{"id":104,"date":"2020-10-01T19:43:36","date_gmt":"2020-10-01T22:43:36","guid":{"rendered":"http:\/\/extremidades.art\/x\/meioameio\/?p=104"},"modified":"2021-05-20T13:08:57","modified_gmt":"2021-05-20T16:08:57","slug":"binariedade-da-lingua-uma-reflexao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/extremidades.art\/x\/meioameio\/2020\/10\/01\/binariedade-da-lingua-uma-reflexao\/","title":{"rendered":"binariedade da l\u00edngua: uma reflex\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\">Eu comprei minha <a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/identidade\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">#identidade<\/a>,<br>fa\u00e7a como eu:<br>compre uma tamb\u00e9m.<br> (Critical Art Ensemble &#8211; Dist\u00farbio Eletr\u00f4nico, 2001)<br><\/p>\n\n\n\n<p>O grande <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/paradoxo\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/paradoxo\" target=\"_blank\">#paradoxo<\/a> da presen\u00e7a da <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/explore\/tags\/tecnologia\/\" target=\"_blank\">#tecnologia <\/a>no cotidiano \u00e9 a sobrecarga de informa\u00e7\u00e3o, que cria a <a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/ilusao\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">#ilus\u00e3o<\/a> de um acesso democr\u00e1tico relacionado a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, gerando uma nova<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/explore\/tags\/geografia\/\" target=\"_blank\"> #geografia<\/a> de poder pol\u00edtico, uma <a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/geografia\">#<\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/geografia\" target=\"_blank\">geografia <\/a>virtual, com <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/explore\/tags\/fronteiras\/\" target=\"_blank\">#fronteiras<\/a> criadas pelo dom\u00ednio de <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/dados\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/dados\" target=\"_blank\">#dados<\/a> e monop\u00f3lios de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Tal fato \u00e9 alicer\u00e7ado pelo aumento da aquisi\u00e7\u00e3o que as pessoas t\u00eam da <a href=\"#tecnologia\">#<\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/tecnologia\" target=\"_blank\">tecnologia<\/a>.&nbsp; Com isso h\u00e1 o aumento da impress\u00e3o gradativa de poder. Mas, como sabemos, isso \u00e9 ilus\u00f3rio, trata-se de uma t\u00e1tica de marketing das grandes empresas, baseada na leitura de presen\u00e7a por <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/explore\/tags\/dados\/\" target=\"_blank\">#dados<\/a>, para introduzir as pessoas num programa de capital monetizado das informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><em>\u201cO Sujeito: nasceu para consumir s\u00f3 pelo prazer de consumir. S\u00f3 por causa do prazer de consumir, O consumo em massa necessita do autoconsumo, s\u00f3 pelo prazer de se autoconsumir. (&#8230;) S\u00f3 por causa do prazer de s\u00ea-lo,&nbsp;o consumo excessivo \u00e9 a l\u00f3gica do narcisismo econ\u00f4mico, s\u00f3 pelo prazer de s\u00ea-lo.\u201d<br>(Critical Art Ensemble &#8211; Dist\u00farbio Eletr\u00f4nico, 2001)<br><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A falsa sensa\u00e7\u00e3o de <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/autonomia\" target=\"_blank\">#autonomia<\/a> criada pelas grandes corpora\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas s\u00e3o incorporadas pela presen\u00e7a das redes sociais como nossa principal fonte de comunica\u00e7\u00e3o. Ao estimular uma pretensa sensa\u00e7\u00e3o de <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/explore\/tags\/liberdade\/\" target=\"_blank\">#liberdade<\/a>, o desejo de pertencimento e aceita\u00e7\u00e3o pelas a\u00e7\u00f5es performativas em <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/explore\/tags\/rede\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/explore\/tags\/rede\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">#rede<\/a> reflete o v\u00eddeo do compartilhamento de imagens. Neste sentido, buscar fugir desse fen\u00f4meno, significa ir ao encontro de&nbsp; processos de resist\u00eancia cultural, apresentados por um regime<em> est\u00e9tico da confus\u00e3o<\/em> conforme indica CAE. Com isso tem lugar o fen\u00f4meno da manipula\u00e7\u00e3o, recombina\u00e7\u00e3o e recontextualiza\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos nas redes sociais, por mais ef\u00eameros que sejam. \u00c9 disso que se trata refletir de modo cr\u00edtico a presente curadoria online em rede.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma sociedade onde a linguagem escrita e suas normas se apresentam como uma ferramenta dominadora, induzindo ou possibilitando a propaga\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-conceitos e&nbsp; alimentando segregacionistas.