px) 100vw, 559px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><br>Imagem 1: Meiriele da s\u00e9rie F\u00e1bula do Olhar 2013, fotopintura digital 120 x 90 cm e texto-imagem 20 x 50cm.<\/p>\n\n\n\n<p><br> A forma como vemos o mundo \u00e9 influenciada pelo que sabemos ou acreditamos. Nesse sentido, diversas representa\u00e7\u00f5es contribu\u00edram para sustentar regimes de sentido e de visibilidade ancorados em l\u00f3gicas de segrega\u00e7\u00e3o, articuladas pela subjuga\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, ra\u00e7as, g\u00eaneros e classes sociais. Essas representa\u00e7\u00f5es impessoais e generalizantes produzem figura\u00e7\u00f5es superficiais e estereotipadas da alteridade, marcadas pela insensatez e pelo preconceito. Potencializadas pelas redes sociais, tais imagens<br>colaboram ativamente para a dissemina\u00e7\u00e3o de discursos de \u00f3dio em m\u00faltiplas esferas da sociedade contempor\u00e2nea. Nos \u00faltimos anos, temos assistido ao crescimento de um sentimento de viol\u00eancia direcionado a pessoas que vivem em situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza: a aporofobia. A agorafobia \u00e9 um crime de \u00f3dio que de forma abjeta vitimiza moradores de rua, sem-teto e mendigos, popula\u00e7\u00e3o heterog\u00eanea que possui em comum a situa\u00e7\u00e3o de miserabilidade social. Essa fobia, segundo Cortina, n\u00e3o \u00e9 apenas um sentimento individual, mas opera como um sistema social e cultural reproduzido cotidianamente em pr\u00e1ticas institucionais, discursos pol\u00edticos, e nos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Essa forma de \u00f3dio dirigida \u00e0s pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua \u2014 uma popula\u00e7\u00e3o heterog\u00eanea unida pela condi\u00e7\u00e3o de extrema pobreza \u2014 est\u00e1 alinhada aos sistemas de exclus\u00e3o do neoliberalismo, nos quais o valor do sujeito \u00e9 medido por sua capacidade de produzir, consumir e competir. Nesse contexto, esses indiv\u00edduos s\u00e3o privados do reconhecimento como membros leg\u00edtimos da sociedade, sendo relegados a uma exist\u00eancia sem direitos, sem rosto e sem voz. Para Jacques Ranci\u00e8re, a visibilidade \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para instaurar qualquer disputa em prol da igualdade. Contudo, a simples exposi\u00e7\u00e3o do an\u00f4nimo n\u00e3o assegura sua escuta; paradoxalmente, tornar sua imagem vis\u00edvel pode funcionar como uma nova forma de silenciamento.<\/p>\n\n\n\n<p><br>     <strong>2.1 Pr\u00e1ticas nas extremidades: Regimes relacionais, compartilhamento e<br>eixo de cria\u00e7\u00e3o descentralizado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br> Para analisar a s\u00e9rie &#8220;F\u00e1bula do Olhar&#8221; a partir da abordagem das extremidades, partimos da compreens\u00e3o de que Virginia de Medeiros opera em um eixo de cria\u00e7\u00e3o descentralizado. A artista se retira do espa\u00e7o institucional da arte \u2014 entendido como um lugar constru\u00eddo e delimitado pelas determina\u00e7\u00f5es do artista sobre o que deve ou n\u00e3o estar presente \u2014 e se desloca para o espa\u00e7o p\u00fablico, para a rua, que constitui o cerne de sua pr\u00e1tica. &#8220;No jogo da rua, a cada instante, arriscamos a n\u00f3s mesmos&#8221;, afirma a artista. &#8220;As extremidades s\u00e3o pot\u00eancias de experimenta\u00e7\u00e3o e risco, nas quais a arte se<br>reconfigura em campos imprevis\u00edveis de cria\u00e7\u00e3o.