{"id":1751,"date":"2025-08-14T13:45:27","date_gmt":"2025-08-14T16:45:27","guid":{"rendered":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/?p=1751"},"modified":"2025-08-14T14:43:54","modified_gmt":"2025-08-14T17:43:54","slug":"nas-extremidades-do-peabiru-caminhos-ancestrais-em-cristiana-miranda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/2025\/08\/14\/nas-extremidades-do-peabiru-caminhos-ancestrais-em-cristiana-miranda\/","title":{"rendered":"Nas extremidades do Peabiru: caminhos ancestrais em Cristiana Miranda"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\">Christine Mello<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>PPGARTES &#8211; UERJ<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Linha de Pesquisa Arte, imagem e escrita<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>PPGCOS \u2013 PUC-SP<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Linha de Pesquisa Regimes de sentido nos processos comunicacionais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Christine Mello P\u00f3s-Doutorado | 2025-2026 Supervis\u00e3o de Sheila Cabo Geraldo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pesquisa<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nas extremidades do Peabiru: caminhos ancestrais em Cristiana Miranda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir da <em>abordagem das extremidades <\/em>(Mello, 2004-2025), a pesquisa objetiva a an\u00e1lise da pr\u00e1tica art\u00edstica <em>Os passos semeiam os caminhos <\/em>de Cristiana Miranda (Rio de Janeiro, 1966), que tem como prop\u00f3sito revisitar os Caminhos do Peabiru (rota ancestral-transcontinental ind\u00edgena), no trecho situado na cidade de S\u00e3o Paulo, com o objetivo de apresentar simultaneamente, em 2027, tanto interven\u00e7\u00f5es na Mata Atl\u00e2ntica quanto urbanas, articuladas por meio da performance, da sonoridade, do cinema experimental (16mm), de <em>site-specific <\/em>e do <em>videomapping<\/em>, com desdobramentos em uma videoinstala\u00e7\u00e3o, assim como uma publica\u00e7\u00e3o sob a forma de livro de artista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Suposi\u00e7\u00e3o inicial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>:<\/em><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A observa\u00e7\u00e3o dos procedimentos investigativos da videoinstala\u00e7\u00e3o <\/em>Os passos semeiam o caminho<em>, de Cristiana Miranda (Rio de Janeiro, 1966), permite perceber n\u00e3o apenas seus prop\u00f3sitos \u00e9tico-po\u00e9tico- est\u00e9tico-pol\u00edticos (Jacques Ranci\u00e8re, A partilha do sens\u00edvel, 2005), que problematizam a viol\u00eancia colonial e seus impactos na atualidade, mas tamb\u00e9m observar certos modos &#8211; nas extremidades &#8211; como as tecnologias de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o da imagem s\u00e3o colocadas em crise. A artista investiga as antigas trilhas ind\u00edgenas existentes na Serra do Mar, em especial, as localizadas na cidade de S\u00e3o Paulo, constru\u00eddas antes mesmo da invas\u00e3o dos europeus. Por meio de caminhada e de experi\u00eancia audiovisual expandida, busca recuperar os corpos, as presen\u00e7as e as hist\u00f3rias n\u00e3o apenas das na\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, mas tamb\u00e9m dos in\u00fameros quilombos que com elas viviam em colabora\u00e7\u00e3o durante o per\u00edodo colonial e imperial, reconectando- os, com tal gesto, ao tempo presente. Tendo como ponto de partida a Abordagem das extremidades como instrumental de an\u00e1lise, a pergunta que se coloca \u00e9: como os procedimentos conceituais de desconstru\u00e7\u00e3o, contamina\u00e7\u00e3o e compartilhamento tensionam a investiga\u00e7\u00e3o po\u00e9tica e de que modo deslocam nossas aten\u00e7\u00f5es para outros modos de se pensar as tecnologias de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o da imagem?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>O presente estudo busca abordar o problema da viol\u00eancia colonial e seus impactos na atualidade a partir da observa\u00e7\u00e3o da imagem em crise por meio dos procedimentos investigativos da pr\u00e1tica art\u00edstica <em>Os passos semeiam o caminho <\/em>de Cristiana Miranda<a href=\"#_bookmark0\">1<\/a>&nbsp;[Rio de Janeiro, 1966] como parte de um conjunto de opera\u00e7\u00f5es relacionadas ao seu processo \u00e9tico-po\u00e9tico-art\u00edstico, que culminam com a apresenta\u00e7\u00e3o da obra em 2027.