&nbsp; como mostra bell hooks em seu texto <strong><a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/alingua\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">#al\u00edngua<\/a><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/explore\/tags\/alingua\/\" target=\"_blank\">#<strong>al\u00edngua<\/strong><\/a><strong> <\/strong>bell hooks apresenta uma vis\u00e3o sobre o poder da <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/explore\/tags\/lingua\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/explore\/tags\/lingua\/\">#l\u00edngua&nbsp; <\/a>inglesa em amedrontar e segregar os africanos, retirados de seus pa\u00edses de origem e escravizados por for\u00e7a de uma cultura colonizadora. Al\u00e9m disso ela mostra a relev\u00e2ncia que tais povos se responsabilizaram em&nbsp; tomar para si a \u201cl\u00edngua do opressor\u201d,&nbsp; incluindo, com isso, novos padr\u00f5es dentro dessa mesma <a href=\"https:\/\/twitter.com\/hashtag\/l%C3%ADngua?src=hashtag_click\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/twitter.com\/hashtag\/l%C3%ADngua?src=hashtag_click\">#l\u00edngua<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, em uma sociedade onde a linguagem escrita e suas normas se apresentam como uma ferramenta dominadora, induzindo ou possibilitando a propaga\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-conceitos e alimentando <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/explore\/tags\/gestos\/\">#<\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/explore\/tags\/gestos\/\" target=\"_blank\">gestos <\/a>segregacionistas, tal qual na nossa sociedade colonial patriarcal, de origem portuguesa, compreendemos a import\u00e2ncia de problematizar-mos <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/search\/str\/%23al%C3%ADngua\/photos-keyword?f=Abp8cbTu-oyqCQkvA9WZaMTB-xXQSDgX-FPN8CDT9jd69YictzYayuOz5o-PZNgbhF3V8fXZvsh0A1Ih7IrDJ3mE6q4fOROMIn6NzEd_2vBG6uAmydTSopCvVi1S3nUp8S4&amp;epa=SEE_MORE\" target=\"_blank\">#al\u00edngua<\/a> em suas extremidades, nos deslocamentos existentes entre aquilo que \u00e9 considerado como <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/hashtag\/lingua\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.facebook.com\/hashtag\/lingua\">#l\u00edngua<\/a> portuguesa e a amplitude das condi\u00e7\u00f5es culturais que nela permitem que uma comunidade seja aquilo que ela quer ser, como em Michel de Certeau em seu <em>A cultura no plural<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esperamos levantar aqui, com isso, certas discuss\u00f5es emergentes que em tempos de pandemia requisitam a tomada de poder pela <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/explore\/tags\/lingua\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/explore\/tags\/lingua\/\">#l\u00edngua<\/a> tendo como princ\u00edpio meios de comunica\u00e7\u00e3o mais democr\u00e1ticos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido as imagens e as novas possibilidades de escrita, como a linguagem n\u00e3o bin\u00e1ria, surgem como um meio de fuga e resist\u00eancia abrindo possibilidades para uma comunica\u00e7\u00e3o horizontal, onde a alfabetiza\u00e7\u00e3o seguida de forma exemplar e os padr\u00f5es gramaticais n\u00e3o se fazem mais fundamentais. E onde interessa mais a domina\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/lingua?lang=pt_BR\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/lingua?lang=pt_BR\">#l\u00edngua<\/a> <strong><em>&nbsp;<\/em><\/strong>e penetra\u00e7\u00e3o com novas constru\u00e7\u00f5es, sem artigos em textos e falas formais ou n\u00e3o formais, e interven\u00e7\u00f5es imag\u00e9ticas, como a proposta aqui,&nbsp; nos principais aplicativos de comunica\u00e7\u00e3o para assim tentar tornar <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/twitter.com\/hashtag\/alingua?src=hashtag_click\" target=\"_blank\">#al\u00edngua<\/a> menos excludente.&nbsp;Vemos essa tomada de poder lingu\u00edstico nas discuss\u00f5es em torno da escrita neutra\/inclusiva de g\u00eaneros n\u00e3o bin\u00e1rios, muito discutida e usadas hoje nas redes sociais, como a utiliza\u00e7\u00e3o da vogal \u201ce\u201d e \u201ci\u201d no lugar dos artigos e pronomes pessoais&nbsp; como por exemplo: no lugar de \u201cele\u201d e \u201cela\u201d usar o \u201cili\u201d, minha e meu vai virar \u201cmili\u201d, todos se tornam \u201ctodes\u201d, etc. Como uma forma de neutralizar a imposi\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/genero?lang=pt_BR\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/genero?lang=pt_BR\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">#g\u00eanero<\/a> dentro da sintaxe gramatical e desta forma propiciar uma maior inclus\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu comprei minha #identidade,fa\u00e7a como eu:compre uma tamb\u00e9m. (Critical Art Ensemble &#8211; Dist\u00farbio Eletr\u00f4nico, 2001) O grande #paradoxo da presen\u00e7a da #tecnologia no cotidiano \u00e9 a sobrecarga de informa\u00e7\u00e3o, que cria a #ilus\u00e3o de um acesso democr\u00e1tico relacionado a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, gerando uma nova #geografia de poder pol\u00edtico, uma #geografia virtual, com #fronteiras criadas pelo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,8],"tags":[3,12,11,14,33,9,31,30,34],"class_list":["post-104","post","type-post","status-publish","hentry","category-percurso","category-txt","tag-alingua","tag-dados","tag-fronteiras","tag-genero","tag-gestos","tag-identidade","tag-ilusao","tag-paradoxo","tag-tecnologia-lingua"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/meioameio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/meioameio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/meioameio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/meioameio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/meioameio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=104"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/meioameio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":390,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/meioameio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104\/revisions\/390"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/meioameio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=104"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/meioameio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=104"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/meioameio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=104"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}