{"id":1675,"date":"2024-11-22T15:23:43","date_gmt":"2024-11-22T18:23:43","guid":{"rendered":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/?p=1675"},"modified":"2024-11-22T15:35:02","modified_gmt":"2024-11-22T18:35:02","slug":"por-outras-imagens-do-mundo-arte-midia-e-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/2024\/11\/22\/por-outras-imagens-do-mundo-arte-midia-e-politica\/","title":{"rendered":"Por outras imagens do mundo: arte, m\u00eddia e pol\u00edtica\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\"><strong>Christine Mello<\/strong> (PUC-SP\/UERJ)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\">Novembro, 2024<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\">O presente estudo \u00e9 parte integrante de uma investiga\u00e7\u00e3o maior, desenvolvida a partir da Bolsa PAPD (2022-2024) concedida pela Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas\/FAPERJ, sob a forma de interc\u00e2mbio interinstitucional entre a Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo\/PUC-SP, em seu Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica (Linha de Pesquisa Regimes de sentido nos processos comunicacionais) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro\/UERJ, em seu Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Artes\/PPGArtes (Linha de Pesquisa Arte, imagem e escrita), sob a forma de P\u00f3s-Doutorado, com supervis\u00e3o de Sheila Cabo Geraldo, a quem agrade\u00e7o em conjunto a Luiz Claudio da Costa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     Em um contexto hist\u00f3rico da globaliza\u00e7\u00e3o relacionado \u00e0s dimens\u00f5es de fim do mundo, ao Antropoceno e \u00e0 crise da sustentabilidade e da biodiversidade, como pensa o l\u00edder ind\u00edgena, fil\u00f3sofo e ambientalista Ailton Krenak [1953] em seu livro <em>Ideias para adiar o fim do mundo <\/em>(2019), assim como em um cen\u00e1rio que permite \u00e0 fil\u00f3sofa D\u00e9borah Danowski [1978] e ao antrop\u00f3logo Eduardo Viveiros de Castro [1951] lan\u00e7arem a quest\u00e3o \u201cH\u00e1 mundo por vir?\u201d (Danowski e Viveiros de Castro, 2017), encontramos um estado de crise, um alarme.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     A partir do signo das extremidades, que pr\u00e1tica da cr\u00edtica \u00e9 poss\u00edvel constituirmos diante de tal plano de realidade cotidiana? Diante desta condi\u00e7\u00e3o, observamos que signo das extremidades se faz presente no cotidiano concreto, n\u00e3o podendo ser considerado, portanto, um estado de exce\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     Em tempos extremos, a <strong><em>abordagem das extremidades<\/em><\/strong>, por mim desenvolvida desde 2004, compreende um instrumental de leitura de obras art\u00edstico-midi\u00e1ticas. Trata-se de atividade cr\u00edtica decorrente da an\u00e1lise de processos culturais, art\u00edsticos e midi\u00e1ticos bem como das rela\u00e7\u00f5es estabelecidas entre eles, dando \u00eanfase \u00e0 produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, n\u00e3o normativa, de \u00edndole experimental.&nbsp;<span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559740&quot;:360}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     Em uma era associada a cont\u00ednuos deslocamentos, \u00e0 decomposi\u00e7\u00e3o e \u00e0 incerteza, a escrita da cr\u00edtica \u00e9 ativada por esse instrumental de leitura como&nbsp;experimento, na tentativa de produzir situa\u00e7\u00f5es de risco no que diz respeito a leituras de trabalhos em tr\u00e2nsito, lim\u00edtrofes e inst\u00e1veis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">      N\u00e3o se trata de abordar a no\u00e7\u00e3o de extremidades a partir do ide\u00e1rio do apocalipse b\u00edblico, mas de compreender que, em nossa condi\u00e7\u00e3o atual, analisar pr\u00e1ticas que em seu estatuto \u00e9tico-est\u00e9tico-po\u00e9tico procurem falar de outros mundos poss\u00edveis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     Nesse \u00e2mbito, imaginar mundos, pensar no porvir, no futuro, exige a revis\u00e3o dos modos