<\/p>\n\n\n\n<p>Desenvolvidos pela artista desde 2024, tais procedimentos combinam experimenta\u00e7\u00e3o e pesquisa cr\u00edtica baseados em resid\u00eancia art\u00edstica na regi\u00e3o da Serra do Mar, pesquisa hist\u00f3rica de arquivo; pesquisa t\u00e9cnica de captura e processamento de imagem f\u00edlmica; experi\u00eancia performativa de caminhada em antigas trilhas ind\u00edgenas; captura de imagens, sons e res\u00edduos durante as caminhadas; experimentos de <em>site-specific <\/em>e de <em>videomapping <\/em>na regi\u00e3o central da cidade de S\u00e3o Paulo, levantamento e an\u00e1lise das condi\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas de como dever\u00e1 ser projetado o ambiente instalativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes procedimentos s\u00e3o relevantes na constitui\u00e7\u00e3o de percep\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia das camadas de ancestralidade que destacam a Mata Atl\u00e2ntica como monumento apagado, invis\u00edvel, de muitas culturas que nela tiveram exist\u00eancia. Neste contexto, o interesse pela captura de imagens, sons e res\u00edduos nos territ\u00f3rios da floresta reside menos na documenta\u00e7\u00e3o audiovisual das caminhadas e mais na incorpora\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplas temporalidades a serem agenciadas na interven\u00e7\u00e3o urbana, no <em>site- specific<\/em>, no videomapping e na videoinstala\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema da imagem em crise se estabelece, desse modo, na preval\u00eancia dos regimes de presen\u00e7a de tais procedimentos em detrimento dos seus regimes de representa\u00e7\u00e3o. A imagem \u00e9 institu\u00edda, assim, nas rupturas com os seus planos de visualidade e sonoridade, se tornando relevantes por meio da performance da artista na floresta, como estrat\u00e9gia de apresentar mais o que presentificam do que mostrar o que representam.<\/p>\n\n\n\n<p>Para analisar tais quest\u00f5es, destacaremos conceitos relacionados a tais procedimentos investigativos, no caso, a desconstru\u00e7\u00e3o, a contamina\u00e7\u00e3o e o compartilhamento operat\u00f3rios (pertinentes \u00e0 Abordagem das extremidades), com o objetivo de refletirmos certos modos como as tecnologias de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o da imagem se expressam em crise, nesta obra, em especial, por meio das interrela\u00e7\u00f5es entre a performance o audiovisual expandido e a arte contempor\u00e2nea. Antes disso, por\u00e9m, apresentaremos, logo abaixo, a artista e suas pr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>NOTA: <sup>1<\/sup> Uma amostragem dos trabalhos da artista pode ser vista em seu canal do Vimeo: <a href=\"https:\/\/vimeo.com\/crismiranda\">https:\/\/vimeo.com\/crismiranda<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; 2. <strong>Cristiana Miranda e suas pr\u00e1ticas art\u00edsticas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde 1992, Cristiana Miranda participa de exposi\u00e7\u00f5es individuais e coletivas de arte contempor\u00e2nea \u2013 trazendo as linguagens da fotografia e da videoinstala\u00e7\u00e3o \u2013, assim como de mostras, festivais de cinema e performances de cinema expandido, tendo apresentado seus trabalhos em cidades como Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Tiradentes, Buenos Aires, Montevid\u00e9u, Cidade do M\u00e9xico, S\u00e3o Francisco, Melbourne, Moscou, Utrecht, Toulouse e Paris. Em 2017, a artista realizou uma retrospectiva de seus filmes na Cinemateca do MAM Rio. Em<\/p>\n\n\n\n<p>2022 (no Pa\u00e7o Imperial, Rio de Janeiro) e 2023 (no Centro Cultural S\u00e3o Paulo), foi uma das artistas participantes da exposi\u00e7\u00e3o coletiva <em>Espa\u00e7os do ainda<\/em>, com curadoria de Luiz Cl\u00e1udio da Costa. \u00c9 curadora respons\u00e1vel pela mostra anual Dobra \u2013 Festival Internacional de Cinema Experimental (Rio de Janeiro) e restauradora de cinema na Cinemateca do MAM Rio. Tem doutorado em artes pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Artes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (PPGartes\/UERJ) e, em 2025, iniciou p\u00f3s-doutorado no Programa de Estudos P\u00f3s-Graduados em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (COS\/PUC-SP). Atualmente, \u00e9 professora de cinema das Faculdades Integradas H\u00e9lio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"756\" height=\"504\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/08\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1752\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/08\/image.png 756w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/08\/image-300x200.