&#8221; (MELLO, 2008, p. 21). \u00c9 justamente nesse territ\u00f3rio de imprevisibilidade \u2014 na zona liminar entre o conhecido e o desconhecido \u2014 que a po\u00e9tica de Medeiros se estabelece, tendo o corpo como eixo central de articula\u00e7\u00e3o, desconstru\u00e7\u00e3o e ressignifica\u00e7\u00e3o de sentidos. Para realizar o ensaio fotogr\u00e1fico &#8220;F\u00e1bula do Olhar&#8221;, Medeiros praticou as ruas de Fortaleza como um<br>laborat\u00f3rio criativo, onde os v\u00ednculos afetivos funcionam como materialidades art\u00edsticas que atravessam e direcionam sua pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><br>No segundo dia de resid\u00eancia, fiz um passeio noturno pela Pra\u00e7a do Ferreiro com a artista Simone Barreto. Um exerc\u00edcio sensorial com o desconhecido, matizado pelo medo e pela inseguran\u00e7a da minha chegada. \u201c\u00c9 perigoso mulher andar sozinha no centro\u201d, me alertou o recepcionista do<br>hotel. Naquela noite, encontramos Ayrton, um senhor idoso, de pele morena e barba branca que vivia em situa\u00e7\u00e3o de rua. Ayrton carregava consigo um cajado e um galho de pia\u0303o. Como uma esp\u00e9cie de curandeiro das ruas, nos benzeu, passando o galho sobre nossa cabe\u00e7a e ombros. Finalizou sua reza dizendo: \u201cAgora voc\u00eas est\u00e3o limpas, leves e prontas para seguir. Agora e\u0301 pura alegria!\u201d Al\u00e9m da reza, ganhei de Ayrton uma moeda com o meu n\u00famero da sorte [5] e um novelo de la\u0303, para eu n\u00e3o me<br>perder. Uma prova de afeto que nos manteve ligados em um mesmo mundo. Eu estava protegida, aben\u00e7oada e recebida pela Rua. Agradeci a Ayrton tocando na sua m\u00e3o como quem toca o divino. Estes objetos, durante todo o per\u00edodo da resid\u00eancia, carregarei como amuletos. (Medeiros, 2014)<\/p>\n\n\n\n<p><br><br>     O encontro entre a artista e Ayrton instaurou um estado emocional singular, reconhecido por Medeiros como um gesto inaugural \u2014 uma esp\u00e9cie de rito de boasvindas \u2014 decisivo para a ativa\u00e7\u00e3o do processo criativo. Nesse instante, algo transbordou o sens\u00edvel, instaurando uma zona vibr\u00e1til entre arte e vida. Os objetos recebidos s\u00e3o uma prova de afeto que os mant\u00e9m compartilhados num mesmo mundo, carregados de sentidos associados \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e \u00e0 conex\u00e3o com o espa\u00e7o da rua. A afirma\u00e7\u00e3o \u201cAgora \u00e9 pura alegria\u201d revela o sentido de realidade aliada \u00e0 vida emocional, indicando que, em &#8220;F\u00e1bula do Olhar&#8221;, a po\u00e9tica se estrutura pela via do sens\u00edvel, do poder do afeto e da pot\u00eancia criadora que o encontro torna poss\u00edvel. Trata-se de um regime po\u00e9tico que valoriza as afec\u00e7\u00f5es corporais como elementos constitutivos de sentido, capazes de produzir significa\u00e7\u00f5es a partir da experi\u00eancia vivida. O projeto n\u00e3o parte de determina\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias; ao contr\u00e1rio, inscreve-se em procedimentos art\u00edsticos que se d\u00e3o por meio de um corpo em deslocamento, que precisa tanto percorrer quanto ser percorrido para que a express\u00e3o art\u00edstica se manifeste. As rotas, segundo Medeiros, se configuram como feixes de luz que se abrem conforme a artista intui o caminho. Foi justamente esse movimento em cont\u00ednuo deslocamento, aberto ao acaso e \u00e0 alteridade dos encontros, que a conduziu at\u00e9 o Refeit\u00f3rio S\u00e3o