{"id":121,"date":"2024-11-07T04:39:50","date_gmt":"2024-11-07T07:39:50","guid":{"rendered":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/?p=121"},"modified":"2024-11-09T03:23:21","modified_gmt":"2024-11-09T06:23:21","slug":"fatos-do-funk-uma-analise-nas-extremidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/2024\/11\/07\/fatos-do-funk-uma-analise-nas-extremidades\/","title":{"rendered":"&#8220;Fatos do Funk&#8221;: uma an\u00e1lise nas eXtremidades"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/Apresentacao-de-slides-negocios-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-122\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/Apresentacao-de-slides-negocios-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/Apresentacao-de-slides-negocios-300x169.jpg 300w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/Apresentacao-de-slides-negocios-768x432.jpg 768w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/Apresentacao-de-slides-negocios.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>LOCALIZANDO O OBJETO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Funk, estilo consciente<\/li>\n\n\n\n<li>Dura\u00e7\u00e3o: 3min55s<\/li>\n\n\n\n<li>V\u00eddeo gravado e editado em celular<\/li>\n\n\n\n<li>V\u00eddeo publicado no YouTube (one single channel)<\/li>\n\n\n\n<li>M\u00fasica distribu\u00edda nos principais servi\u00e7os de m\u00fasica<\/li>\n\n\n\n<li>Faixa de fechamento (10\u00aa faixa) do 2\u00ba \u00e1lbum do Macna, \u201cEmba\u00e7ado\u201d <\/li>\n\n\n\n<li>A faixa finaliza com uma voz de GPS, fechando um ciclo iniciado pela mesma voz presente na faixa de abertura do \u00e1lbum, &#8220;Hey Man\u00e9&#8221;.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/EMBACADO-19-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-133\" style=\"width:557px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/EMBACADO-19-1024x1024.png 1024w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/EMBACADO-19-300x300.png 300w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/EMBACADO-19-150x150.png 150w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/EMBACADO-19-768x768.png 768w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/EMBACADO-19-1536x1536.png 1536w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/EMBACADO-19-2048x2048.png 2048w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/EMBACADO-19-500x500.png 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=McxLc-6XuCk\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=McxLc-6XuCk\">Clique aqui para assistir ao v\u00eddeo de &#8220;Fatos do Funk&#8221;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>SOBRE C\u00d3DIGOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O funk, em suas letras e em seus jarg\u00f5es, que se constitui majoritariamente de g\u00edria perif\u00e9rica, se mostra pouco ou nada cifrado para aquele que participa e vive essa cultura (ou seja, quem est\u00e1 de dentro do c\u00edrculo).<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o fen\u00f4meno se inverte para aquele que o observa de fora: palavras como &#8220;bigode&#8221;, &#8220;kit&#8221;, &#8220;grau&#8221;, &#8220;ladr\u00e3o&#8221;, &#8220;bruxaria&#8221;, &#8220;magr\u00e3o&#8221;, &#8220;automotivo&#8221;, &#8220;ritmado&#8221;, &#8220;Helipa&#8221;, &#8220;Marcone&#8221;, &#8220;fita&#8221;, &#8220;lean&#8221;, &#8220;fluxo&#8221;, &#8220;Chevette&#8221;, &#8220;embrazar&#8221; ou &#8220;DZ7&#8221; entre outras express\u00f5es, s\u00e3o mal compreendidas, quando n\u00e3o totalmente incompreendidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso evidencia de partida a necessidade do entendimento de lugar do qual se observa o objeto, bem como de quem observa este objeto (e os discursos que este objeto carrega).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"> <strong>LINGUAGEM<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">T\u00e3o importante quanto apreender os aspectos sociais em torno da produ\u00e7\u00e3o do funk e de sua cultura, \u00e9 reconhec\u00ea-lo como qualquer outro estilo musical, com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, sejam essas caracter\u00edsticas positivas ou n\u00e3o, para assim se fazer uma cr\u00edtica coerente com o que o estilo de fato \u00e9, com suas virtudes e vicissitudes.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro desse entendimento, \u00e9 necess\u00e1rio localizar o funk como m\u00fasica eletr\u00f4nica, perif\u00e9rica, brasileira, inscrita dentro da cultura Hip-hop.