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 756px) 100vw, 756px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">FIGURA 1: Exposi\u00e7\u00e3o <em>Espa\u00e7os do ainda<\/em>, CCSP, curadoria de Luiz Claudio da Costa, S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p><br> Os procedimentos investigativos da sua videoinstala\u00e7\u00e3o <em>Os passos semeiam o caminho<\/em>, obra em estado inacabado, em desenvolvimento, s\u00e3o analisados com o objetivo de observar certos modos como, nela, as tecnologias de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o da imagem e do som s\u00e3o colocadas em crise. Trata-se de contextualizar uma esfera de experimenta\u00e7\u00e3o, em que h\u00e1 a consci\u00eancia de que os modos hegem\u00f4nicos relacionados a tais tecnologias perdem a pot\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o, a experi\u00eancia de encontro, a condi\u00e7\u00e3o de fazer vibrar a linguagem. Com isso, diante das imagens e sons contra- hegem\u00f4nicos, \u00e9 necess\u00e1rio, na pr\u00e1tica art\u00edstica, a retomada de procedimentos investigativos, como estrat\u00e9gia de ressignifica\u00e7\u00e3o, voltados ao encontro de outras formas de perceber e experimentar territ\u00f3rios e temporalidades presentes na Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua fase atual de experimenta\u00e7\u00e3o, Cristiana Miranda realiza resid\u00eancia art\u00edstica e investiga as antigas trilhas ind\u00edgenas existentes na Serra do Mar, constru\u00eddas antes mesmo da invas\u00e3o dos europeus. A partir da caminhada nessas trilhas, ela gera tecnologias muito singulares de captura de imagem e som, com o desejo de os colocar em circula\u00e7\u00e3o por meio da performance, de experi\u00eancia audiovisual expandida, para as pr\u00e1ticas com interven\u00e7\u00e3o urbana, <em>site-specific <\/em>e <em>videomapping<\/em>, assim como na arquitetura pensada para o espa\u00e7o instalativo, para a videoinstala\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora relevante em todo o processo de caminhada nas antigas trilhas ind\u00edgenas, a captura das imagens e sons situa-se como lugar de contato entre realidades diferentes, como produ\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7a e heterog\u00eanese, em especial no que se refere ao contato das imagens das ru\u00ednas da floresta e dos saberes ancestrais dos povos origin\u00e1rios e das comunidades quilombolas com o corpo da artista e com a experi\u00eancia corp\u00f3rea tanto no contexto urbano quanto no contexto dos visitantes da videoinstala\u00e7\u00e3o. Com as passadas nas trilhas, h\u00e1 o contato ao longo do caminho com imagens e sonoridades pr\u00f3prias ao corpo da artista em deslocamento e ao corpo da floresta. Desse modo, sua captura revela-se menos estrat\u00e9gia de dom\u00ednio imag\u00e9tico em torno de tais trilhas e mais de estranhamento e afec\u00e7\u00e3o, apresentando-se como procedimento investigativo acerca do corpo e da abordagem do outro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"764\" height=\"429\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/08\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1753\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/08\/image-1.png 764w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/08\/image-1-300x168.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 764px) 100vw, 764px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">FIGURA 2: Caminho de Peabiru. Serra do Mar, Mata Atl\u00e2ntica. Foto Gessiane Pereira.