{"id":1497,"date":"2023-08-02T13:06:14","date_gmt":"2023-08-02T16:06:14","guid":{"rendered":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/?p=1497"},"modified":"2023-08-02T16:40:40","modified_gmt":"2023-08-02T19:40:40","slug":"imagens-do-fim-do-mundo-em-seus-regimes-etico-esteticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/2023\/08\/02\/imagens-do-fim-do-mundo-em-seus-regimes-etico-esteticos\/","title":{"rendered":"Imagens do fim do mundo em seus regimes \u00e9tico-est\u00e9ticos"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\" style=\"font-size:40px\"><strong>Imagens do fim do mundo<\/strong> em seus regimes \u00e9tico-est\u00e9ticos:<br>inimizade, discursos de \u00f3dio, micropol\u00edtica e o contra-ataque da diversidade nas redes sociais<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Christine Mello (PUC-SP\/UERJ)<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Este estudo integra a pesquisa <strong>Por outras imagens do mundo: arte, m\u00eddia e pol\u00edtica <\/strong>desenvolvida a partir da Bolsa PAPD (2022-2023) concedida pela Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas\/FAPERJ, sob a forma de interc\u00e2mbio interinstitucional entre a Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo\/PUC-SP, em seu Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica (Linha de Pesquisa Regimes de sentido nos processos comunicacionais) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro\/UERJ, em seu Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Artes\/PPGArtes (Linha de Pesquisa Arte, imagem e escrita), sob a forma de P\u00f3s-Doutorado, com supervis\u00e3o da professora Sheila Cabo Geraldo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Trata-se de uma investiga\u00e7\u00e3o interdisciplinar entre os campos da comunica\u00e7\u00e3o (Teoria da m\u00eddia) e da arte (Teoria da arte e Cr\u00edtica de arte) por meio de intersec\u00e7\u00f5es com estudos das imagens, em suas implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. A pesquisa transita em torno a problemas relacionados com a nossa condi\u00e7\u00e3o no mundo globalizado, tendo como \u00eanfase a an\u00e1lise de pr\u00e1ticas art\u00edsticas e midi\u00e1ticas articuladas com plataformas em rede.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Diante de um contexto hist\u00f3rico relacionado ao globalitarismo, como pensa Milton Santos (2007) e ao capitalismo de vigil\u00e2ncia, em Shoshana Zuboff (2021), que colocam em xeque a democracia, buscamos pensar tamb\u00e9m as dimens\u00f5es de fim do mundo em suas rela\u00e7\u00f5es com o Antropoceno, com a crise da sustentabilidade e da biodiversidade, que colocam em xeque a forma como habitamos o mundo. Este \u00e9 o ponto de partida de Ailton Krenak, em seu Ideias para adiar o fim do mundo (2019) assim como Bruno Latour, D\u00e9borah Danowski e Eduardo Viveiros de Castro, ao questionarem \u201cH\u00e1 mundo por vir?\u201d (2017). Nesse contexto, encontramos um estado de crise, um alarme.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>No entanto, \u00e9 a partir do pensamento de <strong>Achille Mbembe<\/strong>, em seu <strong>Pol\u00edticas da inimizade (2020)<\/strong>, que iremos observar, em especial nos ambientes das m\u00eddias sociais, aspectos das imagens do fim do mundo que indicam o fim do projeto humanista ocidental. Estes aspectos nos permitem refletir sobre o avan\u00e7o do autoritarismo, do racismo e da cultura do \u00f3dio no s\u00e9culo 21. Com Mbembe, buscaremos questionar: por que as imagens em rede n\u00e3o nos entusiasmam? Por que elas incitam discursos de \u00f3dio (Luiz Val\u00e9rio Trindade, 2022) ao mesmo tempo que v\u00e3o sendo esquecidas e apagadas em favor de imagens globalizantes, que o capitalismo de vigil\u00e2ncia (Zuboff ,2021) quer que consumamos por meio da Intelig\u00eancia Artificial (IA) e da l\u00f3gica algor\u00edtmica da dadosfera (Giselle Beiguelman, 2020)?<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Nesse \u00e2mbito, os estudos incluem a an\u00e1lise de imagens por meio de seus regimes \u00e9ticos (Jacques Ranci\u00e8re, 2005) nos usos que t\u00eam, nos efeitos que induzem, em suas performatividades (C\u00e9sar Baio, 2015) e micropol\u00edticas (Suely Rolnik, 2016), com o objetivo tanto de assinalar seus valores mort\u00edferos (como imagens de fim de mundo) e vitais (como inscri\u00e7\u00e3o de outros mundos) quanto observar a esfera cr\u00edtica que as pr\u00e1ticas art\u00edsticas, o jornalismo independente, os coletivos audiovisuais, as comunidades ind\u00edgenas, feministas e LGBTQ+, entre outras, produzem em prol de sua diversidade, como ato de imaginar a exist\u00eancia de maneira diferente, como o reconhecimento rec\u00edproco da vulnerabilidade, como inscri\u00e7\u00e3o de outras imagens do mundo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Tendo em vista tais circunst\u00e2ncias, o estudo tem como objetivo produzir an\u00e1lises cr\u00edticas tendo como ponto de partida a observa\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas propostas por artistas como <strong>Giselle Beiguelman (Odiol\u00e2ndia, 2017) <\/strong>e <strong>Daniel Lima (Terra de gigantes, 2023)<\/strong>, como bases estruturantes para refletir, a partir delas, as singularidades dos interesses dos estudantes, relacionadas, no caso, a um corpo maior de artistas, coletivos e manifesta\u00e7\u00f5es culturais apresentadas na exposi\u00e7\u00e3o <strong>INTERSEC\u00c7\u00d5ES \u2013 Negros(as), ind\u00edgenas e perif\u00e9ricos(as) na cidade de S\u00e3o Paulo (em exibi\u00e7\u00e3o no Solar da Marquesa de Santos e na Casa da Imagem, que integram o Museu da Cidade de S\u00e3o Paulo)<\/strong>. Com curadoria de Adriana Barbosa, Nabor Jr. e Eleilson Leite, a mostra apresenta um conjunto de movimentos culturais, artistas, processos e encontros que atuam na interseccionalidade hist\u00f3rica e socialmente imposta \u00e0s popula\u00e7\u00f5es negra, perif\u00e9rica, ind\u00edgena e LGBTQIA+ e tamb\u00e9m revelam como as transversalidades que os unem fomentam a base da cultura na capital, al\u00e9m de fornecer elementos n\u00e3o somente para a celebra\u00e7\u00e3o coletiva, como para a possibilidade de conviv\u00eancia em uma sociedade onde o racismo, o sexismo e a homofobia s\u00e3o insepar\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>No caso, seremos recebidos pelo soci\u00f3logo, cr\u00edtico e te\u00f3rico em fotografia, Mestre em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica, Henrique Siqueira, coordenador de curadoria do Museu da Cidade de S\u00e3o Paulo, que nos proporcionar\u00e1 ativa\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o organizada pelo Museu, por meio de conversa, visita guiada e debates. Esta atividade contempla atividade extensionista sob a forma de atividade externa.