de exist\u00eancia. Significa, portanto, como analisa Bruno Latour na apresenta\u00e7\u00e3o do livro de Danowski e Viveiros de Castro (2017, n.p), um ponto de virada, o \u00fanico poss\u00edvel, pelo qual \u00e9 poss\u00edvel come\u00e7ar, a saber, pelo fim. Sob uma perspectiva lim\u00edtrofe como essa, notamos que os discursos com as \u201c<em>extremidades do fim do mundo<\/em>\u201d, com os \u201cextremo dos mundos\u201d, implicam n\u00e3o apenas o reconhecimento da mudan\u00e7a de mundos, mas a instaura\u00e7\u00e3o da ideia de uma outra humanidade, de outros sistemas de organiza\u00e7\u00e3o de mundos baseados na diversidade, na mudan\u00e7a dos saberes e dos modos de agir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     Com o objetivo de contribuir para o debate sobre o estado da cr\u00edtica relacionado \u00e0s intersec\u00e7\u00f5es entre arte e pr\u00e1ticas midi\u00e1ticas, a abordagem das extremidades introduz, dessa forma, poss\u00edveis modos de leitura cr\u00edtica na contemporaneidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     Observa, para tanto, a\u00e7\u00f5es lim\u00edtrofes entre as extremidades das linguagens e o extremo dos mundos, que possuem a capacidade de ressignificar, em especial, pr\u00e1ticas relacionadas \u00e0s redes audiovisuais, ao cinema, \u00e0 performance e \u00e0 arte contempor\u00e2nea.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Terra de Gigantes<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     Diante de um contexto como este, o artista, curador e pesquisador Daniel Lima [1973] realiza a instala\u00e7\u00e3o imersiva \u201cTerra de gigantes\u201d (2023). Com dire\u00e7\u00e3o geral, concep\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o executiva, edi\u00e7\u00e3o e projeto gr\u00e1fico de Daniel Lima, o trabalho foi apresentado tanto 2023, em Guarulhos, com realiza\u00e7\u00e3o do Sesc Guarulhos, quanto em S\u00e3o Paulo, em 2024, com realiza\u00e7\u00e3o do Sesc Casa Verde, contando com uma grandiosa equipe.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     Nesta obra imersiva, somos profundamente atravessados por saberes, culturas e vidas afro-ind\u00edgenas, por meio da imers\u00e3o num ambiente cinem\u00e1tico transmutado em mem\u00f3ria ancestral. Como os gigantes da Terra, a problem\u00e1tica principal do trabalho diz respeito \u00e0 uni\u00e3o entre povos negros e ind\u00edgenas na luta por outros mundos poss\u00edveis. Contra as estruturas pol\u00edticas de domina\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o, respondem com vis\u00f5es de mundo, estrat\u00e9gias de cura e resist\u00eancia assim como produ\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559740&quot;:360}\">&nbsp;<\/span><b><span data-contrast=\"auto\">Abordagem das extremidades: 2004 \u2013 2024<\/span><\/b><\/li>\n<\/ol>\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-resized is-style-default\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"425\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/52739297300_5dac7534bc_c-1-800x425-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1432\" style=\"width:693px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/52739297300_5dac7534bc_c-1-800x425-1.jpg 800w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/52739297300_5dac7534bc_c-1-800x425-1-300x159.jpg 300w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/52739297300_5dac7534bc_c-1-800x425-1-768x408.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><span data-contrast=\"none\">Figura 1: Imagem de divulga\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o Terra de Gigantes que aconteceu no Sesc Guarulhos em 2023, com concep\u00e7\u00e3o e curadoria de Daniel Lima e participa\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as e artistas negros e ind\u00edgenas. (Fonte: https:\/\/www.sescsp.org.br\/exposicao-imersiva-no-sesc-guarulhos-debate-o-corpo-negro-e- indigena-no-mundo-contemporaneo\/)<span data-contrast=\"auto\" xml:lang=\"PT-PT\" lang=\"PT-PT\" class=\"TextRun EmptyTextRun SCXW37313065 BCX0\" style=\"-webkit-user-drag: none; -webkit-tap-highlight-color: transparent; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text; font-size: 9pt; text-align: justify; line-height: 14px; font-family: &quot;Arial MT&quot;, &quot;Arial MT_EmbeddedFont&quot;, &quot;Arial MT_MSFontService&quot;, sans-serif; font-variant-ligatures: none !important;\"><\/span>\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     A partir de interatividade, proje\u00e7\u00f5es audiovisuais, sonoridades e cantos, coexistimos em \u201cTerra de gigantes\u201d com a presen\u00e7a performativa, nas m\u00faltiplas telas, de figuras m\u00edticas de gigantes, como a de David Kopenawa Yanomani [1956], xam\u00e3, l\u00edder ind\u00edgena, autor com Bruce Albert do livro \u201cA queda do c\u00e9u\u201d (2010). Com sua imagem projetada em grande escala, ele nos convida \u00e0 escuta ao abordar a cosmovis\u00e3o Yanomani em passagens como esta: \u201c<em>Quando a fuma\u00e7a da epidemia sobe aos c\u00e9us, o peito do c\u00e9u, onde o cora\u00e7\u00e3o respira, a fuma\u00e7a da epidemia gruda ali. E pelo fato da fuma\u00e7a grudar ali, o peito do c\u00e9u se queima<\/em>\u201d (Davi Kopenawa Yanomani).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">      Na luta pela exist\u00eancia e sobreviv\u00eancia, entre esp\u00edritos da floresta, seres viventes e n\u00e3o-viventes, entre mundos afrodiasp\u00f3ricos e corpos negros, um dos pontos de tens\u00e3o do trabalho \u00e9 a cena \u201cLinha de Fogo\u201d, composta por doze metros de extens\u00e3o. Ela torna a experi\u00eancia mais intensa, propiciando ao p\u00fablico intera\u00e7\u00e3o por meio de sensores de presen\u00e7a. No caso, o fogo remete paradoxalmente tanto \u00e0s queimadas e \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica, como imagem de fim do mundo, quanto aos quatro elementos fundamentais da natureza (entre o ar, a terra e a \u00e1gua), que permitem expressar poder espiritual, ritual\u00edstico e transmuta\u00e7\u00e3o de mundos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" src=\"blob:https:\/\/extremidades.art\/88f0123e-2261-43cb-ba01-9b9b513bd9f3\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><span data-contrast=\"none\">Figura 2: Registro do espa\u00e7o expositivo da exposi\u00e7\u00e3o Terra de Gigantes que aconteceu no Sesc Guarulhos em 2023, com concep\u00e7\u00e3o e curadoria de Daniel Lima e participa\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as e artistas negros e ind\u00edgenas. (Fonte: Imagem cedida pelo artista)&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     No cerne de quest\u00f5es conflituosas como estas, o presente estudo busca destacar mudan\u00e7as dos modos de agir por meio de pr\u00e1ticas art\u00edsticas como as de Daniel Lima, assim como nos embates lan\u00e7ados por pensadores como Kopenawa, Krenak, Danowski e Viveiros de Castro. Sendo que para a an\u00e1lise&nbsp;de imagens de mundo, como veremos a seguir, interessa-nos observar, em especial, um tipo de territ\u00f3rio de disputa como o das plataformas em rede.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     Se para muitos imaginar o fim do mundo diz respeito a imagens apocal\u00edpticas, muitas vezes associadas ao Antropoceno, aqui articulamos tais dimens\u00f5es ca\u00f3ticas com imagens em rede que implementam o regime de visualidade algor\u00edtmica operada por dados e que atuam com valores mort\u00edferos, produzindo imagens de fim do mundo amplamente disseminadas nas redes sociais, como as apresentadas logo abaixo:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"735\" height=\"543\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/11\/image.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1676\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/11\/image.jpeg 735w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/11\/image-300x222.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 735px) 100vw, 735px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\">Figura 3: Imagem ilustrativa para demonstrar um poss\u00edvel futuro apocal\u00edptico resultado de tens\u00f5es pol\u00edticas e clim\u00e1ticas. (Fonte:<a href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Sociedade\/noticia\/2019\/01\/relogio-do-apocalipse-esta-dois-minutos-do-fim-do-mundo.