<\/p>\n\n\n\n<p>Desconstruindo assim, equ\u00edvocos em torno da qualidade da elabora\u00e7\u00e3o das letras, e supostas &#8220;pobrezas mel\u00f3dicas ou harm\u00f4nicas&#8221;,  bem como satura\u00e7\u00f5es, sejam no tocante ao aspecto percussivo, seja no uso n\u00e3o balanceado de graves e agudos em mixagens.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo vale para as letras: bem como em boa parte da m\u00fasica eletr\u00f4nica comercial mundo afora, a voz no funk muitas vezes assume posi\u00e7\u00e3o de elemento musical, no caso, ritmico, ressignificando palavras numa esp\u00e9cie de esvaziamento de significados do significante, as transformando via repeti\u00e7\u00e3o em ritmo tamb\u00e9m, que age sobre o corpo, como no famoso caso do sentasentasentasentasentasentasenta&#8230; exemplo este muitas vezes utilizado por cr\u00edticos que se op\u00f5em ao estilo. Erro de leitura: o entendimento da constru\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica eletr\u00f4nica muitas vezes passa mais pelo corpo que pelo crivo puramente racional. Assim, \u00e9 preciso, antes de mais nada, ao lidar com o funk, conseguir v\u00ea-lo como ele \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>CRUZANDO PENSAMENTOS<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/FATOS-DO-FUNK-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-132\" style=\"width:555px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/FATOS-DO-FUNK-1024x1024.png 1024w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/FATOS-DO-FUNK-300x300.png 300w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/FATOS-DO-FUNK-150x150.png 150w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/FATOS-DO-FUNK-768x768.png 768w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/FATOS-DO-FUNK-1536x1536.png 1536w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/FATOS-DO-FUNK-2048x2048.png 2048w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/FATOS-DO-FUNK-500x500.png 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>\u201co v\u00eddeo, em sua l\u00f3gica de escritura eletr\u00f4nica, acrescentou \u00e0 experi\u00eancia o potencial cr\u00edtico da linguagem, chamando a aten\u00e7\u00e3o para a dimens\u00e3o temporal-perform\u00e1tica da imagem e do som em movimento, para o seu processamento e para a hibridez das formas no campo da arte\u201d (MELLO, p.26, 2008)<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs \u00faltimas d\u00e9cadas foram acompanhadas por uma crise nas concep\u00e7\u00f5es ontol\u00f3gicas fundamentalistas que significavam as identidades nacionais, bem como as regionais. Nesse sentido, acompanhamos uma perda da import\u00e2ncia das culturas locais \u00e0 medida que tais culturas s\u00e3o reposicionadas diante da globaliza\u00e7\u00e3o, da fragmenta\u00e7\u00e3o, das fronteiras nacionais e do avan\u00e7o dos meios eletr\u00f4nicos de comunica\u00e7\u00e3o\u201d (CARVALHO LOPES comentando Canclini, p.79, 2011)<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, o jogo que estabelecemos \u00e9 o de entendimento do potencial cr\u00edtico do v\u00eddeo como lugar de fissura, e n\u00e3o hegem\u00f4nico, bem como o lugar de uma poss\u00edvel leitura de identidade fora do fundamentalismo, que exclui, estereotipa e diminui. A escrita aqui deixa de ser de um terceiro observador, mas de um part\u00edcipe, protagonista e perif\u00e9rico, que se apropria da linguagem videogr\u00e1fica para se dizer, se contar, se constituir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>QUEST\u00d5ES EM TORNO DE &#8220;FATOS DO FUNK&#8221; (LETRA)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Funk do estilo consciente;<\/li>\n\n\n\n<li>A letra foi escrita com o desejo de lan\u00e7ar um questionamento, bem como de elencar fatos ocorridos que exemplificassem as opress\u00f5es ocorridas por artistas e p\u00fablico do estilo musical.que abordando, assim, a mem\u00f3ria &#8220;recente&#8221; (algo em torno dos \u00faltimos 20 anos) do movimento de forma pol\u00edtica;<\/li>\n\n\n\n<li>A letra se divide em 3 momentos: 1)provoca\u00e7\u00e3o ret\u00f3rica insistente (&#8220;mas o que \u00e9 que o funk tem? Qual \u00e9? O que \u00e9 tem? Me diz o que \u00e9 que tem? Qual \u00e9? O que \u00e9 que tem?&#8221;); 2)mem\u00f3ria de falecimento de MCs e 3)resgate de opress\u00f5es sofridas por funkeiros em S\u00e3o Paulo;<\/li>\n\n\n\n<li>Em oposi\u00e7\u00e3o ao peso do que trata a letra, a m\u00fasica traz um tom &#8220;sonhador&#8221;, com um piano doce, quase uma m\u00fasica de ninar.