Vicente de Paulo. <\/p>\n\n\n\n<p>     As primeiras semanas da artista no Refeit\u00f3rio S\u00e3o Vicente de Paulo foram marcadas por visitas frequentes e trabalhos volunt\u00e1rios. Pela perspectiva da abordagem das extremidades, o vetor do compartilhamento se manifesta na obra &#8216;F\u00e1bula do Olhar&#8217; a partir de uma escuta atenta, de rela\u00e7\u00f5es de conviv\u00eancia e de trocas afetivas entre a artista e os retratados. Trata-se de um compartilhamento m\u00fatuo \u2014 de benef\u00edcios, aux\u00edlios e afetos \u2014 que se materializa em gestos cotidianos como servir refei\u00e7\u00f5es, colaborar com as atividades internas, rezar, conversar e oferecer oficinas de arte voltadas para a comunidade. Para a artista, o compartilhamento opera como uma membrana vibr\u00e1til: uma zona de contato relacional que tensiona e impulsiona pot\u00eancias heterog\u00eaneas do encontro. Essa atitude se articula \u00e0 no\u00e7\u00e3o glissantiana de Rela\u00e7\u00e3o6 , compreendida n\u00e3o como assimila\u00e7\u00e3o, mas como \u201cvibra\u00e7\u00e3o entre diferen\u00e7as\u201d (GLISSANT, 2021, p. 67). A \u201cvibra\u00e7\u00e3o entre diferen\u00e7as\u201d, para Glissant, designa um tipo de encontro em que as identidades n\u00e3o se anulam nem se fundem, mas entram em resson\u00e2ncia. \u2014 um movimento din\u00e2mico e relacional que n\u00e3o se reduz \u00e0 l\u00f3gica da compreens\u00e3o totalizante. \u00c9 nesse contexto que se insere o \u201cdireito \u00e0 opacidade\u201d: a recusa de ser completamente decifrado, traduzido ou capturado por regimes de saber que pretendem dominar o outro por meio da transpar\u00eancia. A opacidade n\u00e3o \u00e9 obscuridade, mas uma \u00e9tica da diferen\u00e7a \u2014 um modo de existir que n\u00e3o se explica segundo os par\u00e2metros hegem\u00f4nicos de inteligibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>6 O conceito de Rela\u00e7\u00e3o (que talvez seja o mais central em Glissant), aparece grafado em letra mai\u00fascula em todos os seus livros e ensaios.<\/p>\n\n\n\n<p><br>     Assim, se a vibra\u00e7\u00e3o, \u00e9 o modo como as diferen\u00e7as se tocam nas extremidades, a opacidade, nos termos de \u00c9douard Glissant, \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o que permite que esse contato se realize sem hierarquias, sem domestica\u00e7\u00e3o, sem redu\u00e7\u00e3o. Ambos os conceitos afirmam uma pol\u00edtica da Rela\u00e7\u00e3o em que o reconhecimento do outro n\u00e3o se d\u00e1 por meio da assimila\u00e7\u00e3o, mas pela aceita\u00e7\u00e3o de sua alteridade radical. Trata-se de uma \u00e9tica que valoriza os encontros em que o inapreens\u00edvel n\u00e3o \u00e9 um obst\u00e1culo, mas uma pot\u00eancia de cria\u00e7\u00e3o. \u00c9 nesse horizonte que a obra \u201cF\u00e1bula do Olhar\u201d, de Virginia de Medeiros em<br>colabora\u00e7\u00e3o com Mestre J\u00falio Santos, se inscreve. Por meio da fotopintura digital, Virginia de Medeiros prop\u00f5e a instaura\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o de fabula\u00e7\u00e3o, no qual os retratados participam ativamente da constru\u00e7\u00e3o da imagem, escapando \u00e0s l\u00f3gicas da vitimiza\u00e7\u00e3o, do estigma ou da transpar\u00eancia total. Essa opera\u00e7\u00e3o fabulat\u00f3ria, em articula\u00e7\u00e3o com os relatos de vida, desloca o regime da imagem documental e instala, como diria Jacques Ranci\u00e8re, uma fric\u00e7\u00e3o entre o vis\u00edvel e o diz\u00edvel, entre o real e o ficcional, entre mem\u00f3ria e inven\u00e7\u00e3o tensionando os modos de distribui\u00e7\u00e3o do sens\u00edvel. Esses retratos n\u00e3o pretendem esclarecer nem encerrar sentidos; ao contr\u00e1rio, abrem-se \u00e0 presen\u00e7a de uma subjetividade irredut\u00edvel. \u00c9 precisamente nessa abertura, que afirma o direito \u00e0 opacidade e a pot\u00eancia do encontro, que reside a for\u00e7a est\u00e9tica e pol\u00edtica dos retratos.