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-mcsp-museu-da-cidade-de-sao-paulo wp-block-embed-mcsp-museu-da-cidade-de-sao-paulo\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"nkwUcSf1qM\"><a href=\"https:\/\/www.museudacidade.prefeitura.sp.gov.br\/interseccoes\/\">INTERSEC\u00c7\u00d5ES<\/a><\/blockquote><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;INTERSEC\u00c7\u00d5ES&#8221; &#8212; MCSP | Museu da Cidade de S\u00e3o Paulo\" src=\"https:\/\/www.museudacidade.prefeitura.sp.gov.br\/interseccoes\/embed\/#?secret=nkwUcSf1qM\" data-secret=\"nkwUcSf1qM\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-huge-font-size\"><strong>1. Globalitarismo em Milton Santos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Document\u00e1rio: Encontro com Milton Santos (Ou O Mundo Global do Lado de C\u00e1)\" width=\"500\" height=\"375\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oP9WeauOvWc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>O pensador Milton Santos [1926-2001] considera a exist\u00eancia de tr\u00eas mundos inter-relacionados entre si a partir da compreens\u00e3o do que \u00e9 a globaliza\u00e7\u00e3o. Para ele, h\u00e1 o mundo que percebemos, ao modo de uma fabula\u00e7\u00e3o, constitu\u00eddo pelas for\u00e7as fantasiosas do capitalismo, no qual somos consumidores. H\u00e1 o mundo real, no qual a globaliza\u00e7\u00e3o se imp\u00f5e de maneira hegem\u00f4nica, como uma f\u00e1brica de perversidade, por meio do aumento da desigualdade social. E h\u00e1 o mundo como possibilidade, onde buscamos a constru\u00e7\u00e3o de uma outra realidade, uma outra globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\">&#8220;Eu chamo a globaliza\u00e7\u00e3o de globalitarismo porque estamos vivendo uma nova fase de totalitarismo. O sistema pol\u00edtico utiliza os sistemas t\u00e9cnicos contempor\u00e2neos para produzir a atual globaliza\u00e7\u00e3o, conduzindo-nos para formas de rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas implac\u00e1veis, que n\u00e3o aceitam discuss\u00e3o, que exigem obedi\u00eancia imediata, sem a qual os atores s\u00e3o expulsos da cena ou permanecem dependentes, como se fossem escravos de novo. Escravos de uma l\u00f3gica sem a qual o sistema econ\u00f4mico n\u00e3o funciona. Que outra vez, por isso mesmo, acaba sendo um sistema pol\u00edtico&#8221;. (Santos, 2007, p. 180)<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A partir da compreens\u00e3o de globaliza\u00e7\u00e3o como globalitarismo, tomamos como no\u00e7\u00e3o de mundo a coexist\u00eancia dos tr\u00eas mundos a que se refere Milton Santos: o mundo percebido, o mundo real e o mundo poss\u00edvel. Na intersec\u00e7\u00e3o entre eles, Santos destaca a principal estrat\u00e9gia do globalitarismo, que consiste na jun\u00e7\u00e3o entre a globaliza\u00e7\u00e3o e o totalitarismo como aquilo que d\u00e1 visibilidade \u00e0 uni\u00e3o entre a tirania da informa\u00e7\u00e3o e a tirania do dinheiro, e que coloca em xeque a pr\u00f3pria ideia de democracia.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, observamos imagens do fim do mundo como rela\u00e7\u00f5es entre imagem e pol\u00edtica, com o objetivo de assinalar seus valores mort\u00edferos (como imagens de fim de mundo) e vitais (como inscri\u00e7\u00e3o de outros mundos). Temos como base, para tanto, a trama interdisciplinar que envolve os campos da arte, da comunica\u00e7\u00e3o digital e da sociedade, em que certas pr\u00e1ticas art\u00edsticas e midi\u00e1ticas tomam o mundo como possibilidade, nele reivindicando outras imagens.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.facebook.com\/plugins\/video.php?height=314&amp;href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fmgeografico%2Fvideos%2F1057960220914526%2F&amp;show_text=false&amp;width=560&amp;t=0\" width=\"560\" height=\"314\" style=\"border:none;overflow:hidden\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"true\" allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; picture-in-picture; web-share\"><\/iframe>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Consciente da chamada \u201cpeste fascista\u201d (Suely Rolnik), que n\u00e3o pode ser separada do racismo estrutural e dos \u201cregimes do inconsciente colonial-patriarcal\u201d (Suely Rolnik) agenciados nas plataformas sociais, observamos que a arte e a m\u00eddia independente reagem com pot\u00eancia \u00e9tica para combater situa\u00e7\u00f5es que engendram vulnerabilidades e traumas, como as guerras globais e locais, o racismo estrutural, a xenofobia, as desigualdades sociais e a discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Tendo como princ\u00edpio a no\u00e7\u00e3o de globalitarismo e a observa\u00e7\u00e3o do mundo capitalista financerizado que habitamos, encontramos, na cr\u00edtica \u00e0 colonialidade, perspectivas te\u00f3ricas de an\u00e1lise que despertam reflex\u00f5es para ressignificarmos os campos da imagem, da arte e das m\u00eddias em rela\u00e7\u00e3o aos agenciamentos do mundo na contemporaneidade.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Para o historiador de arte Hans Belting [1935-2023], especialista em teoria da imagem e arte contempor\u00e2nea, a quest\u00e3o da arte nas m\u00eddias \u201cp\u00f5e-se de resto onde quer que os limites entre comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o sejam ultrapassados\u201d (Belting, 2006, p. 243). Para ele:<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">&#8220;A pesquisa em arte \u00e9 realizada hoje num ambiente em que as m\u00eddias t\u00e9cnicas das imagens marcam nossa imagem do mundo e nosso conceito de realidade, principalmente quando desconhecemos sua inten\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica propriamente dita. O conte\u00fado de informa\u00e7\u00e3o que possuem ou apenas afirmam determina em geral a nossa disposi\u00e7\u00e3o de nos envolver com eles. [\u2026]. Imagem e linguagem foram ambas inventadas como sistemas simb\u00f3licos com os quais os homens sempre se entenderam no que diz respeito ao mundo&#8221;. (Belting, 2006, p. 242)<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Nesses tensionamentos, as pr\u00e1ticas art\u00edsticas e as m\u00eddias independentes respondem como um agente ativo capaz de ressignificar o sentido eco-pol\u00edtico das imagens do mundo no s\u00e9culo 21, como a for\u00e7a vital que anima, reconecta o corpo com o outro e faz vibrar. Oferecem, portanto, experi\u00eancias diversas de mundo, assim como nosso lugar nele.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>2. Capitalismo de vigil\u00e2ncia em&nbsp;Shoshana Zuboff<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito das imagens de crise do mundo operadas com os ambientes midi\u00e1ticos, como a da inseguran\u00e7a p\u00f3s-11 de setembro de 2001, que gerou, para muitos, a Web 2.0 e o \u201ccapitalismo de vigil\u00e2ncia\u201d (in Shoshana Zuboff, 2021); a financeira de 2008, que sedimentou o modelo de plataformiza\u00e7\u00e3o e as novas din\u00e2micas da Web 3.0; a sanit\u00e1ria, a partir do final de 2019, promovida pela pandemia do Covid-19, que acentuou n\u00e3o apenas o negacionismo cient\u00edfico como tamb\u00e9m polariza\u00e7\u00f5es e discursos homogeneizantes nas redes sociais; a mobiliza\u00e7\u00e3o online antirracista \u201c<em>black lives matter\u201d<\/em> (\u201cvidas negras importam\u201d), em 2020, pela morte do afro-americano George Floyd em uma abordagem policial violenta, dando visibilidade ao racismo estrutural e \u00e0 persist\u00eancia do genoc\u00eddio de vidas negras. Ou seja, encontramos nesses ambientes das m\u00eddias sociais \u201ca internet como principal arena de comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d (in Let\u00edcia Cesarino, 2022).