{"id":191,"date":"2026-06-08T15:58:31","date_gmt":"2026-06-08T18:58:31","guid":{"rendered":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/?p=191"},"modified":"2026-06-08T16:05:57","modified_gmt":"2026-06-08T19:05:57","slug":"no-intimo-ancestralidade-e-desconstrucao-de-imagens-de-controle-na-arte-contemporanea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/2026\/06\/08\/no-intimo-ancestralidade-e-desconstrucao-de-imagens-de-controle-na-arte-contemporanea\/","title":{"rendered":"NO \u00cdNTIMO: ancestralidade e desconstru\u00e7\u00e3o de imagens de controle na arte contempor\u00e2nea"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>NO \u00cdNTIMO<\/em>: ancestralidade e desconstru\u00e7\u00e3o de imagens de controle na arte contempor\u00e2nea<a href=\"#_bookmark0\">1<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>INTIMATELY: ancestry and deconstruction of images of control in contemporary art<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\">Lindolfo Roberto Nascimento<a href=\"#_bookmark1\"><sup>2<\/sup><\/a> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\">Christine Pires Nelson de Mello<a href=\"#_bookmark2\"><sup>3<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Resumo<\/em><\/strong><em>: Apesar dos recentes avan\u00e7os conquistados pela luta antirracista no Brasil, ainda enfrentamos s\u00e9rios problemas ligados sobretudo \u00e0s imagens constru\u00eddas historicamente em torno do negro. O campo da arte contempor\u00e2nea se apresenta ent\u00e3o como um importante espa\u00e7o comunicacional para desconstru\u00e7\u00e3o de tais imagens. Assim, este artigo problematiza como a videoinstala\u00e7\u00e3o multissensorial e performance No \u00cdntimo (2025), do artista Lindolfo Roberto Nascimento <\/em>(S\u00e3o Paulo, 1986)<em>, trabalha a ideia de ancestralidade com o intuito de desconstruir imagens de controle em rituais afro-brasileiros. Para tanto, nos valeremos da abordagem das extremidades de Christine Mello (2008) para discutir como a obra prop\u00f5e experi\u00eancias \u00e9tico-est\u00e9tico-pol\u00edticas que deslocam a rela\u00e7\u00e3o entre p\u00fablico, corpo e espa\u00e7o expositivo. A partir desta an\u00e1lise, pretende-se demonstrar como a obra contribui para o avan\u00e7o nas discuss\u00f5es entre comunica\u00e7\u00e3o e arte contempor\u00e2nea a partir das rela\u00e7\u00f5es entre tecnologias da imagem e pr\u00e1ticas rituais presentes no fazer negro em prol da luta antirracista.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong><em>Palavras-Chave: <\/em><\/strong><em>Arte contempor\u00e2nea. Ancestralidade. Imagens de controle.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Abstract<\/em><\/strong><em>: Despite recent advances in the anti-racist struggle in Brazil, we still face serious problems related, above all, to the images historically constructed around black people. The field of contemporary art thus presents itself as an important communicational space for deconstructing such images. This article therefore examines how the multisensory installation and performance No \u00cdntimo (2025) by emerging artist Lindolfo Roberto Nascimento (S\u00e3o Paulo, 1986) works with the idea of ancestry in order to deconstruct images of control in Afro-Brazilian rituals. To this end, we will use Christine MELLO\u2019s (2008) Approach of Extremities to discuss how the work proposes ethical-aesthetic-political experiences that shift the relationship between audience, body, and exhibition space. Based on this analysis, we aim to demonstrate how the work contributes to the advancement of discussions between communication and contemporary art based on ritual practices present in black culture in support of the anti-racist struggle.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong><em>Keywords: <\/em><\/strong><em>Contemporary art. Ancestry. Images of control.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><\/h1>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"has-small-font-size\"><a id=\"_bookmark0\"><\/a>Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho Comunica\u00e7\u00e3o, Arte e Tecnologias da Imagem. 35\u00ba Encontro Anual da Comp\u00f3s, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Natal &#8211; RN. 9 a 12 de junho de 2026.<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-small-font-size\"><span style=\"background-color: rgba(0, 0, 0, 0.2); color: initial;\">Lindolfo Roberto Nascimento \u2013 aluno do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica (PUC-SP), doutorando. E-mail: <\/span><a href=\"mailto:lindolforn@gmail.com\">lindolforn@gmail.com<\/a><span style=\"background-color: rgba(0, 0, 0, 0.2); color: initial;\">.<\/span><\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-small-font-size\"><a id=\"_bookmark2\"><\/a>Christine Mello \u2013 docente e vice-coordenadora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica (PUC-SP), doutora. E-mail: <a href=\"mailto:cpmello@pucsp.br\">cpmello@pucsp.br<\/a>.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">1.