<\/p>\n\n\n\n<p>Com \u00eanfase em sua perspectiva processual, o presente estudo busca refletir qualidades e conceitos referentes aos procedimentos investigativos da videoinstala\u00e7\u00e3o <em>Os passos semeiam o caminho <\/em>que dizem respeito tanto \u00e0 diversidade de vozes no processo criativo quanto \u00e0s estrat\u00e9gias de produ\u00e7\u00e3o de linguagens, inter-relacionando-as aos campos da performance, do cinema experimental, da interven\u00e7\u00e3o urbana, do <em>site-specific<\/em>, do audiovisual expandido e da arte contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>A pergunta que se coloca \u00e9: como os procedimentos conceituais de desconstru\u00e7\u00e3o, contamina\u00e7\u00e3o e compartilhamento tensionam a investiga\u00e7\u00e3o po\u00e9tica de Cristiana Miranda por meio de outros modos de se pensar as tecnologias de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o da imagem na atualidade?<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p> -3. <strong>Procedimentos<\/strong><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp; investigativos&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; em&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cristiana&nbsp;&nbsp;&nbsp; Miranda:&nbsp;&nbsp;&nbsp; rela\u00e7\u00f5es&nbsp;&nbsp;&nbsp; intersubjetivas&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; e agenciamentos da hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O conceito e a experi\u00eancia da intersubjetividade indicam dimens\u00f5es de alteridade que nunca ocupam de forma pura e exclusiva o campo das experi\u00eancias humanas (COELHO JUNIOR; FIGUEIREDO, 2004, p. 9). Uma das principais caracter\u00edsticas dos povos origin\u00e1rios e afrobrasileiros \u00e9 estabelecer rela\u00e7\u00f5es intersubjetivas n\u00e3o apenas entre seres humanos, mas tamb\u00e9m entre animais, \u00e1rvores, florestas, montanhas, pedras, doen\u00e7as (PAV\u00d3N-CU\u00c9LLAR, 2022, p. 65) e at\u00e9 mesmo esp\u00edritos. Tais rela\u00e7\u00f5es entre sujeitos refere-se a n\u00e3o se relacionar com eles de modo a objetific\u00e1-los, n\u00e3o os tornar passivos, pensados ou sentidos, mas consider\u00e1-los ativos, pensantes e sencientes.<\/p>\n\n\n\n<p>A tem\u00e1tica da intersubjetividade junto aos procedimentos investigativos de Cristiana Miranda \u00e9 aqui observada tomando as trilhas ind\u00edgenas e quilombolas da regi\u00e3o da Serra do Mar em seus modos singulares de produ\u00e7\u00e3o de intersubjetividade, em suas a\u00e7\u00f5es lim\u00edtrofes entre \u201clinguagens e mundos\u201d, em suas realidades em conflito e, em especial, nos modos como a artista as tensiona, a partir dos agenciamentos da hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Miranda, <em>Os passos semeiam o caminho <\/em>\u00e9 uma pr\u00e1tica, em processo de desenvolvimento, que traz consigo estrat\u00e9gias criativas nas quais quest\u00f5es de mem\u00f3ria e territ\u00f3rio, tal como s\u00e3o complexificadas na sociedade contempor\u00e2nea, s\u00e3o trabalhadas de forma m\u00faltipla e diversa atrav\u00e9s de imagens e sons que performam uma experi\u00eancia de (des)constru\u00e7\u00e3o de mundos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua concep\u00e7\u00e3o, agenciar a hist\u00f3ria \u00e9 um ato que orienta a busca pela reformula\u00e7\u00e3o po\u00e9tica do arquivo colonial ao qual estamos submetidos. A mem\u00f3ria nos reconecta com o territ\u00f3rio, e a arte ativa esse encontro, estabelecendo ressignifica\u00e7\u00f5es e pontes de acesso \u00e0s hist\u00f3rias que nos constituem.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o trabalho investigativo volta-se para uma experi\u00eancia de territ\u00f3rio que localiza sua pesquisa nas florestas que ainda recobrem as \u00e1reas em torno de grandes cidades. Para Miranda, as montanhas cobertas pela Mata Atl\u00e2ntica do Sudeste brasileiro trazem em suas paisagens tra\u00e7os de acontecimentos hist\u00f3ricos que marcam o ambiente cultural. Em sua proposta po\u00e9tica, a exist\u00eancia de populosas aldeias ind\u00edgenas antes da invas\u00e3o dos europeus, as guerras entre portugueses e as na\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas aqui existentes, as intersubjetividades entre n\u00e3o-humanos assim como os in\u00fameros quilombos que viviam em colabora\u00e7\u00e3o com os ind\u00edgenas durante o per\u00edodo colonial e imperial s\u00e3o hist\u00f3rias que continuam presentes em nosso