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Resumo do webinar - Capitalismo de Vigil\u00e2ncia e Democracia, com Shoshana Zuboff\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tbpW_zBNiPU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\" style=\"font-size:9px\"><a href=\"https:\/\/medium.com\/funda%C3%A7%C3%A3o-fhc\/capitalismo-de-vigil%C3%A2ncia-e-democracia-com-shoshana-zuboff-37b656584477\">https:\/\/medium.com\/funda%C3%A7%C3%A3o-fhc\/capitalismo-de-vigil%C3%A2ncia-e-democracia-com-shoshana-zuboff-37b656584477<\/a><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file aligncenter\"><object data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden class=\"wp-block-file__embed\" data=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/A-Era-do-Capitalismo-de-Vigilancia-Shoshana-Zuboff.pdf\" type=\"application\/pdf\" style=\"width:100%;height:450px\" aria-label=\"Incorporado de Incorporado de A-Era-do-Capitalismo-de-Vigilancia-Shoshana-Zuboff..\"><\/object><a href=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/A-Era-do-Capitalismo-de-Vigilancia-Shoshana-Zuboff.pdf\">A-Era-do-Capitalismo-de-Vigilancia-Shoshana-Zuboff<\/a><a href=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/A-Era-do-Capitalismo-de-Vigilancia-Shoshana-Zuboff.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download>Baixar<\/a><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Para buscarmos transpassar imagens do fim do mundo face ao globalitarismo sob a forma do \u201c<em>capitalismo de vigil\u00e2ncia<\/em>\u201d (Shoshana Zuboff), em que data-dados, <em>big data<\/em> e suas imagens em rede implementam o regime de visualidade algor\u00edtmica enquanto atuam com a \u00e9tica do neoliberalismo, produzindo fen\u00f4menos como o hiperconsumo em massa, as <em>fake news <\/em>e os discursos de \u00f3dio t\u00e3o pr\u00f3prios \u00e0s redes sociais (Luiz Val\u00e9rio de Andrade) refletimos os caminhos da arte e das m\u00eddias independentes como a busca pelo \u201cmundo como possibilidade\u201d, onde tais pr\u00e1ticas promovem a cr\u00edtica \u00e0s arquiteturas de controle das plataformas sociais, rompem com a homogeneiza\u00e7\u00e3o da plataformiza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o, operando de forma heter\u00f3clita por meio de outros modos de produ\u00e7\u00e3o de subjetividade. Trata-se de pensar o mundo a partir de suas imagens e de um outro lugar, em sua rede de rela\u00e7\u00f5es controversas entre arte, m\u00eddia e pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>3. Crise planet\u00e1ria ambiental<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Se para muitos imaginar o fim do mundo diz respeito a imagens apocal\u00edpticas, muitas vezes associadas ao Antropoceno, aqui articulamos tais dimens\u00f5es ca\u00f3ticas com imagens em rede que implementam o regime de visualidade algor\u00edtmica operada por dados e que atuam com valores mort\u00edferos, produzindo imagens de fim do mundo amplamente disseminadas nas redes sociais, como as apresentadas logo abaixo:<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/1-1024x756.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1420\" width=\"747\" height=\"552\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/1-1024x756.jpg 1024w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/1-300x221.jpg 300w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/1-768x567.jpg 768w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/1-1536x1133.jpg 1536w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/1.jpg 1908w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><figcaption>Imagem ilustrativa para demonstrar um poss\u00edvel futuro apocal\u00edptico resultado de tens\u00f5es pol\u00edticas e clim\u00e1ticas. (Fonte: <a href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Sociedade\/noticia\/2019\/01\/relogio-do-apocalipse-esta-dois-minutos-do-fim-do-mundo.html\">https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Sociedade\/noticia\/2019\/01\/relogio-do-apocalipse-esta-dois-minutos-do-fim-do-mundo.html<\/a>)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"225\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/AMAZONIA-1024x225.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1421\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/AMAZONIA-1024x225.jpg 1024w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/AMAZONIA-300x66.jpg 300w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/AMAZONIA-768x169.jpg 768w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/AMAZONIA-1536x337.jpg 1536w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/AMAZONIA-2048x449.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><br>Sequ\u00eancia de imagens que apresentam as queimadas que ocorreram na floresta amaz\u00f4nica, 2019 &#8211; 2020. (Fonte: 1. <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/01\/08\/o-que-diferencia-os-incendios-na-australia-das-queimadas-na-amazonia\/\">https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/01\/08\/o-que-diferencia-os-incendios-na-australia-das-queimadas-na-amazonia\/<\/a>; 2. <a href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/os-interesses-economicos-por-tras-da-destruicao-da-amazonia\/\">https:\/\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/os-interesses-economicos-por-tras-da-destruicao-da-amazonia\/<\/a>; 3.<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/21\/album\/1566384483_259997.html#foto_gal_6\">https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/21\/album\/1566384483_259997.html#foto_gal_6<\/a>)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Bruno Latour - Fil\u00f3sofo e Antrop\u00f3logo (S\u00e9rie EntreVidas)\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nZoQvVAJFHA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\" style=\"font-size:9px\"><a href=\"http:\/\/climacom.mudancasclimaticas.net.br\/entrevista-bruno-latour-filosofo-e-antropologo\/\">http:\/\/climacom.mudancasclimaticas.net.br\/entrevista-bruno-latour-filosofo-e-antropologo\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/Untitled-1-1024x589.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1422\" width=\"945\" height=\"544\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/Untitled-1-1024x589.jpg 1024w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/Untitled-1-300x172.jpg 300w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/Untitled-1-768x442.jpg 768w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/Untitled-1-1536x883.jpg 1536w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/Untitled-1-2048x1177.