<\/li>\n\n\n\n<li>Havia uma consci\u00eancia de que a letra ficaria &#8220;datada&#8221;, uma vez que o movimento segue vivo, e portanto, a \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o (e pretens\u00e3o) era de lan\u00e7\u00e1-la o quanto antes a partir de sua grava\u00e7\u00e3o, numa l\u00f3gica em que, ao mesmo tempo; ela n\u00e3o perdesse a validade antes de seu lan\u00e7amento, mas que a partir da\u00ed, se localizasse em um ponto espec\u00edfico da hist\u00f3ria do movimento funk, ou seja: &#8220;fatos do funk&#8221; relata fatos ocorridos apenas entre 13 de julho de 2002, quando da morte de MC Claudinho, at\u00e9 o dia 1\u00ba de janeiro de 2024, realizando assim, um recorte temporal do funk brasileiro j\u00e1 no s\u00e9culo 21.<\/li>\n\n\n\n<li>De alguma forma, dando uma continuidade \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o questionadora de &#8220;Rap do Silva&#8221;, sucesso de Bob Rum e DJ Marlboro, lan\u00e7ado em 1996; um funk com base Volt Mix, que cumpria em sua letra a fun\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do que hoje chamamos de &#8220;funk consciente&#8221;, ressaltada no refr\u00e3o &#8220;Era s\u00f3 mais um Silva\/ que a estrela n\u00e3o brilha\/ ele era funkeiro\/ mas era pai de fam\u00edlia&#8221;, de uma letra que narra o domingo de um homem, que come\u00e7a seu dia de folga se despedindo de sua fam\u00edlia para ir jogar bola, volta para casa, se arruma para o baile, toma animado sua condu\u00e7\u00e3o, e ao saltar do \u00f4nibus em seu destino, \u00e9 morto sem &#8220;qualquer explica\u00e7\u00e3o&#8221; por um desconhecido armado.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Xo3V-f7erXE\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Xo3V-f7erXE\">Clique aqui para ouvir &#8220;Rap do Silva&#8221; no Youtube<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>QUEST\u00d5ES EM TORNO DE &#8220;FATOS DO FUNK&#8221; (V\u00cdDEO)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTal perspectiva de an\u00e1lise tem a capacidade de refletir o seu alto grau de retroalimenta\u00e7\u00e3o entre os mais variados procedimentos e linguagens\u201d (MELLO, p.27, 2008)<\/p>\n\n\n\n<p>Mello ainda, em seu &#8220;Extremidades do V\u00eddeo&#8221; ao citar J\u00falio Plaza e Monica Tavares:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O m\u00e9todo experimental opera com o conhecimento transmitido pelos sentidos. (&#8230;) o que define essa pr\u00e1tica  diz respeito a n\u00e3o existir plano art\u00edstico nem projeto preconcebido. Para tanto eles afirmam:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\">o produto \u00e9 realiza\u00e7\u00e3o direta, concomitante \u00e0 cria\u00e7\u00e3o. A cria\u00e7\u00e3o leva \u00e0 descoberta. Opera-se ludicamente com os meios. \u00c9 um processo que vai da pr\u00e1tica \u00e0 teoria. [&#8230;] A inten\u00e7\u00e3o desse m\u00e9todo n\u00e3o est\u00e1 na obra acabada, mas sim no ato de fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>O que traduz a l\u00f3gica de produ\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo, que n\u00e3o foi roteirizado ou minuciosamente planejado: havia  algumas a\u00e7\u00f5es pensadas pelo artista, que foram vividas e testadas e adaptadas no ato, incluindo o que poderia surgir, bem como descartando o que n\u00e3o funcionava, assim o processo de edi\u00e7\u00e3o come\u00e7ou j\u00e1 no ato da feitura.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/Apresentacao-de-slides-negocios-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-123\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/Apresentacao-de-slides-negocios-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/Apresentacao-de-slides-negocios-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/Apresentacao-de-slides-negocios-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2024\/11\/Apresentacao-de-slides-negocios-1.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O v\u00eddeo capta 3 performances distintas: 1)&#8221;videocl\u00edptica&#8221;\/para a c\u00e2mera (refr\u00e3o); 2) a\u00e7\u00e3o no corpo (que dialoga com a edi\u00e7\u00e3o P&amp;B); 3) de um corpo em embate com a c\u00e2mera\/ que n\u00e3o canta, mas \u00e9 captado em, e encara de volta, em ato de resist\u00eancia<\/li>\n\n\n\n<li>Sentido dial\u00e9tico, no qual h\u00e1 uma tese de linguagem videocl\u00edptica, uma ant\u00edtese corporal (ambas com c\u00e2mera parada), e por fim, uma s\u00edntese, que for\u00e7a o deslocamento da c\u00e2mera, a pondo em movimento, tirando o olhar de um enquadramento confinado, para um movimento que busca amplitude (o c\u00e9u, tomado por fios).