territ\u00f3rio imagin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de tal estatuto de intersubjetividade, relaciona ao trabalho art\u00edstico a presen\u00e7a de comunidades humanas e n\u00e3o humanas nas serras que circundam grandes cidades como S\u00e3o Paulo, que impactam, ainda hoje, os tra\u00e7ados, caminhos e estradas constitu\u00eddos ao longo de s\u00e9culos, por onde se davam intera\u00e7\u00f5es entre diferentes povos, animais, \u00e1rvores, montanhas e esp\u00edritos no interior da natureza exuberante da floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a pr\u00e1tica art\u00edstica <em>Os passos semeiam o caminho<\/em>, recuperar as viv\u00eancias nos territ\u00f3rios da Mata Atl\u00e2ntica, nos per\u00edodos anteriores \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o e nos seus prim\u00f3rdios, traz uma abertura para outros regimes de presen\u00e7a e coletividade, assim como outras formas de agenciamento com os ambientes naturais, revelando, com isso, uma <em>outra <\/em>hist\u00f3ria. Desse modo, em seus atos \u00e9tico-est\u00e9tico- po\u00e9ticos, as imagens e sons desconstru\u00eddos que se presentificam na pr\u00e1tica art\u00edstica de Miranda buscam agenciar outras formas de experi\u00eancia e outros modos de contato imag\u00e9tico com a hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A necessidade de recuperar o pertencimento ao territ\u00f3rio que habitamos \u00e9 o que motiva a investiga\u00e7\u00e3o de Cristiana Miranda das antigas trilhas tra\u00e7adas pelos povos origin\u00e1rios e comunidades quilombolas ainda existentes. Dentro dessa investiga\u00e7\u00e3o art\u00edstica, a ideia de territ\u00f3rio n\u00e3o inclui apenas o local de morada, mas tamb\u00e9m os percursos, os caminhos percorridos ao longo de s\u00e9culos no solo brasileiro. Motivada pelo ato de caminhar como procedimento de desconstru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, a artista busca, em sua proposta po\u00e9tica, problematizar lugares como esse \u2013 considerados hoje em decl\u00ednio, que foram apagados da hist\u00f3ria e silenciados por quest\u00f5es relacionadas \u00e0 viol\u00eancia do patriarcado, da colonialidade e do racismo \u2013, tendo como princ\u00edpio uma pol\u00edtica do afeto e da experimenta\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplas temporalidades e intersubjetividades.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"455\" height=\"910\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/08\/image-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1754\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/08\/image-2.png 455w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/08\/image-2-150x300.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 455px) 100vw, 455px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">FIGURA 3: Santana das Palmeiras na Estrada do Com\u00e9rcio, Nova Igua\u00e7u, Rio<br>de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Com essa proposta conceitual-po\u00e9tica, com a pesquisa das antigas trilhas existentes nas florestas da Mata Atl\u00e2ntica que cobrem a Serra do Mar localizadas no Sudeste brasileiro, Cristiana Miranda ressignifica a hist\u00f3ria no presente. Se pelas montanhas da Serra do Mar existem hist\u00f3rias de cidades abandonadas, batalhas de quilombos, antigas trilhas ind\u00edgenas e povos origin\u00e1rios que tra\u00e7aram sua resist\u00eancia nos territ\u00f3rios long\u00ednquos da floresta, Miranda busca restituir experi\u00eancia subjetiva, linguagem e vida a esses lugares por meio de sua pr\u00e1tica art\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas desconstru\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria, os procedimentos investigativos de Cristiana Miranda revelam que os tra\u00e7ados dos caminhos atrav\u00e9s dos quais os povos origin\u00e1rios e as comunidades quilombolas interagiam entre si e com o outro ao longo do continente ainda permanecem presentes nas rotas do mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao percorrer as antigas trilhas existentes no territ\u00f3rio da Mata Atl\u00e2ntica antes da invas\u00e3o colonial e nos seus prim\u00f3rdios, Cristiana Miranda deixa ver que os povos origin\u00e1rios \u201clogo entenderam que tinham que se conter e se sacrificar