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 945px) 100vw, 945px\" \/><figcaption><br>Imagem de fuma\u00e7a na cidade de Nova York causada por inc\u00eandios que ocorreram no Canad\u00e1. (Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/2023\/06\/07\/fumaca-de-incendios-no-canada-atinge-eua-que-fecham-escolas-e-aeroportos.ghtml\">https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/2023\/06\/07\/fumaca-de-incendios-no-canada-atinge-eua-que-fecham-escolas-e-aeroportos.ghtml<\/a>)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Para pensar imagens do fim do mundo, n\u00e3o se trata de abordar o apocalipse b\u00edblico, mas de compreender que, em nossa condi\u00e7\u00e3o atual, imaginar mundos, pensar no porvir, no futuro, exige a revis\u00e3o dos modos de exist\u00eancia. Significa, portanto, como analisa Bruno Latour na apresenta\u00e7\u00e3o do livro de Danowski e Viveiros de Castro (2017, n.p), um ponto de virada, o \u00fanico poss\u00edvel, pelo qual \u00e9 poss\u00edvel come\u00e7ar, a saber, pelo fim. Sob uma perspectiva lim\u00edtrofe como essa, notamos que os discursos sobre o fim do mundo implicam n\u00e3o apenas o reconhecimento da mudan\u00e7a de mundos, mas a instaura\u00e7\u00e3o da ideia de uma outra humanidade, de outros sistemas de organiza\u00e7\u00e3o de mundos baseados na diversidade, na mudan\u00e7a dos saberes e dos modos de agir nas rela\u00e7\u00f5es com o outro.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Eduardo Viveiros de Castro- Perspectivismo e centros de consci\u00eancia\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eSrJcwnqOt4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"font-size:9px\"><a href=\"https:\/\/antropofagias.com.br\/multinaturalismo\/\">https:\/\/antropofagias.com.br\/multinaturalismo\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo 21, as \u201c<em>imagens do fim do mundo<\/em>\u201d dizem respeito tanto \u00e0s crises ambientais, do humanismo e da modernidade relacionadas ao Antropoceno e ao racismo estrutural quanto ao crescente aumento do autoritarismo, guerras,&nbsp; discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, desigualdade social, fome, destrui\u00e7\u00e3o e morte em escala global, que d\u00e3o a ver sinais de exaust\u00e3o do que compreendemos por mundo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"A hist\u00f3ria de vida do l\u00edder ind\u00edgena Ailton Krenak\" width=\"500\" height=\"375\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0IUolC3FGKQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>No contexto da crise planet\u00e1ria ambiental, Ailton Krenak pontua que somos convocados a integrar um tipo de \u201chumanidade zumbi\u201d (Krenak, 2019, p. 26) que n\u00e3o tolera a frui\u00e7\u00e3o de vida em sua diversidade. \u00c9 uma esp\u00e9cie de humanidade que se quer homog\u00eanea, na qual o consumo substitui a cidadania, que subtrai a capacidade imaginativa e de exist\u00eancia em sua pluralidade, que tanto \u201ctira nossa alegria de estar vivos\u201d (Krenak, 2019, p. 33) quanto limita nossa capacidade de conviver com outros mundos. Para ele, adiar o fim do mundo significa \u201cexpandir a nossa subjetividade, n\u00e3o aceitando essa ideia de que n\u00f3s somos todos iguais\u201d (Krenak, 2019, p. 31).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>4. Pol\u00edticas da inimizade em Achille Mbembe<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Ao pensarmos nas \u201cpol\u00edticas da inimizade\u201d (<em>in<\/em> Achille Mbembe) e suas \u201c<em>imagens do fim do mundo<\/em>\u201d (aqui, no caso, referentes \u00e0s imagens em rede), n\u00e3o se trata de abordar o apocalipse b\u00edblico, mas de compreender que, em nossa condi\u00e7\u00e3o atual, imaginar mundos, pensar no porvir, no futuro, exige a revis\u00e3o dos modos de exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Silvio Almeida indica \u201cCr\u00edtica da Raz\u00e3o Negra\u201d, de Achille Mbembe<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/youtu.be\/aCb2c-e_rrQ\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Achille Mbembe na Culturgest<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Achile Mbembe na Culturgest\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FDRctgoZe6A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Pol\u00edticas da inimizade ou o conforto do Apartheid<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file aligncenter\"><object data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden class=\"wp-block-file__embed\" data=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/Politicas-da-inimizade-ou-o-conforto-do-Apartheid.pdf\" type=\"application\/pdf\" style=\"width:100%;height:500px\" aria-label=\"Incorporado de Incorporado de Politicas-da-inimizade-ou-o-conforto-do-Apartheid..\"><\/object><a href=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/Politicas-da-inimizade-ou-o-conforto-do-Apartheid.pdf\">Politicas-da-inimizade-ou-o-conforto-do-Apartheid<\/a><a href=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/Politicas-da-inimizade-ou-o-conforto-do-Apartheid.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download>Baixar<\/a><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Pol\u00edticas da inimizade &#8211; Achille Mbembe<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden class=\"wp-block-file__embed\" data=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/Politicas-da-inimizade-1.pdf\" type=\"application\/pdf\" style=\"width:100%;height:650px\" aria-label=\"Incorporado de Incorporado de Politicas-da-inimizade-1..\"><\/object><a href=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/Politicas-da-inimizade-1.pdf\">Politicas-da-inimizade-1<\/a><a href=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/Politicas-da-inimizade-1.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download>Baixar<\/a><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&#8220;O Mundo de Joelhos&#8221; &#8211; Achille Mbembe entrevistado por Iman Rappeti<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"FLUP | &quot;O Mundo de Joelhos&quot; - Achille Mbembe entrevistado por Iman Rappeti - Legendado\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3mWNaTYptB8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Trag\u00e9dia que matou 600 imigrantes: as revela\u00e7\u00f5es que p\u00f5em em d\u00favida a\u00e7\u00e3o de autoridades gregas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<blockquote class=\"instagram-media\" data-instgrm-captioned=\"\" data-instgrm-permalink=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/CusdJI6gKYE\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" data-instgrm-version=\"14\" style=\" background:#FFF; 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flex-grow: 0; height: 14px; width: 60px;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"padding: 19% 0;\"><\/div>\n<div