<\/p>\n\n\n\n<p><br>  <strong>   2.2 Pr\u00e1ticas na Extremidade: Fabula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, contamina\u00e7\u00e3o e a imagem<br>como encontro.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br>     Por meio da articula\u00e7\u00e3o sens\u00edvel entre a linguagem da fotopintura com a escuta de relatos de vida de indiv\u00edduos que vivem numa condi\u00e7\u00e3o extrema de pobreza, Medeiros desloca narrativas hegem\u00f4nicas e instaura um espa\u00e7o para o exerc\u00edcio da fabula\u00e7\u00e3o. Ao fundir a fotopintura com a fabula\u00e7\u00e3o, Medeiros nos oferece uma imagem que recusa as evid\u00eancias imediatas e os c\u00f3digos estabilizados da compreens\u00e3o, criando uma zona de tens\u00e3o entre entre o vis\u00edvel e o diz\u00edvel: o texto produz uma imagem que contamina a fotopintura, tensionado seu sentido \u2014 e vice-versa. Essa contamina\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e sem\u00e2ntica desafia classifica\u00e7\u00f5es e cria fissuras no modo como compreendemos os sujeitos ali retratados. As imagens n\u00e3o pertencem mais ao campo do real ou da fic\u00e7\u00e3o, mas a uma zona h\u00edbrida e inst\u00e1vel \u2014 o que Christine Mello identifica como um dos modos de atua\u00e7\u00e3o da arte em contextos contempor\u00e2neos experimentais e cr\u00edticos. Assim, temos uma dupla po\u00e9tica da imagem: de um lado, testemunhos leg\u00edveis de uma hist\u00f3ria escrita que d\u00e1 a ver o que foi silenciado e, ao mesmo tempo temos um vis\u00edvel que desvela uma<br>verdade suprimida pela brutalidade de um Estado que nega os direitos inalien\u00e1veis que<br>garantem a dignidade de cada indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p><br>     Consequentemente, as pessoas retratadas n\u00e3o s\u00e3o reduzidas a perfis identit\u00e1rios fixos, facilmente reconhec\u00edveis e enquadr\u00e1veis em categorias sociais pr\u00e9-estabelecidas. Assim, a imagem resultante n\u00e3o reduz o outro ao mesmo, nem o desconhecido ao conhecido \u2014 \u00e9 uma imagem concebida como encontro, nos termos de Glissant. Essa imagem opera num regime de visualidade em que se articula o jogo inevit\u00e1vel entre o real e a imagina\u00e7\u00e3o. Ranci\u00e8re afirma que \u201ca fic\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o ato de inventar mundos que n\u00e3o existem, mas parte integrante de nosso mundo e de nossa forma de faz\u00ea-lo\u201d (2021, p. 7). Ao atribuir \u00e0 fic\u00e7\u00e3o um papel central na ordem do dissenso, Ranci\u00e8re destaca que ela \u201caltera os modos de representa\u00e7\u00e3o do sens\u00edvel, as formas de enuncia\u00e7\u00e3o, e constr\u00f3i novas rela\u00e7\u00f5es entre apar\u00eancia e realidade, entre singular e comum, entre vis\u00edvel e significado\u201d (2012, p. 67).