para manter vivo tudo a seu redor\u201d (PAV\u00d3N-CU\u00c9LLAR, 2022, p. 70-71). Isso diz respeito n\u00e3o apenas a seus rituais e a sua rela\u00e7\u00e3o respeitosa com o entorno, mas tamb\u00e9m a sua rela\u00e7\u00e3o intersubjetiva, rec\u00edproca e dial\u00f3gica com a floresta. Entre linguagens e mundos desconstru\u00eddos, \u00e9 poss\u00edvel encontrar, dessa forma, outro tipo de respostas advindas das pr\u00e1ticas art\u00edsticas para a ressignifica\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>-4. <strong>Procedimentos investigativos: experimenta\u00e7\u00e3o material<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para Luiz Cl\u00e1udio da Costa, a experi\u00eancia \u201cd\u00e1 consist\u00eancia e sentido \u00e0s coisas, aos gestos, \u00e0 fala. A express\u00e3o art\u00edstica seleciona e interroga (nem sempre de forma consciente) uma parcela desse mundo material-sens\u00edvel\u201d (COSTA, 2019, p. 61). No entanto, para ele:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">\u00c9 na experimenta\u00e7\u00e3o que se elabora esse material, apura-se a possibilidade do sentido das formas e imagens, estabelecem-se semelhan\u00e7as, promovem- se distanciamentos, articula-se a presen\u00e7a \u00e0 aus\u00eancia. Com a experimenta\u00e7\u00e3o, o artista avalia a abertura de seus gestos e objetos, de suas palavras e imagens. (COSTA, 2019, p. 61)<\/p>\n\n\n\n<p>A tem\u00e1tica da experimenta\u00e7\u00e3o material junto \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Cristiana Miranda \u00e9 aqui observada tomando como princ\u00edpio a contamina\u00e7\u00e3o entre linguagens. Nessa dire\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante observar esse procedimento conceitual-po\u00e9tico como um tipo de a\u00e7\u00e3o est\u00e9tica descentralizada em que a pot\u00eancia das linguagens tem lugar a partir da amplia\u00e7\u00e3o das formas de contato entre linguagens diferentes. Para tanto, a videoinstala\u00e7\u00e3o <em>Os passos semeiam o caminho <\/em>prop\u00f5e a imagem como ato de uma mem\u00f3ria vivida em camadas contaminadas entre si, a partir de estratos e fendas entre diferentes temporalidades, comunidades e linguagens.<\/p>\n\n\n\n<p>Na concep\u00e7\u00e3o de Cristiana Miranda, a <em>est\u00e9tica do contato <\/em>baseia-se em uma pr\u00e1tica f\u00edlmica que usa a tecnologia anal\u00f3gica para encontrar novos pontos de conex\u00e3o entre cinema e conceitos pol\u00edticos, buscando uma liberta\u00e7\u00e3o das antigas formas de ver e experimentar o mundo. Nessa pr\u00e1tica de cria\u00e7\u00e3o audiovisual, o filme \u00e9 utilizado como uma ferramenta art\u00edstica capaz de comunicar, por meio de m\u00faltiplas materialidades, corpo e terra, humano e n\u00e3o humano.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"488\" height=\"268\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/06\/image-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1713\" style=\"width:525px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/06\/image-3.png 488w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/06\/image-3-300x165.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 488px) 100vw, 488px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>FIGURA 4: Processo de impress\u00e3o bot\u00e2nica por contato em pel\u00edcula 16 mm, de Cristiana Miranda<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o pensamento art\u00edstico de Cristiana Miranda, tal procedimento se op\u00f5e, portanto, ao ilusionismo do cinema narrativo hegem\u00f4nico. Para ela, na <em>est\u00e9tica do contato<\/em>, ao contr\u00e1rio, o filme \u00e9 utilizado como superf\u00edcie, mais do que como janela transparente, e as pr\u00e1ticas de impress\u00e3o da imagem n\u00e3o se fazem unicamente atrav\u00e9s da c\u00e2mera de filmar. Nesse tipo de est\u00e9tica f\u00edlmica presente em sua investiga\u00e7\u00e3o, as imagens geradas pela impress\u00e3o direta de elementos sobre a emuls\u00e3o fotossens\u00edvel subvertem o aspecto mim\u00e9tico da representa\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica ao dispensar a primazia da c\u00e2mera e criar impress\u00f5es, mais do que representa\u00e7\u00f5es em perspectiva (KNOWLES, 2022, p. 64-66).