style=\"display:block; height:50px; margin:0 auto 12px; width:50px;\"><svg width=\"50px\" height=\"50px\" viewBox=\"0 0 60 60\" version=\"1.1\" xmlns=\"https:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" xmlns:xlink=\"https:\/\/www.w3.org\/1999\/xlink\"><g stroke=\"none\" stroke-width=\"1\" fill=\"none\" fill-rule=\"evenodd\"><g transform=\"translate(-511.000000, -20.000000)\" fill=\"#000000\"><g><path d=\"M556.869,30.41 C554.814,30.41 553.148,32.076 553.148,34.131 C553.148,36.186 554.814,37.852 556.869,37.852 C558.924,37.852 560.59,36.186 560.59,34.131 C560.59,32.076 558.924,30.41 556.869,30.41 M541,60.657 C535.114,60.657 530.342,55.887 530.342,50 C530.342,44.114 535.114,39.342 541,39.342 C546.887,39.342 551.658,44.114 551.658,50 C551.658,55.887 546.887,60.657 541,60.657 M541,33.886 C532.1,33.886 524.886,41.1 524.886,50 C524.886,58.899 532.1,66.113 541,66.113 C549.9,66.113 557.115,58.899 557.115,50 C557.115,41.1 549.9,33.886 541,33.886 M565.378,62.101 C565.244,65.022 564.756,66.606 564.346,67.663 C563.803,69.06 563.154,70.057 562.106,71.106 C561.058,72.155 560.06,72.803 558.662,73.347 C557.607,73.757 556.021,74.244 553.102,74.378 C549.944,74.521 548.997,74.552 541,74.552 C533.003,74.552 532.056,74.521 528.898,74.378 C525.979,74.244 524.393,73.757 523.338,73.347 C521.94,72.803 520.942,72.155 519.894,71.106 C518.846,70.057 518.197,69.06 517.654,67.663 C517.244,66.606 516.755,65.022 516.623,62.101 C516.479,58.943 516.448,57.996 516.448,50 C516.448,42.003 516.479,41.056 516.623,37.899 C516.755,34.978 517.244,33.391 517.654,32.338 C518.197,30.938 518.846,29.942 519.894,28.894 C520.942,27.846 521.94,27.196 523.338,26.654 C524.393,26.244 525.979,25.756 528.898,25.623 C532.057,25.479 533.004,25.448 541,25.448 C548.997,25.448 549.943,25.479 553.102,25.623 C556.021,25.756 557.607,26.244 558.662,26.654 C560.06,27.196 561.058,27.846 562.106,28.894 C563.154,29.942 563.803,30.938 564.346,32.338 C564.756,33.391 565.244,34.978 565.378,37.899 C565.522,41.056 565.552,42.003 565.552,50 C565.552,57.996 565.522,58.943 565.378,62.101 M570.82,37.631 C570.674,34.438 570.167,32.258 569.425,30.349 C568.659,28.377 567.633,26.702 565.965,25.035 C564.297,23.368 562.623,22.342 560.652,21.575 C558.743,20.834 556.562,20.326 553.369,20.18 C550.169,20.033 549.148,20 541,20 C532.853,20 531.831,20.033 528.631,20.18 C525.438,20.326 523.257,20.834 521.349,21.575 C519.376,22.342 517.703,23.368 516.035,25.035 C514.368,26.702 513.342,28.377 512.574,30.349 C511.834,32.258 511.326,34.438 511.181,37.631 C511.035,40.831 511,41.851 511,50 C511,58.147 511.035,59.17 511.181,62.369 C511.326,65.562 511.834,67.743 512.574,69.651 C513.342,71.625 514.368,73.296 516.035,74.965 C517.703,76.634 519.376,77.658 521.349,78.425 C523.257,79.167 525.438,79.673 528.631,79.82 C531.831,79.965 532.853,80.001 541,80.001 C549.148,80.001 550.169,79.965 553.369,79.82 C556.562,79.673 558.743,79.167 560.652,78.425 C562.623,77.658 564.297,76.634 565.965,74.965 C567.633,73.296 568.659,71.625 569.425,69.651 C570.167,67.743 570.674,65.562 570.82,62.369 C570.966,59.17 571,58.147 571,50 C571,41.851 570.966,40.831 570.82,37.631\"><\/path><\/g><\/g><\/g><\/svg><\/div>\n<div style=\"padding-top: 8px;\">\n<div style=\" color:#3897f0; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:550; line-height:18px;\">Ver essa foto no Instagram<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"padding: 12.5% 0;\"><\/div>\n<div style=\"display: flex; flex-direction: row; margin-bottom: 14px; align-items: center;\">\n<div>\n<div style=\"background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(0px) translateY(7px);\"><\/div>\n<div style=\"background-color: #F4F4F4; height: 12.5px; transform: rotate(-45deg) translateX(3px) translateY(1px); width: 12.5px; flex-grow: 0; margin-right: 14px; margin-left: 2px;\"><\/div>\n<div style=\"background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(9px) translateY(-18px);\"><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"margin-left: 8px;\">\n<div style=\" background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 20px; width: 20px;\"><\/div>\n<div style=\" width: 0; height: 0; border-top: 2px solid transparent; border-left: 6px solid #f4f4f4; border-bottom: 2px solid transparent; transform: translateX(16px) translateY(-4px) rotate(30deg)\"><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"margin-left: auto;\">\n<div style=\" width: 0px; border-top: 8px solid #F4F4F4; border-right: 8px solid transparent; transform: translateY(16px);\"><\/div>\n<div style=\" background-color: #F4F4F4; flex-grow: 0; height: 12px; width: 16px; transform: translateY(-4px);\"><\/div>\n<div style=\" width: 0; height: 0; border-top: 8px solid #F4F4F4; border-left: 8px solid transparent; transform: translateY(-4px) translateX(8px);\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center; margin-bottom: 24px;\">\n<div style=\" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 224px;\"><\/div>\n<div style=\" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 144px;\"><\/div>\n<\/div>\n<p><\/a><\/p>\n<p style=\" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/CusdJI6gKYE\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" style=\" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uma publica\u00e7\u00e3o compartilhada por BBC News | Brasil (@bbcbrasil)<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<p> <script async=\"\" src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Brutalismo do Antropoceno &#8211; Entrevista com Achille Mbembe<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-wp-embed is-provider-combate-racismo-ambiental wp-block-embed-combate-racismo-ambiental\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/racismoambiental.net.br\/2020\/08\/17\/brutalismo-do-antropoceno-entrevista-com-achille-mbembe\/\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>5. Pol\u00edticas da inimizade em Odiol\u00e2ndia de Giselle Beiguelman<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Imagens que nos interessam nos territ\u00f3rios das plataformas sociais: aquelas que impactam modos de exist\u00eancia p\u00f3s-digitais. Trata-se de formas de operar as redes segundo a vis\u00e3o do pensador Achille Mbembe [1957] a partir da no\u00e7\u00e3o de \u201cpol\u00edticas da inimizade\u201d (Mbembe, 2020),&nbsp; Estes tipos de imagens de fim de mundo se manifestam em fen\u00f4menos como as <em>fake news<\/em>, as <em>deep fakes<\/em>, o racismo algor\u00edtmico e os discursos de \u00f3dio, t\u00e3o pr\u00f3prios \u00e0s redes sociais. Para Mbembe:<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">&#8220;Nossa era decididamente se define pela separa\u00e7\u00e3o, pelos movimentos de \u00f3dio, pela hostilidade e, acima de tudo, pela luta contra o inimigo, em decorr\u00eancia da qual as democracias liberais, j\u00e1 ent\u00e3o escorchadas pelas for\u00e7as do capital, da tecnologia e do militarismo, est\u00e3o sendo sugadas em um amplo processo de invers\u00e3o&#8221;. (Mbembe, 2020, p. 76)<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Quer seja sob a forma da crise ambiental, do racismo estrutural ou da separa\u00e7\u00e3o e do \u00f3dio que permeiam a sociedade, os agenciamentos operados situam a diferen\u00e7a como potenciais amea\u00e7as, como o lugar dos inimigos, produzindo conflu\u00eancias entre o espa\u00e7o on-line, de natureza virtual, e o espa\u00e7o off-line, de natureza f\u00edsica. A indistin\u00e7\u00e3o entre um espa\u00e7o e outro gera um estado de tr\u00e2nsito e deslocamentos cont\u00ednuos entre as comunidades, as cidades e as plataformas sociais.