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Sociedade\/noticia\/2019\/01\/relogio-do-apocalipse-esta-<\/a> <a href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Sociedade\/noticia\/2019\/01\/relogio-do-apocalipse-esta-dois-minutos-do-fim-do-mundo.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dois-minutos-do-fim-do-mundo.html)<\/a>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"225\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/11\/image-1-1024x225.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1677\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/11\/image-1-1024x225.jpeg 1024w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/11\/image-1-300x66.jpeg 300w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/11\/image-1-768x168.jpeg 768w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/11\/image-1.jpeg 1131w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\">Figura 4: Sequ\u00eancia de imagens que apresentam as queimadas que ocorreram na floresta amaz\u00f4nica, 2019- 2020. (Fonte: 1. <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/01\/08\/o-que-diferencia-os-incendios-na-australia-das-queimadas-na-amazonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/01\/08\/o-que-diferencia-os-incendios-na-australia-<\/a>das-queimadas-na-amazonia\/; 2. https:\/\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/os-interesses-economicos- por-tras-da-destruicao-da-amazonia\/; 3.https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/21\/album\/1566384483_259997.html#foto_gal_6)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Intersubjetividades tensionadas&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     No entanto, outras imagens tamb\u00e9m nos interessam nos territ\u00f3rios das plataformas sociais: aquelas que impactam modos de exist\u00eancia p\u00f3s-digitais. Trata-se de formas de operar as redes segundo a vis\u00e3o do pensador Achille Mbembe [1957] a partir da no\u00e7\u00e3o de \u201cpol\u00edticas da inimizade\u201d (Mbembe, 2020), Estes tipos de imagens de fim de mundo se manifestam em fen\u00f4menos como as <em>fake news<\/em>, as <em>deep fakes<\/em>, o racismo algor\u00edtmico e os discursos de \u00f3dio, t\u00e3o pr\u00f3prios \u00e0s redes sociais. Para Mbembe:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\">Nossa era decididamente se define pela separa\u00e7\u00e3o, pelos movimentos de \u00f3dio, pela hostilidade e, acima de tudo, pela luta contra o inimigo, em decorr\u00eancia da qual as democracias liberais, j\u00e1 ent\u00e3o escorchadas pelas for\u00e7as do capital, da tecnologia e do militarismo, est\u00e3o sendo sugadas em um amplo processo de invers\u00e3o. (Achile Mbembe, 2020, p. 76)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     Quer seja sob a forma da crise ambiental, do racismo estrutural ou da separa\u00e7\u00e3o e do \u00f3dio que permeiam a sociedade, os agenciamentos operados com as extremidades situam a diferen\u00e7a como potenciais amea\u00e7as, como o lugar dos inimigos, produzindo conflu\u00eancias entre o espa\u00e7o \u00e9tico-est\u00e9tico-po\u00e9tico, promovendo a indistin\u00e7\u00e3o entre um espa\u00e7o e outro, gerando um estado de tr\u00e2nsito e deslocamentos cont\u00ednuos entre o espa\u00e7o social, o espa\u00e7opo\u00e9tico- art\u00edstico e o plano da experi\u00eancia sob a forma de produ\u00e7\u00e3o de intersubjetividades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     Como uma sociedade da inimizade, mais que uma crise ambiental, econ\u00f4mica e pol\u00edtica, tais dimens\u00f5es de mundo presentes na obra <em>Terra de Gigantes <\/em>de Daniel Lima, refletem tanto uma crise da \u201cideia de humanidade\u201d (Krenak, 2019, p. 11) quanto uma \u201csubjetividade contempor\u00e2nea produzida na dobra financeirizada do capitalismo\u201d (Rolnik, 2021, p. 22). Imagens de fim do mundo como imagens de um mundo em crise, relacionadas ao fim dos tempos, ao fim da civiliza\u00e7\u00e3o global-moderna, tensionam, portanto, a natureza micropol\u00edtica (Suely Rolnik, 2018) de um mal-estar que nos habita, assim como traduzem a crise planet\u00e1ria que vivemos no s\u00e9culo 21.