&nbsp; Introdu\u00e7\u00e3o<\/h1>\n\n\n\n<p>A articula\u00e7\u00e3o de fatores diversos nas \u00faltimas d\u00e9cadas, tais como mudan\u00e7as sociais, acelera\u00e7\u00e3o do estabelecimento de redes de enfrentamento \u00e0 desigualdade, movimentos que visam a democratiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o nas m\u00eddias sociais e pol\u00edticas afirmativas e de inclus\u00e3o, entre outros, tem contribu\u00eddo para a luta antirracista no Brasil. \u00c9 fato que ainda temos muito a caminhar, tendo em vista os s\u00e9culos de escraviza\u00e7\u00e3o e toda forma de desservi\u00e7o racial posterior ao per\u00edodo; mesmo com a maior dissemina\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o propiciada pelas redes, \u00e9 tamb\u00e9m neste campo que a desinforma\u00e7\u00e3o refor\u00e7a, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s religi\u00f5es e espiritualidades afrocentradas, <em>imagens de controle <\/em>(COLLINS, 2019) que ainda buscam conservar uma vis\u00e3o racista que demoniza e intenta contra a dignidade de pessoas negras e sua cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>Observamos, ent\u00e3o, nos campos da comunica\u00e7\u00e3o e da arte, espa\u00e7os prof\u00edcuos e necess\u00e1rios para a desconstru\u00e7\u00e3o de tais imagens; \u00e9 a partir da comunica\u00e7\u00e3o que se d\u00e1 o tr\u00e2nsito da informa\u00e7\u00e3o, que forma, ensina e desfaz entendimentos err\u00f4neos, ao passo que a arte contempor\u00e2nea se constitui como espa\u00e7o aberto \u2013 e por vezes, tensionado, como na obra que abordaremos, relacional \u2013 para a legitima\u00e7\u00e3o de importantes saberes descentralizados que comp\u00f5em a nossa cultura. Aqui, trataremos de aspectos importantes \u2013 com frequ\u00eancia enraizados em nossas vidas \u2013 desses saberes que, no entanto, geralmente n\u00e3o s\u00e3o legitimados por conta de sua origem negra: a ancestralidade e o ritual.<\/p>\n\n\n\n<p>Se por um lado, na hist\u00f3ria da arte em contexto brasileiro, podemos encontrar a dimens\u00e3o da espiritualidade negra em Abdias do Nascimento (Franca, 1914 \u2014 Rio de Janeiro, 2011) no campo da pintura, tais quest\u00f5es se reapresentam d\u00e9cadas depois na linguagem instalativa em Ayrson Her\u00e1clito (Maca\u00fabas, 1968). Reconhecido esse di\u00e1logo art\u00edstico, o salto na obra do artista Lindolfo Roberto Nascimento (S\u00e3o Paulo, 1986) se d\u00e1 pelo encadeamento mesmo desses artistas que o antecederam: Lindolfo se coloca em di\u00e1logo com a tradi\u00e7\u00e3o negra na arte contempor\u00e2nea brasileira, buscando, por\u00e9m, a partir de uma perspectiva singular, dar continuidade \u00e0s quest\u00f5es ligadas \u00e0 ancestralidade negra em di\u00e1logo com o corpo coletivo que a constitui. Assim, o trabalho de Nascimento caminha pela l\u00f3gica da atualiza\u00e7\u00e3o e da legitima\u00e7\u00e3o de saberes contra-hegem\u00f4nicos, ao passo que tamb\u00e9m se encaixa numa genealogia da arte que o abarca com <em>No \u00cdntimo <\/em>(2025), instala\u00e7\u00e3o multissensorial e performance de sua autoria.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema central que orienta este artigo consiste em compreender como <em>No \u00cdntimo <\/em>elabora uma po\u00e9tica da ancestralidade e da f\u00e9 a partir da articula\u00e7\u00e3o entre performance e videoinstala\u00e7\u00e3o; prop\u00f5e modos outros de presen\u00e7a e de mem\u00f3ria no espa\u00e7o expositivo atrav\u00e9s de acordos \u00e9ticos-pol\u00edticos-est\u00e9ticos entre obra e p\u00fablico visitante; e busca comunicar esses saberes a partir da rela\u00e7\u00e3o pelo corpo, pelas imagens de v\u00eddeo e pela presen\u00e7a performativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, mobilizaremos um di\u00e1logo com Christine Mello (Rio de Janeiro, 1966), que, com sua <em>abordagem das extremidades <\/em>(2008), nos oferece instrumental cr\u00edtico para a an\u00e1lise da obra:<\/p>\n\n\n\n<p>(&#8230;) importa menos o objeto de arte, a obra acabada, e mais o processo de cria\u00e7\u00e3o. A partir dessa no\u00e7\u00e3o, ele passa a gerar trabalhos em que o sentido n\u00e3o \u00e9 mais dado s\u00f3 a partir do espa\u00e7o material escult\u00f3rico ou do espa\u00e7o bidimensional da tela, mas tamb\u00e9m pela inclus\u00e3o da dimens\u00e3o temporal na obra, a dimens\u00e3o da viv\u00eancia, e por uma comunica\u00e7\u00e3o mais direta tanto do seu corpo quanto do corpo de quem se relaciona com a obra (MELLO, 2008, p. 169).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa natureza inacabada e sobretudo relacional, que Mello descreve como sendo pr\u00f3pria da videoinstala\u00e7\u00e3o, nos indica a caracter\u00edstica aberta que esta linguagem temporal possibilita a uma obra que pretende afetar e ser afetada pelo p\u00fablico: ainda que tais caracter\u00edsticas isoladas n\u00e3o sejam suficientes para a realiza\u00e7\u00e3o plena desse intento, quando contaminadas por uma a\u00e7\u00e3o ritual-perform\u00e1tica, elas possibilitam que esses afetos se realizem tamb\u00e9m atrav\u00e9s de contamina\u00e7\u00f5es m\u00fatuas de linguagens.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto importante no que diz respeito a <em>No \u00cdntimo <\/em>\u00e9 como a obra estabelece a ideia de intimidade que se integra ao corpo coletivo, visando \u00e0 desconstru\u00e7\u00e3o de ideias racistas associadas aos rituais afrocentrados, que frequentemente circulam pelas imagens presentes nas plataformas sociais em rede; para tanto, nos valeremos do pensamento de Patricia Hill Collins sobre <em>imagens de controle <\/em>(2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, analisaremos como a obra se estabelece a partir da dimens\u00e3o ritual, convocando presen\u00e7as (tanto a do visitante quanto supra-humanas) e convidando o p\u00fablico a acessar outras dimens\u00f5es temporais e ancestrais. Leda Maria Martins, com a categoria de <em>corpo-tela <\/em>(2021), nos d\u00e1 meios para pensarmos a rela\u00e7\u00e3o entre materialidade, corpo e ancestralidade no campo da arte.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">2.