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 o caso do trabalho Odiol\u00e2ndia (2017) da artista, curadora e pesquisadora&nbsp; Giselle Beiguelman [1962], que toma o epis\u00f3dio das a\u00e7\u00f5es da Prefeitura de S\u00e3o Paulo na Cracol\u00e2ndia. Sob a forma de \u201cterra do crack\u201d, \u00e9 composta, na sua maioria, por dependentes qu\u00edmicos e traficantes em situa\u00e7\u00e3o de rua. Desde o in\u00edcio dos anos 2000, uma s\u00e9rie de pol\u00edticas p\u00fablicas vem se implantando, na maior parte das vezes, de forma higienista. Entre elas, o programa social Reden\u00e7\u00e3o, criado na gest\u00e3o de Jo\u00e3o D\u00f3ria, no ano de 2017, que contou com violenta interven\u00e7\u00e3o policial.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"202\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/cracolandia-1024x202.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1447\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/cracolandia-1024x202.jpg 1024w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/cracolandia-300x59.jpg 300w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/cracolandia-768x151.jpg 768w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/cracolandia-1536x303.jpg 1536w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/cracolandia-2048x404.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Sequ\u00eancia de imagens que apresentam as a\u00e7\u00f5es policiais e pol\u00edticas na regi\u00e3o da Cracol\u00e2ndia na Capital do Estado de S\u00e3o Paulo em 2017. (Fonte: 1. <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-40115560\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-40115560<\/a>; 2. <a href=\"https:\/\/m.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2017\/11\/1939481-reducao-de-danos-e-abstinencia-devem-integrar-programa-anticrack-de-doria.shtml\">https:\/\/m.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2017\/11\/1939481-reducao-de-danos-e-abstinencia-devem-integrar-programa-anticrack-de-doria.shtml<\/a>; 3. <a href=\"https:\/\/exame.com\/brasil\/apos-operacao-na-cracolandia-vizinhanca-teme-volta-de-usuarios\/\">https:\/\/exame.com\/brasil\/apos-operacao-na-cracolandia-vizinhanca-teme-volta-de-usuarios\/<\/a>)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Para realizar Odiol\u00e2ndia, Beiguelman re\u00fane coment\u00e1rios escritos publicados nas redes sociais sobre as a\u00e7\u00f5es de D\u00f3ria na Cracol\u00e2ndia entre 21 de maio e 9 de junho de 2017, somados ao \u00e1udio de v\u00eddeos postados na Internet pelos pr\u00f3prios agentes de seguran\u00e7a do Estado. Ela extrai o nome do trabalho a partir do teor de \u00f3dio das mensagens postadas. O trabalho \u00e9 apresentado sob a forma iconoclasta de um v\u00eddeo sem imagens, em que \u201cos coment\u00e1rios s\u00e3o apresentados na sua forma bruta, sem corre\u00e7\u00f5es gramaticais ou adequa\u00e7\u00f5es de estilo\u201d (Beiguelman, em <a href=\"http:\/\/www.desvirtual.com\">www.desvirtual.com<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Odiol\u00e2ndia &#8211; Giselle Beiguelman<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/odiolandia-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1545\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/odiolandia-1024x576.png 1024w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/odiolandia-300x169.png 300w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/odiolandia-768x432.png 768w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/odiolandia-1536x864.png 1536w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/odiolandia.png 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><br>Registro do trabalho Odiol\u00e2ndia (Hateland) de 2017 da artista Giselle Beiguelman, um v\u00eddeo que reuniu coment\u00e1rios publicados nas redes sociais sobre as a\u00e7\u00f5es da Prefeitura de S\u00e3o Paulo e do Governo do Estado na Cracol\u00e2ndia. (Fonte: <a href=\"http:\/\/www.desvirtual.com\/portfolio\/odiolandia-hateland\/\">http:\/\/www.desvirtual.com\/portfolio\/odiolandia-hateland\/<\/a>)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"vimeo-player\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/253899114?h=3e62da1013\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Entre a realidade do espa\u00e7o f\u00edsico, tradicional, da cidade de S\u00e3o Paulo e o espa\u00e7o virtual das redes sociais, Odiol\u00e2ndia apresenta o tr\u00e2nsito entre imagens de fim do mundo constitutivas da vida p\u00fablica, que entendem os dependentes qu\u00edmicos como \u201co inimigo\u201d. Como uma amea\u00e7a por sua radical alteridade, propiciam, com isso, a exclus\u00e3o e\/ou o exterm\u00ednio do outro. S\u00e3o imagens de \u00f3dio sob a forma de racismo, xenofobia e desigualdade social. Revelam uma sociedade definida pela separa\u00e7\u00e3o e que, em tais ambientes das plataformas sociais, n\u00e3o se conecta com a diferen\u00e7a. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es em que predomina o autoritarismo por meio de valores mort\u00edferos e destrutivos em rela\u00e7\u00e3o ao outro. Nessa dire\u00e7\u00e3o, para Luiz Val\u00e9rio Trindade:<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">&#8220;Discurso de \u00f3dio se caracteriza pelas manifesta\u00e7\u00f5es de pensamentos, valores e ideologias que visam inferiorizar, desacreditar e humilhar uma pessoa ou um grupo social, em fun\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas como g\u00eanero, orienta\u00e7\u00e3o sexual, filia\u00e7\u00e3o religiosa, ra\u00e7a, lugar de origem ou classe. Tais discursos podem ser manifestados verbalmente ou por escrito, como tem sido cada vez mais frequente nas plataformas de redes sociais. Sendo assim, \u00e9 poss\u00edvel compreender que discursos de cunho racistas veiculados nas redes sociais (sejam eles de forma expl\u00edcita e sem maquiagens, ou camuflados em piadas) se enquadram na categoria de discursos de \u00f3dio&#8221;. (Trindade, 2022, p. 17)<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Oito em cada dez v\u00edtimas de racismo nas redes sociais s\u00e3o mulheres pretas\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-G_PcW3XnYM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Como uma sociedade da inimizade, mais que uma crise ambiental, econ\u00f4mica e pol\u00edtica, tais dimens\u00f5es de mundo presentes em Odiol\u00e2ndia, de Giselle Beiguelman, refletem tanto uma crise da \u201cideia de humanidade\u201d (Krenak, 2019, p. 11) quanto uma \u201csubjetividade contempor\u00e2nea produzida na dobra financeirizada do capitalismo\u201d (Rolnik, 2021, p. 22). Imagens de fim do mundo como imagens de um mundo em crise, relacionadas ao fim dos tempos, ao fim da civiliza\u00e7\u00e3o global-moderna, tensionam, portanto, a natureza micropol\u00edtica (Suely Rolnik, 2018) de um mal-estar que nos habita, assim como traduzem a crise planet\u00e1ria que vivemos no s\u00e9culo 21.