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     Nesse contexto, Ailton Krenak pontua que somos convocados a integrar um tipo de \u201chumanidade zumbi\u201d (Krenak, 2019, p. 26) que n\u00e3o tolera a frui\u00e7\u00e3o de vida em sua diversidade. \u00c9 uma esp\u00e9cie de humanidade que se quer homog\u00eanea, na qual o consumo substitui a cidadania, que subtrai a capacidade imaginativa e de exist\u00eancia em sua pluralidade, que tanto \u201ctira nossa alegria de estar vivos\u201d (Krenak, 2019, p. 33) quanto limita nossa capacidade de conviver com outros mundos. Para ele, adiar o fim do mundo significa \u201cexpandir a nossa subjetividade, n\u00e3o aceitando essa ideia de que n\u00f3s somos todos iguais\u201d (Krenak, 2019, p. 31).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">      Para problematizar a pol\u00edtica de subjetiva\u00e7\u00e3o baseada no tipo de \u201chumanidade zumbi\u201d que opera na contemporaneidade, mobilizada pela l\u00f3gica do individualismo, das tecnologias de dados, da intelig\u00eancia artificial (IA) e do consumo, t\u00edpicas do neoliberalismo e do capitalismo globalizado, Suely Rolnik [1948] adverte que esse tipo de colapso da identidade, em que n\u00e3o h\u00e1 a escuta dos \u201cefeitos desestabilizadores da presen\u00e7a viva do outro em seu pr\u00f3prio corpo\u201d (Rolnik, 2021, p. 69), impacta a pot\u00eancia pulsional e restringe o \u201cencontro com as for\u00e7as que comp\u00f5em o outro\u201d (Rolnik, 2021, p. 27).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">      Segundo Krenak, ter diversidade significa expandir nossa subjetividade, garantindo adiarmos o fim do mundo por meio da capacidade imaginativa, das \u201cpo\u00e9ticas sobre a exist\u00eancia\u201d e da capacidade \u201cde atrair uns aos outros pelas nossas diferen\u00e7as\u201d (Krenak, 2019, p. 33). J\u00e1 Rolnik alerta sobre a subtra\u00e7\u00e3o da for\u00e7a vital nas condi\u00e7\u00f5es da linguagem do mundo, assim como sobre os impactos \u201cnas condi\u00e7\u00f5es de um ecossistema, n\u00e3o s\u00f3 ambiental, mas tamb\u00e9m social e mental\u201d (Rolnik, 2021, p. 27).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por outras imagens do mundo<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     Nesse cen\u00e1rio, observamos imagens do mundo como rela\u00e7\u00f5es entre imagem e pol\u00edtica, com o objetivo de assinalar seus valores mort\u00edferos (como imagens de fim de mundo) e vitais (como inscri\u00e7\u00e3o de outros mundos). Temos&nbsp;como base, para tanto, a trama interdisciplinar que envolve os campos da arte, das linguagens digitais e da sociedade, em que as pr\u00e1ticas art\u00edsticas tomam o mundo como possibilidade, nele reivindicando outras imagens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     Trata-se de pensar o mundo a partir de suas imagens e de um outro lugar, em sua rede de rela\u00e7\u00f5es entre arte, m\u00eddia e pol\u00edtica&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">      Consciente da chamada \u201cpeste fascista\u201d (Suely Rolnik), que n\u00e3o pode ser separada do racismo estrutural e dos \u201cregimes do inconsciente colonial- patriarcal\u201d (Suely Rolnik), observamos que a arte reage de forma \u00e9tica para combater situa\u00e7\u00f5es que engendram vulnerabilidades e traumas, como o racismo, a xenofobia, as desigualdades sociais e a discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">      Tendo como princ\u00edpio a no\u00e7\u00e3o de globalitarismo e a observa\u00e7\u00e3o do mundo capitalista que habitamos, encontramos, na cr\u00edtica \u00e0 colonialidade, perspectivas te\u00f3ricas de an\u00e1lise que despertam reflex\u00f5es para ressignificarmos os campos da imagem e da arte em rela\u00e7\u00e3o aos agenciamentos do mundo na contemporaneidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">      Para o historiador de arte Hans Belting [1935-2023], especialista em teoria da imagem e arte contempor\u00e2nea, a quest\u00e3o da arte nas m\u00eddias \u201cp\u00f5e-se de resto onde quer que os limites entre comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o sejam ultrapassados\u201d (Belting, 2006, p. 243). Para ele:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\">A pesquisa em arte \u00e9 realizada hoje num ambiente em que as m\u00eddias t\u00e9cnicas das imagens marcam nossa imagem do mundo e nosso conceito de realidade, principalmente quando desconhecemos sua inten\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica propriamente dita. O conte\u00fado de informa\u00e7\u00e3o que possuem ou apenas afirmam determina em geral a nossa disposi\u00e7\u00e3o de nos envolver com eles. [&#8230;]. Imagem e linguagem foram ambas inventadas como sistemas simb\u00f3licos com os quais os homens sempre se entenderam no que diz respeito ao mundo. (Belting, 2006, p. 242)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">      Nesses tensionamentos, as pr\u00e1ticas art\u00edsticas em suas rela\u00e7\u00f5es com as pr\u00e1ticas midi\u00e1ticas respondem como um agente ativo capaz de ressignificar o sentido eco-pol\u00edtico das imagens do mundo no s\u00e9culo 21, como a for\u00e7a vital que anima, reconecta o corpo com o outro e faz vibrar. Oferecem, portanto,&nbsp;representa\u00e7\u00f5es, performances e experi\u00eancias diversas de mundo, assim como nosso lugar nele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     Diante de tais realidades, perguntamos: De que modo a arte atravessa dimens\u00f5es globalit\u00e1rias de imagens do mundo quando \u201cpara uma grande parte da humanidade o fim do mundo j\u00e1 aconteceu\u201d (Mbembe, 2020, p. 56)?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     Como Suely Rolnik nos diz, pelo afeto as pr\u00e1ticas art\u00edsticas trazem a perspectiva \u00e9tica, tensionam a presen\u00e7a vital, \u201ca presen\u00e7a viva do outro em mim\u201d (Rolnik, 2021, p. 69), situa\u00e7\u00e3o em que o outro n\u00e3o se encontra fora do meu corpo, mas \u00e9 uma presen\u00e7a vital nele. Buscam, dessa maneira, nos ambientes pertinentes \u00e0s ecologias midi\u00e1ticas em rede, desconstruir o aparato de controle, ferramenta central do autoritarismo, assim como mostrar a estrutura aberta do perverso dispositivo do globalitarismo, entre a tirania da informa\u00e7\u00e3o e do capital, compreendido, como em Milton Santos, como o dispositivo hegem\u00f4nico da sociedade no s\u00e9culo 21.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     Nessa dire\u00e7\u00e3o, Suely Rolnik sustenta que o fascismo, em suas for\u00e7as reativas, pode ser compreendido como a despotencializa\u00e7\u00e3o vital da presen\u00e7a do outro em mim. Como uma \u201cf\u00e1brica mort\u00edfera de mundo\u201d (Suely Rolnik, 2023, n.p) dedicada \u00e0s for\u00e7as reativas do fascismo, as plataformas on-line de sociabilidade, supostamente dedicadas \u00e0 conex\u00e3o, de modo paradoxal produzem hoje em dia justamente o contr\u00e1rio, ou seja, a \u201cdesconex\u00e3o entre os corpos e os afetos por meio da \u201cnormalpatia\u201d (denominada tanto como doen\u00e7a da normalidade quanto normaliza\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie) sob o pressuposto \u201cque o que conecta as pessoas \u00e9 a semelhan\u00e7a, e n\u00e3o a diferen\u00e7a ou a aleatoriedade.\u201d (Let\u00edcia Cesarino).<a href=\"\/\/_bookmark0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><sup>1<\/sup><\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">1 A antrop\u00f3loga Let\u00edcia Cesarino faz tal afirma\u00e7\u00e3o a partir de uma entrevista concedida a Ana Druwe na publica\u00e7\u00e3o \u201cCasa do Povo \u2013 C\u00e9u da Boca\u201d (ano LXXV, 2023, n. 1023, p.44).