<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>CONTAMINA\u00c7\u00d5ES ENTRE M\u00daSICA E V\u00cdDEO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Emba\u00e7ado&#8221; \u00e9 o nome do \u00e1lbum que cont\u00e9m essa m\u00fasica. \u00c9 importante, no entanto, entender o que significa &#8220;emba\u00e7ado&#8221;: No dicion\u00e1rio encontramos os seguintes significados para a palavra:<\/p>\n\n\n\n<p>1.que se emba\u00e7ou; sem brilho, embaciado.<\/p>\n\n\n\n<p>2.sem cor, p\u00e1lido de susto ou medo. <\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m desses significados, na g\u00edria, ainda encontramos duas outra acep\u00e7\u00f5es para o termo, sendo a primeira, o sentido de dificuldade, complexidade ou mesmo inviabilidade de uma situa\u00e7\u00e3o: <\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;e aquele rol\u00ea l\u00e1, vai desenrolar?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Vai n\u00e3o mano, t\u00e1 emba\u00e7ado&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro sentido, \u00e9 o uso da palavra &#8220;emba\u00e7ado&#8221; como adjetivo, usado para designar algu\u00e9m muito bom naquilo que faz:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Truta, n\u00e3o desafia ele, que no 1&#215;1 ele \u00e9 emba\u00e7ado!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a inscri\u00e7\u00e3o da palavra &#8220;emba\u00e7ado&#8221; assume m\u00faltiplos sentidos dentro do contexto de encerramento do v\u00eddeo como parte, e do \u00e1lbum musical como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Camadas que se contaminam com o ru\u00eddo branco, presente, tanto no v\u00eddeo, quanto na m\u00fasica, quanto em um filtro de imagem ap\u00f3s o an\u00fancio de um suporto t\u00e9rmino abrupto de jornada anunciado por uma voz de GPS: nesse momento Macna \u00e9 por seu suporte e est\u00e1 s\u00f3, seja num sentido de abandono, seja num sentido de autonomia conquistada.<\/p>\n\n\n\n<p>O ciclo, no entanto, pode ser invertido se o \u00e1lbum come\u00e7ar a ser ouvido por &#8220;Fatos do Funk&#8221;, deslocando a ordem em uma m\u00fasica e seguindo a  audi\u00e7\u00e3o normal a partir da\u00ed*, dando um sentido de abandono e retomada.<\/p>\n\n\n\n<p>*Na seguinte ordem: 10, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>D\u2019ANDREA, Tiaraju Pablo. <strong>A forma\u00e7\u00e3o das sujeitas e dos sujeitos perif\u00e9ricos: cultura e pol\u00edtica na periferia de S\u00e3o Paulo. <\/strong>S\u00e3o Paulo: Editora Dandara, 2022.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>LOPES, Adriana Carvalho. <strong>Funk-se quem quiser: no batid\u00e3o negro da cidade carioca. <\/strong>Rio de Janeiro: Bom Texto, Faperj, 2011.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>MELLO, Christine (org.). <strong>Extremidades<\/strong>: experimentos cr\u00edticos \u2013 redes audiovisuais, cinema, performance e arte contempor\u00e2nea. S\u00e3o Paulo: Esta\u00e7\u00e3o das Letras e Cores, 2017.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>SOUZA, Thiago de. <strong>Tudo o que voc\u00ea sempre quis saber sobre Funk&#8230; mas tinha medo de perguntar. <\/strong>S\u00e3o Paulo: Tipografia Musical, 2023.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>VIANNA, Hermano. <strong>O mundo funk carioca. <\/strong>Rio de Janeiro:<strong> <\/strong>Jorge Zahar, 1997.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LOCALIZANDO O OBJETO Clique aqui para assistir ao v\u00eddeo de &#8220;Fatos do Funk&#8221; SOBRE C\u00d3DIGOS O funk, em suas letras e em seus jarg\u00f5es, que se constitui majoritariamente de g\u00edria perif\u00e9rica, se mostra pouco ou nada cifrado para aquele que participa e vive essa cultura (ou seja, quem est\u00e1 de dentro do c\u00edrculo). Entretanto, o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-121","post","type-post","status-publish","hentry","category-pesquisa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=121"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":137,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121\/revisions\/137"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=121"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=121"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/lindolforobertonascimento\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=121"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}