&nbsp; Como <em>No \u00edntimo <\/em>atua na desconstru\u00e7\u00e3o de imagens de controle<\/h1>\n\n\n\n<p>Lindolfo Roberto Nascimento \u00e9 um artista emergente, negro e de origem perif\u00e9rica, de fam\u00edlia majoritariamente baiana, nascido e criado na periferia da Zona Leste da cidade de S\u00e3o Paulo, cuja pr\u00e1tica art\u00edstica se situa no cruzamento entre linguagens diversas como performance, literatura, v\u00eddeo e instala\u00e7\u00e3o. Sua pesquisa art\u00edstica \u00e9 marcada pela mobiliza\u00e7\u00e3o do corpo, da oralidade e das imagens t\u00e9cnicas como processos de contamina\u00e7\u00e3o entre<\/p>\n\n\n\n<p>linguagens que se hibridizam, articulando, com isso, dimens\u00f5es pessoais e coletivas. Nesta d\u00e9cada (2020), em processos que questionam tanto a colonialidade quanto o racismo e os aspectos relativos \u00e0 contemporaneidade, vem se afirmando pelo entrela\u00e7amento de narrativas pessoais, ancestralidade e cr\u00edtica social, inserindo-se em um campo expandido das linguagens art\u00edsticas por ele utilizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A concep\u00e7\u00e3o de <em>No \u00cdntimo <\/em>remonta \u00e0 videoperformance <em>Contra a Corrente: um ritual para lidar com o luto <\/em>(2023-2024)<a href=\"#_bookmark3\"><sup>4<\/sup><\/a>, na qual o artista se valeu de gestos rituais e elementos naturais para propor uma reflex\u00e3o po\u00e9tica sobre a experi\u00eancia individual da perda de sua m\u00e3e, bem como sobre a pot\u00eancia de elabora\u00e7\u00e3o coletiva do luto em rela\u00e7\u00e3o aos mortos pela Covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2025, ao ser convidado para a exposi\u00e7\u00e3o a ser curada por Juliana Lewkowicz (S\u00e3o Paulo, 1978), Nascimento prop\u00f4s redimensionar a videoperformance Contra a Corrente, produzido nos embates do corpo com o v\u00eddeo, criando a videoinstala\u00e7\u00e3o <em>No \u00cdntimo<\/em>, em que amplia a discuss\u00e3o sobre mem\u00f3ria, luto, ancestralidade e espiritualidade \u2013 tendo como princ\u00edpio n\u00e3o s\u00f3 o luto de sua m\u00e3e, mas tamb\u00e9m de suas av\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Apresentada na exposi\u00e7\u00e3o \u201c\u00c1gua Viva\u201d<a href=\"#_bookmark4\"><sup>5<\/sup><\/a>, com curadoria de Juliana Lewkowicz e S\u00f4nia Ara Mirim (S\u00e3o Paulo, 1975), a videoinstala\u00e7\u00e3o <em>No \u00cdntimo <\/em>(2025) ocupou uma sala de 3,45 m x 4,85 m de dimens\u00e3o com paredes pintadas de preto, incorporou o v\u00eddeo da performance anterior, j\u00e1 exibido em \u201cPiracema\u201d (2024), e o reinscreveu numa materialidade instalativa composta tamb\u00e9m por um ch\u00e3o coberto de terra, plantas e <em>memorabilia <\/em>pessoal (conforme a imagem 1, a seguir), relacionadas \u00e0s vestimentas e \u00e0 f\u00e9 das mulheres de sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><a id=\"_bookmark3\"><\/a><sup>4<\/sup> Essa performance, realizada em dezembro de 2023, foi registrada em v\u00eddeo, editada e apresentada ao p\u00fablico sob a forma de videoperformance posteriormente na exposi\u00e7\u00e3o \u201cPiracema: deslocamentos em busca de outros mundos a partir da arte\u201d (entre 18 de maio e 20 de junho de 2024), mostra com curadoria de Juliana Lewkowicz e Malka Borenstein (Mogi das Cruzes, 1967) realizada no espa\u00e7o expositivo situado na Rua Gomes de Carvalho, 615, na Vila Ol\u00edmpia, em S\u00e3o Paulo. A saber: a a\u00e7\u00e3o perform\u00e1tica consistiu em subir cinco vezes contra a corrente um trecho da Cachoeira da Hidromassagem na cidade paulista de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, trajando um vestido de sua falecida m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><a id=\"_bookmark4\"><\/a>5 A exposi\u00e7\u00e3o esteve em cartaz entre 14 de setembro e 5 de outubro de 2025, no mesmo espa\u00e7o da Vila Ol\u00edmpia \u2013 edif\u00edcio que originalmente abrigou uma f\u00e1brica de sapatos e que, nos \u00faltimos anos, tem sido ativado por exposi\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias de arte contempor\u00e2nea curadas por Lewkowicz.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"914\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/06\/Imagem3-Planta-ilustrativa-de-NO-INTIMO-1024x914.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-192\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/06\/Imagem3-Planta-ilustrativa-de-NO-INTIMO-1024x914.png 1024w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/06\/Imagem3-Planta-ilustrativa-de-NO-INTIMO-300x268.png 300w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/06\/Imagem3-Planta-ilustrativa-de-NO-INTIMO-768x685.png 768w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/06\/Imagem3-Planta-ilustrativa-de-NO-INTIMO-1536x1370.png 1536w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/06\/Imagem3-Planta-ilustrativa-de-NO-INTIMO-2048x1827.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">IMAGEM 1 \u2013 Planta ilustrativa da instala\u00e7\u00e3o <em>No \u00cdntimo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">FONTE: acervo de Lindolfo Nascimento (2025).<\/p>\n\n\n\n<p><em>No \u00cdntimo <\/em>trabalha articulando camadas de (des)constru\u00e7\u00e3o de sentido diversas:<\/p>\n\n\n\n<ol style=\"list-style-type:lower-alpha\" class=\"wp-block-list\">\n<li>a mem\u00f3ria de obras anteriores do artista;<\/li>\n\n\n\n<li>as materialidades multissensoriais dos meios empregados na instala\u00e7\u00e3o (terra, ervas, objetos e v\u00eddeo, que s\u00e3o acessadas por tato, olfato e vis\u00e3o);<\/li>\n\n\n\n<li>a presen\u00e7a perform\u00e1tica do gesto no espa\u00e7o expositivo;<\/li>\n\n\n\n<li>agenciamentos e contamina\u00e7\u00f5es em que corpo, natureza e ritual atuam de forma conjunta, entre a abertura da intimidade do artista \u2013 parte da hist\u00f3ria da sua fam\u00edlia \u2013 e a rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico, intentando partir do pessoal rumo ao pertencimento coletivo.