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">     Para Rolnik (2023), trata-se de dimens\u00f5es da \u201cpeste fascista\u201d. Para ela, \u00e9 quando a palavra, a linguagem, dissocia-se da alma, como uma doen\u00e7a imanente ao \u201cregime inconsciente colonial-racializante-patriarcal-capitalista\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\">A tomada de poder globalit\u00e1rio pelo capitalismo, em sua vers\u00e3o corporativa financeirizada neoliberal, deflagrou um novo surto dapeste fascista. A bact\u00e9ria que causa esta doen\u00e7a \u00e9 parte do microbioma do corpo social sob ao regime de inconsciente colonial-racializante-patriarcal-capitalista. A bact\u00e9ria ativa-se quando a falta de oxig\u00eanio inerente ao ecossistema do regime em quest\u00e3o atinge limites insuport\u00e1veis. Deflagra-se ent\u00e3o a peste, atingindo o desejo das massas e transformando os sujeitos num bando de zumbis, abduzidos pelo feiti\u00e7o de relatos que distorcem a realidade. A sociedade brasileira \u00e9 especialmente vulner\u00e1vel \u00e0 ativa\u00e7\u00e3o desta bact\u00e9ria, pelo fato deste pa\u00eds ser o \u00fanico em que jamais foram desenvolvidos anticorpos sociais \u00e0s suas variantes anteriores e tendo jamais sido punidos os respons\u00e1veis por sua ativa\u00e7\u00e3o, desde sua cepa inicial: a cepa colonial-escravocrata. Por\u00e9m, como em suas variantes anteriores, a bact\u00e9ria n\u00e3o logra contaminar o conjunto do corpo social: surgem respostas que produzem anticorpos, logrando criar outros cen\u00e1rios. (Rolnik, 2023, n.p)&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-medium-font-size\">&nbsp;     Comprometida com urg\u00eancias pol\u00edticas e com a reconex\u00e3o dos corpos como constru\u00e7\u00e3o da diversidade, as pr\u00e1ticas art\u00edsticas que operam com as plataformas em rede tensionam o poder de \u201cperformatividade da imagem\u201d (Baio, 2015, p. 15) algor\u00edtmica como capacidade de ver e analisar o mundo, tendo como princ\u00edpio dar lugar a mundos silenciados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-medium-font-size\">     Por meio dos atravessamentos constitu\u00eddos entre as imagens do mundo e as imagens da arte, em suas redes de rela\u00e7\u00f5es com as plataformas sociais, nos fluxos comunicacionais em rede, como fluxos de poder, de consumo e do capitalismo globalizado, observamos, nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo 21, embates tanto da chamada \u201chumanidade zumbi\u201d (Krenak, 2019) quanto da chamada \u201cpeste fascista\u201d (Rolnik, 2023), entre a esfera macropol\u00edtica e micropol\u00edtica, a partir da presen\u00e7a de pr\u00e1ticas art\u00edsticas comprometidas com a reconex\u00e3o dos corpos, como constru\u00e7\u00e3o da diversidade, trazendo como princ\u00edpio as no\u00e7\u00f5es de pluralidade, dissid\u00eancia, redes de afetos, contato e alteridade, como inscri\u00e7\u00e3o de outras imagens, desejo de outros mundos e a constitui\u00e7\u00e3o de uma <strong>Terra de gigantes<\/strong>, como a do artista Daniel Lima, de outros lugares de extremidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Christine Mello (PUC-SP\/UERJ) Novembro, 2024 O presente estudo \u00e9 parte integrante de uma investiga\u00e7\u00e3o maior, desenvolvida a partir da Bolsa PAPD (2022-2024) concedida pela Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas\/FAPERJ, sob a forma de interc\u00e2mbio interinstitucional entre a Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo\/PUC-SP, em seu Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica (Linha de Pesquisa Regimes de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[17,18,19,20,21,25,26],"class_list":["post-1675","post","type-post","status-publish","hentry","category-pesquisa","tag-midia","tag-politica","tag-imagens","tag-redes-sociais","tag-audiovisual","tag-fim-do-mundo","tag-regimes-etico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1675","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1675"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1675\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1685,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1675\/revisions\/1685"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}