<\/p>\n\n\n\n<p><br>     Em interlocu\u00e7\u00e3o com o pensamento de Jacques Ranci\u00e8re, \u00e9 poss\u00edvel perceber que a pr\u00e1tica art\u00edstica de Virginia de Medeiros sustenta que o imagin\u00e1rio da fic\u00e7\u00e3o n\u00e3o se op\u00f5e ao real, mas antes o atravessa \u2014 constituindo-se como um trabalho sobre o tempo e sobre a linguagem. A linguagem, nesse contexto, assume um papel crucial no processo de muta\u00e7\u00e3o das formas pelas quais os sujeitos se percebem e se relacionam com o mundo, podendo operar tanto como instrumento de opress\u00e3o quanto como via de emancipa\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 um dos temas centrais no pensamento de Franz Fanon, autor com quem Medeiros tamb\u00e9m estabelece um di\u00e1logo. Transformar o sil\u00eancio em linguagem e em a\u00e7\u00e3o, afirma a artista, \u00e9 parte de um compromisso pol\u00edtico, est\u00e9tico e coletivo. A fotopintura, por sua vez, inscreve-se nesse campo de linguagem popular e afetiva, profundamente enraizada no universo est\u00e9tico da cultura nordestina. T\u00e9cnica de car\u00e1ter singular, a fotopintura atua colorindo e retocando retratos, muitas vezes adicionando elementos \u2014 acess\u00f3rios, vestimentas, ornamentos \u2014 que conferem ao retratado uma aura de prest\u00edgio social. Tradicionalmente, trata-se de uma pr\u00e1tica realizada a partir de fotografias enviadas por familiares que desejam ver suas imagens recriadas, ressignificadas, talvez redimidas pelo gesto da fic\u00e7\u00e3o.<br><\/p>\n\n\n\n<p>     Na s\u00e9rie \u201cF\u00e1bula do Olhar\u201d, as identidades se desfazem em favor da express\u00e3o de uma singularidade em devir. Meiriele encomenda seu retrato ao Mestre J\u00falio Santos: quer ser vista como uma mulher culta e intelectual, pois almeja tornar-se escritora, como Cec\u00edlia Meireles. A fotopintura, antecipando a espera, repousa sobre uma confian\u00e7a pr\u00e9via naquilo que est\u00e1 por vir \u2014 uma imagem que comp\u00f5e com o corte, com a rasura e com o amargor das s\u00ednteses forjadas pelas pol\u00edticas de domina\u00e7\u00e3o, marcadas pela priva\u00e7\u00e3o corrosiva do \u201cn\u00e3o ser\u201d e pela afasia das dic\u00e7\u00f5es da alteridade. Trata-se de um retrato em que se pode afirmar, sem contradi\u00e7\u00e3o, que se inventa uma mem\u00f3ria. Assim, a fabula\u00e7\u00e3o, nesse contexto, n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 verdade: ela a ressignifica, desloca os regimes de visibilidade e convoca novas formas de perceber e existir. Oferece-nos uma imagem pol\u00edtica. Nessa dire\u00e7\u00e3o, Ranci\u00e8re prop\u00f5e que a pol\u00edtica se inicia com a mobilidade dos pap\u00e9is, com a multiplica\u00e7\u00e3o de identidades e com o alargamento dos limites do poss\u00edvel instaurado pela fic\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, o conceito de fabula\u00e7\u00e3o, tal como mobilizado por Virginia de Medeiros em sua pesquisa, pode conferir \u00e0 quest\u00e3o da imagem um lugar decisivo na considera\u00e7\u00e3o da vida pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p><br>     Agora, concedemos uma breve pausa para escutar, Meiriele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><br>Meu nome \u00e9 Meirielle, tenho 23 anos. Eu nasci no Rio de Janeiro e j\u00e1 faz 8 anos que estou morando nas ruas de Fortaleza. (\u2026) Eu sei que de l\u00e1 de cima minha m\u00e3e est\u00e1 me olhando. Eu sinto a presen\u00e7a dela quando eu vou dormir. Todo dia antes de dormir eu fa\u00e7o a minha ora\u00e7\u00e3o e pe\u00e7o para ela continuar olhado por mim, ela e Jesus. Eu pe\u00e7o pra me dar for\u00e7a e que eu passe mais um dia limpa, sem crack. Faz 2 semanas e 3 dias hoje, que estou sem usar droga. Eu n\u00e3o pretendo