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, Ailton Krenak pontua que somos convocados a integrar um tipo de \u201chumanidade zumbi\u201d (Krenak, 2019, p. 26) que n\u00e3o tolera a frui\u00e7\u00e3o de vida em sua diversidade. \u00c9 uma esp\u00e9cie de humanidade que se quer homog\u00eanea, na qual o consumo substitui a cidadania, que subtrai a capacidade imaginativa e de exist\u00eancia em sua pluralidade, que tanto \u201ctira nossa alegria de estar vivos\u201d (Krenak, 2019, p. 33) quanto limita nossa capacidade de conviver com outros mundos. Para ele, adiar o fim do mundo significa \u201cexpandir a nossa subjetividade, n\u00e3o aceitando essa ideia de que n\u00f3s somos todos iguais\u201d (Krenak, 2019, p. 31).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Para problematizar a pol\u00edtica de subjetiva\u00e7\u00e3o baseada no tipo de \u201chumanidade zumbi\u201d que opera na contemporaneidade, mobilizada pela l\u00f3gica do individualismo, das tecnologias de dados, da intelig\u00eancia artificial (IA) e do consumo, t\u00edpicas do neoliberalismo e do capitalismo globalizado, Suely Rolnik [1948] adverte que esse tipo de colapso da identidade, em que n\u00e3o h\u00e1 a escuta dos \u201cefeitos desestabilizadores da presen\u00e7a viva do outro em seu pr\u00f3prio corpo\u201d (Rolnik, 2021, p. 69), impacta a pot\u00eancia pulsional e restringe o \u201cencontro com as for\u00e7as que comp\u00f5em o outro\u201d (Rolnik, 2021, p. 27).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Espa\u00e7os de Teko Por\u00e3, por Suely Rolnik\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_0iDKO8I-f8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo Krenak, ter diversidade significa expandir nossa subjetividade, garantindo adiarmos o fim do mundo por meio da capacidade imaginativa, das \u201cpo\u00e9ticas sobre a exist\u00eancia\u201d e da capacidade \u201cde atrair uns aos outros pelas nossas diferen\u00e7as\u201d (Krenak, 2019, p. 33). J\u00e1 Rolnik alerta sobre a subtra\u00e7\u00e3o da for\u00e7a vital nas condi\u00e7\u00f5es da linguagem do mundo, assim como sobre os impactos \u201cnas condi\u00e7\u00f5es de um ecossistema, n\u00e3o s\u00f3 ambiental, mas tamb\u00e9m social e mental\u201d (Rolnik, 2021, p. 27).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>6. Pol\u00edticas da inimizade e da amizade em Daniel Lima<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Diante de um contexto como este, o artista, curador e pesquisador Daniel Lima [1973] realiza a instala\u00e7\u00e3o imersiva \u201cTerra de gigantes\u201d (2023). Nela, somos profundamente atravessados por saberes, culturas e vidas afro-ind\u00edgenas, por meio da imers\u00e3o num ambiente cinem\u00e1tico transmutado em mem\u00f3ria ancestral. Como os gigantes da Terra, a problem\u00e1tica principal do trabalho diz respeito \u00e0 uni\u00e3o entre povos negros e ind\u00edgenas na luta por outros mundos poss\u00edveis. Contra as estruturas pol\u00edticas de domina\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o, respondem com vis\u00f5es de mundo, estrat\u00e9gias de cura e resist\u00eancia assim como produ\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"425\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/52739297300_5dac7534bc_c-1-800x425-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1432\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/52739297300_5dac7534bc_c-1-800x425-1.jpg 800w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/52739297300_5dac7534bc_c-1-800x425-1-300x159.jpg 300w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/52739297300_5dac7534bc_c-1-800x425-1-768x408.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Imagem de divulga\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o Terra de Gigantes que aconteceu no Sesc Guarulhos em 2023, com concep\u00e7\u00e3o e curadoria de Daniel Lima e participa\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as e artistas negros e ind\u00edgenas. (Fonte: <a href=\"https:\/\/www.sescsp.org.br\/exposicao-imersiva-no-sesc-guarulhos-debate-o-corpo-negro-e-indigena-no-mundo-contemporaneo\/\">https:\/\/www.sescsp.org.br\/exposicao-imersiva-no-sesc-guarulhos-debate-o-corpo-negro-e-indigena-no-mundo-contemporaneo\/<\/a>)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A partir de interatividade, proje\u00e7\u00f5es audiovisuais, sonoridades e cantos, coexistimos em \u201cTerra de gigantes\u201d com a presen\u00e7a performativa, nas m\u00faltiplas telas, de figuras m\u00edticas de gigantes, como a de David Kopenawa Yanomani [1956], xam\u00e3, l\u00edder ind\u00edgena, autor com Bruce Albert do livro \u201cA queda do c\u00e9u\u201d (2010). Com sua imagem projetada em grande escala, ele nos convida \u00e0 escuta ao abordar a cosmovis\u00e3o Yanomani em passagens como esta: \u201c<em>Quando a fuma\u00e7a da epidemia sobe aos c\u00e9us, o peito do c\u00e9u, onde o cora\u00e7\u00e3o respira, a fuma\u00e7a da epidemia gruda ali. E pelo fato da fuma\u00e7a grudar ali, o peito do c\u00e9u se queima<\/em>\u201d (Davi Kopenawa Yanomani).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"TERRA DE GIGANTES - DANIEL LIMA\" width=\"500\" height=\"375\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uCh8Dm0dgvY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Na luta pela exist\u00eancia e sobreviv\u00eancia, entre esp\u00edritos da floresta, seres viventes e n\u00e3o-viventes, entre mundos afrodiasp\u00f3ricos e corpos negros, um dos pontos de tens\u00e3o do trabalho \u00e9 a cena \u201cLinha de Fogo\u201d, composta por doze metros de extens\u00e3o. Ela torna a experi\u00eancia mais intensa, propiciando ao p\u00fablico intera\u00e7\u00e3o por meio de sensores de presen\u00e7a. No caso, o fogo remete paradoxalmente tanto \u00e0s queimadas e \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica, como imagem de fim do mundo, quanto aos quatro elementos fundamentais da natureza (entre o ar, a terra e a \u00e1gua), que permitem expressar poder espiritual, ritual\u00edstico e transmuta\u00e7\u00e3o de mundos.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"753\" src=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/IMG_4536-1024x753.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1550\" srcset=\"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/IMG_4536-1024x753.jpg 1024w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/IMG_4536-300x221.jpg 300w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/IMG_4536-768x565.jpg 768w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/IMG_4536-1536x1129.jpg 1536w, https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/08\/IMG_4536-2048x1506.