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><em>No \u00cdntimo <\/em>incorpora a proje\u00e7\u00e3o da videoperformance <em>Contra a Corrente <\/em>(2024)<a href=\"#_bookmark5\"><sup>6<\/sup><\/a>, bem como a presen\u00e7a no espa\u00e7o instalativo do livro <em>Mandala Na\u00eff <\/em>(2020)<a href=\"#_bookmark6\"><sup>7<\/sup><\/a>, e lhes adiciona novos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><a id=\"_bookmark5\"><\/a>6 Fazendo com que a obra tenha tamb\u00e9m a dimens\u00e3o de videoinstala\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><a id=\"_bookmark6\"><\/a><sup>7<\/sup> Livro de poemas e escritas perform\u00e1ticas de autoria do artista publicado em 2020, de forma independente, pela editora Desconcertos.<\/p>\n\n\n\n<p>elementos materiais \u2013 terra, arruda, alecrim e objetos de mem\u00f3ria: uma velha m\u00e1quina de costura e uma camisa branca que pertenceram \u00e0 av\u00f3 paterna do artista, C\u00edcera Josefa; uma cadeira e um v\u00e9u de sua av\u00f3 materna, Jovelina Rosa<a href=\"#_bookmark7\"><sup>8<\/sup><\/a>; e um vestido estampado que pertenceu \u00e0 sua m\u00e3e, Maria Helena (o mesmo que foi vestido anteriormente pelo artista em <em>Contra a Corrente<\/em>). Al\u00e9m disso, a sala de <em>No \u00edntimo<\/em>, tomada por terra, tamb\u00e9m foi constitu\u00edda por 14 vasos de alecrim e de arruda, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, uma b\u00edblia aberta no livro de Apocalipse<a href=\"#_bookmark8\"><sup>9<\/sup><\/a>, um hin\u00e1rio utilizado pelos fi\u00e9is da igreja protestante Congrega\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 no Brasil, o j\u00e1 citado livro de autoria do artista, um cachimbo com fumo de corda e uma imagem de Exu, ampliando sua pot\u00eancia ritual e transformando a sala expositiva em territ\u00f3rio de vida e de evoca\u00e7\u00e3o da ancestralidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o entendimento de <em>imagens de controle <\/em>\u00e9 de que elas se constituem como mecanismos ideol\u00f3gicos de domina\u00e7\u00e3o de pessoas negras a partir da distor\u00e7\u00e3o de significados que leva a entendimentos que divergem do que essas pessoas realmente s\u00e3o (COLLINS, 2019), tais como ideias que relacionam negros \u00e0 criminalidade, animaliza\u00e7\u00e3o e promiscuidade e de demoniza\u00e7\u00e3o de sua religiosidade quando de matrizes africanas, <em>No \u00cdntimo <\/em>atua como um ambiente composto por imagens desconstrutoras dessa l\u00f3gica ao articular materialidades, linguagens art\u00edsticas e mesmo objetos de fun\u00e7\u00f5es religiosas de matrizes diversas<a href=\"#_bookmark9\"><sup>10<\/sup><\/a> \u2013 a servi\u00e7o de uma contamina\u00e7\u00e3o tecno-sincr\u00e9tica que trabalha a favor do conhecimento, no plano imediato da experi\u00eancia, e da ancestralidade no plano simb\u00f3lico, inclusive ressignificando saberes em conson\u00e2ncia com o pensamento relacionado \u00e0 natureza atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o proposta e estabelecida com plantas de cura e cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p>As plantas nos obrigam, portanto, a reformar a cosmologia tradicional (&#8230;) elas nos mostram que o princ\u00edpio que engendra o mundo \u00e9 um elemento intramundano, n\u00e3o um superobjeto que seria anterior e exterior ao mundo: s\u00f3 h\u00e1 mundo porque sua causa e sua consequ\u00eancia, sua origem e sua express\u00e3o, est\u00e3o contidas uma na outra. Logo, n\u00e3o pode haver reflex\u00e3o sobre um objeto mundano que j\u00e1 n\u00e3o seja uma reflex\u00e3o cosmol\u00f3gica (COCCIA, 2018, p. 10).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><a id=\"_bookmark7\"><\/a><sup>8<\/sup> O cachimbo com fumo de corda e a imagem de Nossa Senhora Aparecida presentes na instala\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o os originais que pertenceram \u00e0 av\u00f3 materna do artista, pois tais objetos se perderam, mas cumprem a fun\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o dos objetos originais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><a id=\"_bookmark8\"><\/a><sup>9<\/sup> A b\u00edblia est\u00e1 aberta no livro de Apocalipse, na p\u00e1gina 228, no Cap\u00edtulo 21, com o vers\u00edculo 4 destacado com caneta marca-texto: \u201cE Deus limpar\u00e1 de seus olhos toda a l\u00e1grima; e n\u00e3o haver\u00e1 mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor (&#8230;)\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><a id=\"_bookmark9\"><\/a><sup>10<\/sup> Ainda que <em>No \u00cdntimo <\/em>enfatize na performance a rela\u00e7\u00e3o do artista com sua religi\u00e3o, a umbanda, riscando encruzilhadas na terra para Exu, na instala\u00e7\u00e3o o que ocorre \u00e9 um sincretismo relacionado \u00e0s religi\u00f5es que atravessaram a hist\u00f3ria de sua fam\u00edlia, com objetos relacionados \u00e0 f\u00e9 cat\u00f3lica e protestante e tamb\u00e9m \u00e0s religi\u00f5es de matrizes africanas.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do pensamento de Emanuele Coccia (Fermo, 1976), observamos que <em>No \u00cdntimo <\/em>se constitui tamb\u00e9m como um espa\u00e7o de evidencia\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o homem-natureza-tecnologia ao implicar o p\u00fablico na instala\u00e7\u00e3o, colocando-o em rela\u00e7\u00e3o com a terra, com as imagens videogr\u00e1ficas, com os cheiros e sensa\u00e7\u00f5es, o que reconfigura a presen\u00e7a do visitante ao recoloc\u00e1-lo em contato entre natureza e imagem videogr\u00e1fica. A aten\u00e7\u00e3o \u00e0 cosmologia \u00e9 despertada pela presen\u00e7a, pelo entendimento do pertencimento ao mundo e pelo envolvimento em detrimento do desenvolvimento, como pensado por Nego Bispo (2023), bem como pela <em>implica\u00e7\u00e3o <\/em>dos corpos, como postulado por Denise Ferreira da Silva (2024). O p\u00fablico em <em>No \u00cdntimo <\/em>n\u00e3o \u00e9 espectador, mas parte constituinte da cosmologia ou, em \u00faltima an\u00e1lise, da