voltar. O que eu acho mais bonito na vida \u00e9 ver algu\u00e9m criando, insistindo at\u00e9 sair uma arte. Gosta de ver Luiz, morador de rua, inventando cantorias. Ele escreve, apaga, rasga, rebola o papel no lixo at\u00e9 chegar \u00e0 can\u00e7\u00e3o. A galera de rua gosta de ficar ao redor dele, passa a noite toda cantando e rindo e brincando. A\u00ed a vontade de usar droga e fazer besteira vai simbora. Eu acredito em dom, que cada um tem um dom. Alguns t\u00eam o dom de cantar, outros de dan\u00e7ar, outros de desenhar. O meu dom \u00e9 escrever e ler. Eu quero ser escritora. Eu quero ser uma Cec\u00edlia Meireles na vida, ou por que n\u00e3o um Mario Quintana? Eu gosto muito de poesias e romances. Voc\u00eas ainda v\u00e3o ver meus livros publicados e fazendo sucesso. T\u00e1 ouvindo? Encomenda Fotopintura: Vestida como uma mulher culta e intelectual, uma escritora. (Meirelle, 2014)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br>CORTINA, Adela. <strong>Aporofobia, a avers\u00e3o ao pobre: Um desejo para a democracia.<\/strong> S\u00e3o Paulo:<br>Editora Contracorrente, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p><br>GLISSANT, \u00c9douard. <strong>Po\u00e9tica da Rela\u00e7\u00e3o.<\/strong> Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><br>LAPOUJADE, David. <strong>William James: a constru\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia.<\/strong> S\u00e3o Paulo: n-1 edi\u00e7\u00f5es,<br>2017.<br><br>MBEMBE, Achille. <strong>Pol\u00edticas da Inimizade. <\/strong>S\u00e3o Paulo: n-1 edi\u00e7\u00f5es, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p><br>MELLO, Christine.<strong> Extremidades do V\u00eddeo.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Editora SENAC S\u00e3o Paulo, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p><br>MELLO, Christine. <strong>Extremidades: experimentos cr\u00edticos<\/strong> \u2013 redes audiovisuais, cinema,<br>performance, arte contempor\u00e2nea. S\u00e3o Paulo: Esta\u00e7\u00e3o das Letras e Cores, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p><br>MELLO, Christine. <strong>Extremidades: experimentos cr\u00edticos 2<\/strong> \u2013 redes audiovisuais, cinema,<br>performance, arte contempor\u00e2nea. S\u00e3o Paulo: Ed. dos Autores, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p><br>MELLO, Christine. <strong>Extremidades: experimentos cr\u00edticos 3<\/strong> \u2013 redes audiovisuais, cinema,<br>performance, arte contempor\u00e2nea. S\u00e3o Paulo: Invis\u00edveis Produ\u00e7\u00f5es, 2024.<\/p>\n\n\n\n<p><br>RANCI\u00c8RE, Jacques.<strong> O destino das imagens.<\/strong> Rio de Janeiro: Contraponto, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p><br>RANCI\u00c8RE, Jacques. <strong>As margens da fic\u00e7\u00e3o<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><br>RANCI\u00c8RE, Jacques. <strong>A fic\u00e7\u00e3o \u00e0 beira do nada.<\/strong> Belo Horizonte: Relic\u00e1rio Edi\u00e7\u00f5es, 2021.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revista VIS \u2014 Revista do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Artes Visuais daUniversidade de Bras\u00edlia \/ Quais CAPES A3.https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/revistavis\/about Christine Mello\u00b9Virginia de Medeiros\u00b2 \u00b9Professora Doutora no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP), \u00e1rea de concentra\u00e7\u00e3o: Signo e Significado nos Processos Comunicacionais. 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