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>-5. <strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como um tipo de pr\u00e1tica art\u00edstica comprometida com a vida e seu entorno, organizada sobre as quest\u00f5es da intersubjetividade, da hist\u00f3ria e da experimenta\u00e7\u00e3o material, em seus procedimentos investigativos, que inter-relacionam o campo da performance, do cinema experimental e do audiovisual expandido \u00e0 arte contempor\u00e2nea, a an\u00e1lise do processo investigativo da interven\u00e7\u00e3o urbana- videoinstala\u00e7\u00e3o <em>Os passos semeiam o caminho <\/em>traz, como consequ\u00eancia, uma cr\u00edtica \u00e0 primazia da vis\u00e3o e da audi\u00e7\u00e3o nos processos de conhecimento e experi\u00eancia est\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>A presente pesquisa em torno \u00e0 pr\u00e1tica art\u00edstica de Cristiana Miranda tra\u00e7a, desse modo, procedimentos conceituais-po\u00e9ticos nas extremidades que situam a imagem em crise por meio tanto da expans\u00e3o de ecologias midi\u00e1ticas quanto do corpo em performance, em presen\u00e7a. \u00c9 movida pela compreens\u00e3o de que a urg\u00eancia n\u00e3o \u00e9 ver ou ouvir melhor ou mais claramente, mas sim, produzir passos, como pontos de tens\u00e3o, em sua pot\u00eancia de linguagem e de gera\u00e7\u00e3o de outros mundosposs\u00edveis, que semeiem o caminho de forma diferente, de um outro lugar, com mais consci\u00eancia do processo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>COELHO JUNIOR, Nelson Ernesto; FIGUEIREDO, Luiz Cl\u00e1udio. Figuras da intersubjetividade na constitui\u00e7\u00e3o subjetiva: dimens\u00f5es da alteridade. <strong>Intera\u00e7\u00f5es<\/strong>, Universidade S\u00e3o Marcos, S\u00e3o Paulo, vol. 1, n. 17, p. 9-23, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>COSTA, Luiz Cl\u00e1udio da. A singularidade da pesquisa em artes na universidade. <em>In<\/em>: CASTRO, Maur\u00edcio Barros de (org.). <strong>Arte e cultura: ensaios<\/strong>. Rio de Janeiro: Cobog\u00f3, 2019, p. 57-63.<\/p>\n\n\n\n<p>DEAN, Warren. <strong>A ferro e fogo: a hist\u00f3ria e a devasta\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica brasileira<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1996.<\/p>\n\n\n\n<p>KNOWLES, Kim. Esth\u00e9tique du contact dans la pratique contemporaine du film photochimique. <em>In<\/em>: DELLA NOCE, Elio; MURARI, Lucas (orgs.). <strong>Expanded nature ecologies du cin\u00e9ma experimental<\/strong>. Paris: Light Cone Editions, 2022, p. 64-66.<\/p>\n\n\n\n<p>PAV\u00d3N-CU\u00c9LLAR, David. <strong>Al\u00e9m da psicologia ind\u00edgena: concep\u00e7\u00f5es mesoamericanas da subjetividade<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>RANCI\u00c8RE, Jacques. <strong>A partilha do sens\u00edvel: est\u00e9tica e pol\u00edtica<\/strong>. S\u00e3o Paulo: EXO experimental org.<\/p>\n\n\n\n<p>\/ Editora 34, 2005. VIMEO. Canal Vimeo crismiranda. @crismiranda. [s.l.], [2014]. Dispon\u00edvel em: https:\/\/vimeo.com\/crismiranda. Acesso em: 17 jul. 2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Christine Mello PPGARTES &#8211; UERJ Linha de Pesquisa Arte, imagem e escrita PPGCOS \u2013 PUC-SP Linha de Pesquisa Regimes de sentido nos processos comunicacionais Christine Mello P\u00f3s-Doutorado | 2025-2026 Supervis\u00e3o de Sheila Cabo Geraldo Pesquisa Nas extremidades do Peabiru: caminhos ancestrais em Cristiana Miranda A partir da abordagem das extremidades (Mello, 2004-2025), a pesquisa objetiva [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[17,18,19,20,21,25,26],"class_list":["post-1751","post","type-post","status-publish","hentry","category-pesquisa","tag-midia","tag-politica","tag-imagens","tag-redes-sociais","tag-audiovisual","tag-fim-do-mundo","tag-regimes-etico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1751","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1751"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1751\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1759,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1751\/revisions\/1759"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1751"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1751"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1751"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}