integra\u00e7\u00e3o homem-natureza-tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Ritualidade em <em>No \u00cdntimo<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A videoinstala\u00e7\u00e3o, de car\u00e1ter multissensorial, e que prop\u00f5e acordos e tens\u00f5es de ordem est\u00e9tica e pol\u00edtica para com seus visitantes, foi ainda ativada por uma a\u00e7\u00e3o perform\u00e1tica de natureza ritual realizada no dia de sua abertura, quando o artista espalhou terra pelo ch\u00e3o da sala e riscou encruzilhadas (conforme imagem 2, a seguir), intensificando a dimens\u00e3o presencial da obra e seu v\u00ednculo com pr\u00e1ticas de religiosidades afro-brasileiras, naturais e n\u00e3o regidas pelo princ\u00edpio da separabilidade. <em>No \u00cdntimo <\/em>passava a ser, para al\u00e9m de uma instala\u00e7\u00e3o, um gesto compartilhado com os presentes, mobilizando sensa\u00e7\u00f5es e v\u00ednculos na efemeridade do momento.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"832\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/06\/Imagem1-performance-NO-INTIMO-1024x832.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-193\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/06\/Imagem1-performance-NO-INTIMO-1024x832.png 1024w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/06\/Imagem1-performance-NO-INTIMO-300x244.png 300w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/06\/Imagem1-performance-NO-INTIMO-768x624.png 768w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/06\/Imagem1-performance-NO-INTIMO-1536x1248.png 1536w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/06\/Imagem1-performance-NO-INTIMO-2048x1664.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">IMAGEM 2 \u2013 Registros fotogr\u00e1ficos da performance que abriu a instala\u00e7\u00e3o <em>No \u00cdntimo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">FONTE: Juliana Lewkowicz (2025).<\/p>\n\n\n\n<p>A escolha desses elementos materiais n\u00e3o \u00e9 arbitr\u00e1ria. A terra espalhada que recobre o ch\u00e3o do espa\u00e7o, as ervas de prote\u00e7\u00e3o espiritual e cura (arruda e alecrim) e os objetos pessoais que comp\u00f5em com as imagens da videoinstala\u00e7\u00e3o remetem diretamente \u00e0s pr\u00e1ticas de f\u00e9 exercidas pelas mulheres da fam\u00edlia do artista. Jovelina Rosa, sua av\u00f3 materna, baiana, negra e benzedeira, realizava pr\u00e1ticas de cuidado espiritual e de fortalecimento comunit\u00e1rio enraizadas em tradi\u00e7\u00f5es afro-brasileiras em sua terra de origem e, ap\u00f3s migrar da Bahia, em suas primeiras d\u00e9cadas morando em Guaianases, periferia da Zona Leste de S\u00e3o Paulo, seguiu realizando tais pr\u00e1ticas de cura no bairro de sua nova moradia<a href=\"#_bookmark10\"><sup>11<\/sup><\/a>. Sua av\u00f3 paterna, C\u00edcera Josefa, tamb\u00e9m baiana e descendente de negros e ind\u00edgenas, carregava outro horizonte de saberes, marcados pela rela\u00e7\u00e3o entre corpo, territ\u00f3rio e natureza, al\u00e9m da pr\u00e1tica da costura em sua m\u00e1quina Singer<a href=\"#_bookmark11\"><sup>12<\/sup><\/a>. Sua m\u00e3e, Maria Helena, tamb\u00e9m baiana, j\u00e1 em S\u00e3o Paulo tornou-se evang\u00e9lica, assim<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><a id=\"_bookmark10\"><\/a>11 Pr\u00e1ticas das quais o artista, ao longo de sua inf\u00e2ncia, foi testemunha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><a id=\"_bookmark11\"><\/a><sup>12<\/sup> Memorabilia tamb\u00e9m presente no espa\u00e7o instalativo.<\/p>\n\n\n\n<p>como Nilson, o pai de Lindolfo, e parte de seus tios \u2013 o que acabou por desencadear a convers\u00e3o de suas av\u00f3s, j\u00e1 idosas, \u00e0 f\u00e9 evang\u00e9lica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, <em>No \u00cdntimo <\/em>atualiza uma heran\u00e7a espiritual que atravessa gera\u00e7\u00f5es e faz da obra uma esp\u00e9cie de altar expandido no qual a mem\u00f3ria familiar se entrela\u00e7a \u00e0 hist\u00f3ria coletiva de povos negros e ind\u00edgenas no Brasil, deslocados para as periferias das grandes cidades \u2013 mas que tamb\u00e9m revela a sobreposi\u00e7\u00e3o de cren\u00e7as e as poss\u00edveis viol\u00eancias que esse processo pode esconder. Lindolfo, que cresceu entre essas misturas de f\u00e9 e saberes, declara-se umbandista e busca a retomada de v\u00ednculos espirituais de cren\u00e7as de matrizes africanas interrompidos em sua genealogia por seus pais.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, as dimens\u00f5es racial e ancestral n\u00e3o se apresentam apenas como refer\u00eancia autobiogr\u00e1fica, mas como gesto pol\u00edtico. Ao posicionar no espa\u00e7o institucional da arte objetos e gestos vinculados \u00e0 espiritualidade negra e ind\u00edgena de uma fam\u00edlia migrante e perif\u00e9rica, a obra confronta a l\u00f3gica hegem\u00f4nica do museu e da galeria, tensionando as fronteiras entre o \u00edntimo e o p\u00fablico, entre o espiritual e o est\u00e9tico, gerando imagens outras que escapam \u00e0s <em>imagens de controle<\/em>. \u00c9 nesse ponto que a videoinstala\u00e7\u00e3o se aproxima das reflex\u00f5es de Nego Bispo (2023), quando ele afirma que as comunidades afroind\u00edgenas elaboram \u201ccontracolonialidades\u201d como formas de exist\u00eancia, e de Ailton Krenak (2022), que prop\u00f5e a necessidade de \u201creencantar\u201d a rela\u00e7\u00e3o entre humanos e a terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Renato Cohen (2009) nos chama aten\u00e7\u00e3o para o <em>performer <\/em>como um ritualizador do instante presente, que atua no espa\u00e7o e no instante, tal como um ator teatral, mas sem a media\u00e7\u00e3o de um personagem. A ritualiza\u00e7\u00e3o enquanto gesto perform\u00e1tico consiste em estabelecer presen\u00e7a, em rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico: no ritual, ainda que o <em>performer <\/em>convoque for\u00e7as outras, como \u00e9 o caso de <em>No \u00cdntimo<\/em>, ele apresenta a si mesmo, sem filtros, afetando e sendo afetado por seu p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Aprofundando essa no\u00e7\u00e3o ritual para um entendimento de oralidade no corpo negro, Leda Maria Martins (Rio de Janeiro, 1955) nos traz como tal ritualidade se d\u00e1 enquanto corpo-tela:<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito das oralituras, o gesto n\u00e3o \u00e9 apenas uma representa\u00e7\u00e3o mim\u00e9tica de um aparato simb\u00f3lico, veiculado pela performance, mas institui e instaura a pr\u00f3pria performance. Ou, ainda, o gesto n\u00e3o \u00e9 apenas narrativo ou descritivo, mas, fundamentalmente, performativo. O gesto, como uma <em>po\u00edesis <\/em>do movimento e como forma m\u00ednima, pode suscitar os sentidos mais plenos (MARTINS, 2021, p. 86).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o gesto performativo que ativou a instala\u00e7\u00e3o no dia de abertura da exposi\u00e7\u00e3o \u201c\u00c1gua Viva\u201d \u2013 o espalhar da terra sobre o piso da sala e o riscar de encruzilhadas \u2013 trabalha a dimens\u00e3o ritual inscrevendo a obra no campo das pr\u00e1ticas de matriz africana que Nascimento toma como sua matriz espiritual e filos\u00f3fica, para as quais a encruzilhada \u00e9 espa\u00e7o de encontro, passagem e transforma\u00e7\u00e3o, mas sobretudo tornando seu corpo-tela um canal de afec\u00e7\u00e3o entre ele e seu p\u00fablico presente.<\/p>\n\n\n\n<p>A videoinstala\u00e7\u00e3o, nesse sentido, n\u00e3o apenas exibe imageticamente uma composi\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o entre corpo, objetos e v\u00eddeo, mas tamb\u00e9m se estabelece como campo interativo e multissensorial de invoca\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, presen\u00e7as e mem\u00f3rias, conclamando um territ\u00f3rio de cura coletiva e reelabora\u00e7\u00e3o de conhecimentos relacionados ao povo negro ao cobrir com terra o ch\u00e3o de um espa\u00e7o arquitet\u00f4nico: a revers\u00e3o de for\u00e7as hist\u00f3ricas se d\u00e1 pela terra que se sobrep\u00f5e ao ch\u00e3o concretado, desvelando saberes, informa\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias que atuam na contram\u00e3o das distor\u00e7\u00f5es realizadas pelas <em>imagens de controle <\/em>t\u00e3o largamente propagadas no contexto da sociedade midi\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong><em>No \u00cdntimo <\/em><\/strong><strong>enquanto extremidade<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A obra em quest\u00e3o ainda pode ser analisada \u00e0 luz da <em>abordagem das extremidades <\/em>(MELLO, 2008), um jogo de leituras que desloca a an\u00e1lise da arte contempor\u00e2nea para os limites em que os saberes hegem\u00f4nicos institu\u00eddos se desfazem, revelando tens\u00f5es, fissuras e passagens. A abordagem, justamente por privilegiar objetos fronteiri\u00e7os como esta obra, permite investigar como tal trabalho art\u00edstico se constitui justo nos pontos de contato entre extremos \u2013 vida e morte, \u00edntimo e coletivo, espiritual e est\u00e9tico, arte e ritual, mem\u00f3ria e futuro -, fugindo de dicotomias e mostrando que sua pot\u00eancia surge justamente em pontos tensionados interligados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"866\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/06\/Imagem2-elementos-que-compuseram-a-instalacao-NO-INTIMO-1024x866.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-194\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/06\/Imagem2-elementos-que-compuseram-a-instalacao-NO-INTIMO-1024x866.png 1024w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/06\/Imagem2-elementos-que-compuseram-a-instalacao-NO-INTIMO-300x254.png 300w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/06\/Imagem2-elementos-que-compuseram-a-instalacao-NO-INTIMO-768x650.png 768w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/06\/Imagem2-elementos-que-compuseram-a-instalacao-NO-INTIMO-1536x1299.png 1536w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2026\/06\/Imagem2-elementos-que-compuseram-a-instalacao-NO-INTIMO-2048x1732.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">IMAGEM 3 \u2013 Alguns dos elementos que compuseram a instala\u00e7\u00e3o <em>No \u00cdntimo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Fonte: Paula Nogueira (2025).<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, as extremidades se manifestam primeiramente na experi\u00eancia sensorial e \u00e9tica proposta ao visitante. Na entrada da sala, h\u00e1 a mensagem: \u201cPede-se para retirar os sapatos ao entrar na sala\u201d. O pedido n\u00e3o \u00e9 mandat\u00f3rio; o p\u00fablico pode optar por permanecer cal\u00e7ado ou usar sapatilhas descart\u00e1veis (\u201cprop\u00e9s\u201d), mas, ao faz\u00ea-lo, perde o acesso \u00e0 dimens\u00e3o sensorial de estar em contato com a terra com os p\u00e9s descal\u00e7os. Essa proposi\u00e7\u00e3o simples, mas radical, constitui um acordo \u00e9tico-est\u00e9tico-pol\u00edtico: para adentrar plenamente a obra, \u00e9 preciso assumir o compromisso de relacionar-se territorialmente com o espa\u00e7o, implicar-se, rompendo a barreira entre observador distanciado e ambiente ritual. Ao assumir o compromisso de se relacionar de forma implicada com a obra, sujando os p\u00e9s e indo contra impulsos higi\u00eanicos-higienistas, o visitante passa a ser agente e a se relacionar de maneira mais densa, com camadas ampliadas de temporalidade, com a obra.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da dimens\u00e3o t\u00e1til \u2013 que se expande a tudo o mais, j\u00e1 que tudo no espa\u00e7o pode ser tocado \u2013, a obra prop\u00f5e experi\u00eancias sensoriais olfativas: o cheiro das plantas dispostas no ch\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>e do fumo de corda sobre o livro aberto cria camadas olfativas que atuam independentemente de se estar com os p\u00e9s descal\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro acordo \u00e9tico-est\u00e9tico-pol\u00edtico se d\u00e1 na escolha de projetar a videoperformance <em>Contra a Corrente <\/em>no lado interno da parede do portal de entrada da sala. Dessa forma, para acessar o conte\u00fado completo da obra, o visitante precisa decidir adentrar a sala de terra, passando do papel de observador que \u201crecorta\u201d a imagem da obra com o olhar externo para a experi\u00eancia imersiva de quem entra no espa\u00e7o e passa a ter deslocamento e vis\u00e3o em 360\u00b0. A <em>abordagem das extremidades <\/em>permite compreender como essa proposta insere a obra dentro dos entendimentos das linguagens instala\u00e7\u00e3o, no caso, entre a videoinstala\u00e7\u00e3o e a performance, na arte contempor\u00e2nea: a experi\u00eancia s\u00f3 se d\u00e1 na tens\u00e3o entre compromisso \u00e9tico e liberdade, entre a escolha e a entrega, de forma processual e imanente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao propor esses acordos, a obra tamb\u00e9m dialoga com a cr\u00edtica \u00e0 cosmofobia discutida por Nego Bispo (2023), entendida como a l\u00f3gica de separa\u00e7\u00e3o entre humanos e mundo natural, caracter\u00edstica das epistemologias coloniais. Ao propor que o p\u00fablico toque a terra e sinta o cheiro do fumo de corda e das plantas, a obra promove um envolvimento direto com o ambiente, problematizando a divis\u00e3o entre sujeito humano e mundo natural. Essa experi\u00eancia, embora de pot\u00eancia sensorial, tamb\u00e9m tem for\u00e7a na dimens\u00e3o \u00e9tica: coloca o visitante diante de uma responsabilidade de coexistir com a terra e com os elementos vivos presentes, desafiando h\u00e1bitos e conven\u00e7\u00f5es da arte institucional e refor\u00e7ando a dimens\u00e3o \u00e9tico-pol\u00edtica da po\u00e9tica de Lindolfo Roberto Nascimento.<\/p>\n\n\n\n<p>De outro modo, n\u00e3o discordante, mas complementar, Martins (2021) problematiza a separa\u00e7\u00e3o entre humanos e mundos n\u00e3o humanos, entre corpo e natureza, separa\u00e7\u00e3o que inexiste nas filosofias africanas. Ao pisar na terra, tocar as ervas e sentir o odor do fumo, o visitante \u00e9 convidado a assumir uma responsabilidade \u00e9tica perante o espa\u00e7o e suas presen\u00e7as, tanto as vis\u00edveis quanto as invis\u00edveis, rompendo a l\u00f3gica de domina\u00e7\u00e3o separatista presente em epistemologias hegem\u00f4nicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse contexto, a instala\u00e7\u00e3o opera em diversos tensionamentos nas extremidades: \u00edntimo\/coletivo, material\/imaterial, humano\/c\u00f3smico. O visitante \u00e9 convocado a transitar entre esses limites, experienciando a obra de maneira corporal. A <em>abordagem das extremidades <\/em>permite perceber como a pot\u00eancia de <em>No \u00cdntimo <\/em>emerge justamente dessas passagens entre participa\u00e7\u00e3o e observa\u00e7\u00e3o, entre corpo e mem\u00f3ria, entre o viver da a\u00e7\u00e3o ritual e o sentir da contempla\u00e7\u00e3o est\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das dimens\u00f5es sensoriais, <em>No \u00cdntimo <\/em>articula a temporalidade da mem\u00f3ria e a continuidade ancestral. A obra conecta a performance anterior de Nascimento ao v\u00eddeo que a registrou, \u00e0 presen\u00e7a-ausente das mulheres j\u00e1 desencarnadas da fam\u00edlia do artista e aos saberes espirituais de matrizes afro-ind\u00edgenas, bem como ao aspecto relacional de quem a visita, revelando como pr\u00e1ticas \u00edntimas e familiares atravessam a esfera p\u00fablica do espa\u00e7o expositivo, tal como na sociedade em rede. A radicalidade \u00e9tica da obra \u2013 permitir que cada visitante escolha seu n\u00edvel de participa\u00e7\u00e3o e, por consequ\u00eancia, de envolvimento \u2013 intensifica a dimens\u00e3o pol\u00edtica do gesto de um p\u00fablico muitas vezes normatizado por certo automatismo na forma como se relaciona com a arte pois em <em>No \u00cdntimo <\/em>s\u00f3 se adentra plenamente o espa\u00e7o ritual assumindo a responsabilidade de coexistir com o que \u00e9 sens\u00edvel, ancestral e natural.<\/p>\n\n\n\n<p>A <em>abordagem das extremidades <\/em>nos possibilita compreender <em>No \u00cdntimo <\/em>como pr\u00e1tica que tensiona limites, contamina linguagens e provoca deslocamentos \u00e9ticos, sensoriais e pol\u00edticos. O compromisso volunt\u00e1rio de envolvimento do visitante bem como a rela\u00e7\u00e3o com a materialidade dos objetos transforma a sala em campo de presen\u00e7a e mem\u00f3ria. \u00c9 nesse atravessamento que <em>No \u00cdntimo <\/em>se constitui como obra que se pretende radical, na qual est\u00e9tica, \u00e9tica e pol\u00edtica se entrela\u00e7am, tanto desafiando a percep\u00e7\u00e3o quanto estimulando a participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico em rela\u00e7\u00f5es de alteridade para com saberes e experi\u00eancias negras que evocam na arte sob uma l\u00f3gica de vida natural, est\u00e9tica, mas n\u00e3o de forma estetizante \u2013 tal como postulou o fil\u00f3sofo Ranci\u00e8re (2005), para quem a est\u00e9tica n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de forma ou beleza, mas a maneira como os sentidos s\u00e3o estruturados e como os sujeitos se relacionam com o mundo e entre si.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">5.&nbsp; Considera\u00e7\u00f5es finais<\/h1>\n\n\n\n<p>Assim, <em>No \u00cdntimo <\/em>se coloca como ponto de converg\u00eancia entre dimens\u00f5es pessoais e coletivas, \u00edntimas e pol\u00edticas, materiais e espirituais, org\u00e2nicas e tecnol\u00f3gicas, ao propor ao p\u00fablico uma viv\u00eancia integradora, na qual arte, vida, tecnologia, ancestralidade e natureza se entrela\u00e7am, buscando a desconstru\u00e7\u00e3o de <em>imagens de controle <\/em>pela alteridade experienciada e que, no entanto, em nenhum momento se dissocia do tecido social, coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>No plano pol\u00edtico, evidencia-se o gesto de resist\u00eancia para identidades e comunidades historicamente silenciadas ao propor o espa\u00e7o expositivo como lugar de elabora\u00e7\u00e3o de pertencimento e pr\u00e1ticas ancestrais e deslocar a fun\u00e7\u00e3o da arte de representa\u00e7\u00e3o para a de<\/p>\n\n\n\n<p>possibilidade de ritual vivo, presen\u00e7a, revers\u00e3o de for\u00e7as e lugar de acordos e viv\u00eancias est\u00e9ticas, em car\u00e1ter relacional.<\/p>\n\n\n\n<p><em>No \u00cdntimo <\/em>se inscreve no campo da arte contempor\u00e2nea como objeto que enseja o di\u00e1logo com saberes que passam por constantes tentativas de apagamento e controle, mostrando a pot\u00eancia de po\u00e9ticas que operam na materialidade videogr\u00e1fica e corp\u00f3rea de vest\u00edgios de vidas invisibilizadas, no resgate da rela\u00e7\u00e3o com o espa\u00e7o natural e na experi\u00eancia sensorial dos corpos e imagens tecnol\u00f3gicas, como espa\u00e7o de elabora\u00e7\u00e3o coletiva de mem\u00f3ria e de cura, ao passo que questiona uma estrutura de poder \u2013 no caso, o sistema da arte \u2013 que historicamente ajuda a regular visibilidade, legitimidade e representa\u00e7\u00e3o na sociedade contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h1>\n\n\n\n<p>BORENSTEIN, Malka; LEWKOWICZ, Juliana. <strong>Piracema<\/strong>: deslocamentos em busca de outros mundos a partir da arte. Exposi\u00e7\u00e3o de arte, S\u00e3o Paulo, 2024. Release da exposi\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/select.art.br\/agenda\/exposicao-piracema\/\">https:\/\/select.art.br\/agenda\/ex-<\/a><a href=\"https:\/\/select.art.br\/agenda\/exposicao-piracema\/\">posicao-piracema\/<\/a>. Acesso em: 31 jan. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>COCCIA, Emanuele. <strong>A virada vegetal<\/strong>. S\u00e3o Paulo: N-1 edi\u00e7\u00f5es, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>COHEN, Renato. <strong>Performance como linguagem<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2009. COLLINS, Patricia Hill. <strong>Pensamento feminista negro<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>FERREIRA DA SILVA, Denise. <strong>A d\u00edvida impag\u00e1vel<\/strong>: uma cr\u00edtica feminista, racial e anticolonial do capitalismo. Rio de Janeiro: Zahar, 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>KRENAK, Ailton. <strong>Ideias para adiar o fim do mundo<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>LEWKOWICZ, Juliana; MIRIM, S\u00f4nia Ara. <strong>\u00c1gua Viva<\/strong>. Exposi\u00e7\u00e3o de arte, S\u00e3o Paulo, 2025. Release da expo-si\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/jornaldobras.com.br\/noticia\/87857\/exposicao-agua-viva-reune-artistas-de-diferentes-origens-em-dialogo-entre-arte-e-espiritualidade\">https:\/\/jornaldobras.com.br\/noticia\/87857\/exposicao-agua-viva-reune-artistas-de-diferen-<\/a><a href=\"https:\/\/jornaldobras.com.br\/noticia\/87857\/exposicao-agua-viva-reune-artistas-de-diferentes-origens-em-dialogo-entre-arte-e-espiritualidade\">tes-origens-em-dialogo-entre-arte-e-espiritualidade.<\/a> Acesso em: 28 Jan 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>MARTINS, Leda Maria. <strong>Performances do tempo espiralar<\/strong>: po\u00e9ticas do corpo-tela. Rio de Janeiro: Cobog\u00f3, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>MELLO, Christine. <strong>Extremidades do v\u00eddeo<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Senac, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>NASCIMENTO, Lindolfo Roberto. <strong>Mandala Na\u00eff<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Autopublica\u00e7\u00e3o, 2025. RANCI\u00c8RE, Jacques. <strong>A partilha do sens\u00edvel<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>SANTOS, Ant\u00f4nio Bispo dos. <strong>A terra d\u00e1, a terra quer<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Ubu, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>VERG\u00c8S, Fran\u00e7oise. <strong>Decolonizar o museu<\/strong>: programa de desordem absoluta. S\u00e3o Paulo: Ubu, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NO \u00cdNTIMO: ancestralidade e desconstru\u00e7\u00e3o de imagens de controle na arte contempor\u00e2nea1 INTIMATELY: ancestry and deconstruction of images of control in contemporary art Lindolfo Roberto Nascimento2 Christine Pires Nelson de Mello3 Resumo: Apesar dos recentes avan\u00e7os conquistados pela luta antirracista no Brasil, ainda enfrentamos s\u00e9rios problemas ligados sobretudo \u00e0s imagens constru\u00eddas historicamente em torno do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[10,9,12,11,13],"class_list":["post-191","post","type-post","status-publish","hentry","category-pesquisa","tag-ancestralidade","tag-arte-contemporanea","tag-extremidades","tag-imagens-de-controle","tag-racialidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=191"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":199,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191\/revisions\/199"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=191"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=191"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=191"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}