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Registro do espa\u00e7o expositivo da exposi\u00e7\u00e3o Terra de Gigantes que aconteceu no Sesc Guarulhos em 2023, com concep\u00e7\u00e3o e curadoria de Daniel Lima e participa\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as e artistas negros e ind\u00edgenas. (Fonte: Imagem cedida pelo artista)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>No cerne de quest\u00f5es conflituosas como estas, o presente estudo destaca mudan\u00e7as dos modos de agir por meio de pr\u00e1ticas art\u00edsticas como as de Daniel Lima, assim como indica os embates lan\u00e7ados por pensadores como Kopenawa, Krenak, Danowski e Viveiros de Castro. Sendo que para a an\u00e1lise de imagens de mundo, como veremos a seguir, interessa-nos observar, em especial, um tipo de territ\u00f3rio de disputa como o das plataformas em rede.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>7. Imagens do fim do mundo nas m\u00eddias sociais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Tais imagens de crise que nos interessam observar nos territ\u00f3rios das plataformas das m\u00eddias sociais s\u00e3o aquelas que impactam modos de exist\u00eancia p\u00f3s-digitais. Trata-se de formas de pensar as redes segundo a vis\u00e3o do pensador Achille Mbembe [1957] a partir da no\u00e7\u00e3o de \u201cpol\u00edticas da inimizade\u201d (Mbembe, 2020). Estes tipos de imagens de fim de mundo se manifestam em fen\u00f4menos como os referentes \u00e0s formas autorit\u00e1rias de controle das pessoas, como a monetiza\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o, o mercado de datadados, as fake news, as deep fakes, o racismo algor\u00edtmico e os discursos de \u00f3dio, entre outras imagens mort\u00edferas das redes sociais, que colocam em xeque a pr\u00f3pria democracia .<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A artista e pesquisadora Fernanda de Souza Oliveira destaca que \u201cos processos que operam as imagens do <em>big data<\/em> transformaram os modos de nos relacionarmos com elas. Podemos entender essas opera\u00e7\u00f5es como a\u00e7\u00f5es poss\u00edveis de produ\u00e7\u00e3o de mundos\u201d <em>(in<\/em> Fernanda Oliveira, 2023). \u00c9 nesse ponto que o ecossistema midi\u00e1tico impacta a pot\u00eancia pulsional entre a <em>\u201c<\/em>sujei\u00e7\u00e3o social e a servid\u00e3o maqu\u00ednica\u201d (<em>in<\/em> Maurizio Lazzarato, 2014).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Diante de um mundo permeado por imagens produzidas a partir de dados e sistemas algor\u00edtmicos, buscamos questionar: por que as imagens em rede n\u00e3o nos entusiasmam? Por que elas v\u00e3o sendo esquecidas e apagadas em favor de imagens globalizantes, que o globalitarismo quer que consumamos por meio da intelig\u00eancia artificial e da l\u00f3gica algor\u00edtmica da dadosfera (Beiguelman, 2021)?<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Com a ubiquidade das linguagens digitais associada \u00e0 esfera das m\u00eddias sociais, \u00e9 poss\u00edvel observar que os agenciamentos de mundos apresentam aspectos da datafica\u00e7\u00e3o social por meio do avan\u00e7o do autoritarismo e da cultura do \u00f3dio, pr\u00f3prios \u00e0s for\u00e7as destrutivas de um mundo em decomposi\u00e7\u00e3o. O mesmo ocorre com a experi\u00eancia da imagem: circulando por toda parte, entre os efeitos do algoritmo e as posi\u00e7\u00f5es dos sujeitos na esfera do comum, em seus usos que induzem ao consumo, apropriando-se tanto das for\u00e7as vitais quanto mort\u00edferas das redes, para se constituir como express\u00e3o e presen\u00e7a de mundo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Nesses territ\u00f3rios de disputa, o encontro de subjetividades diz respeito ao poder do capital na interface mundo-imagem-algoritmo sob a forma de imagens do mundo. Tal tipo de realidade pode ser considerada sociopol\u00edtica porque convoca as formas de visibilidade em seus regimes \u00e9ticos, de sentido, de presen\u00e7a e de coletividade. Convoca tamb\u00e9m a desinforma\u00e7\u00e3o, os aniquilamentos, os silenciamentos e apagamentos, entre outras formas de domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A partir do tensionamento entre as \u201cpol\u00edticas da inimizade\u201d (<em>in<\/em> Achille Mbembe) e suas \u201c<em>imagens do fim do mundo<\/em>\u201d (aqui, no caso, referentes \u00e0s imagens em rede), os estudos articulam como contraconduta, ou pr\u00e1tica de resist\u00eancia, as aqui chamadas \u201cpol\u00edticas da amizade\u201d e suas \u201coutras imagens de mundo\u201d (aqui, no caso, referentes \u00e0s imagens da arte e das m\u00eddias independentes), a fim de localizar o embate entre for\u00e7as macropol\u00edticas (de car\u00e1ter neoliberal, relacionadas ao capitalismo financeiro e de vigil\u00e2ncia) e for\u00e7as micropol\u00edticas (de car\u00e1ter tanto mort\u00edfero\/reativo como vital) presentes nas \u201cimagens do mundo\u201d que dizem respeito \u00e0s plataformas algor\u00edtmicas, em seus modos de produ\u00e7\u00e3o da sociedade. Neste tipo de tensionamento, buscaremos conhecer regimes \u00e9ticos das imagens na contemporaneidade.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>8. Regimes \u00e9ticos das imagens em Jacques Ranc\u00e8re<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>O fil\u00f3sofo Jacques Ranci\u00e8re aborda esses tipos de articula\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas e pol\u00edticas como pr\u00f3prias do \u201cregime \u00e9tico das imagens. Trata-se, nesse regime, de saber no que o modo de ser das imagens concerne ao ethos, \u00e0 maneira de ser dos indiv\u00edduos e das coletividades\u201d (in Jacques Ranci\u00e8re, 2005).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Por meio de Ranci\u00e8re, \u00e9 poss\u00edvel compreender que, no modo de ser das imagens do fim do mundo que acontecem nas plataformas sociais, encontramos o conjunto de valores, princ\u00edpios, costumes e culturas caracter\u00edsticos de uma determinada coletividade, \u00e9poca ou localidade.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A rede de rela\u00e7\u00f5es existentes entre tais dimens\u00f5es macro e micropol\u00edticas de imagens do fim do mundo em suas articula\u00e7\u00f5es entre arte e m\u00eddias sociais \u00e9 o objeto central desta investiga\u00e7\u00e3o. Para tanto, pensamos as interfaces de pr\u00e1ticas art\u00edsticas nas dimens\u00f5es concernentes \u00e0s imagens do mundo nas pr\u00e1ticas midi\u00e1ticas. Compreendemos, portanto, a arte n\u00e3o em suas especificidades, mas em tudo aquilo que lhe \u00e9 impr\u00f3prio, impedindo-a de se \u201cindividualizar enquanto tal\u201d <em>(in<\/em> Jacques Ranci\u00e8re, 2005).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>9. Por outras imagens do mundo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Nesse contexto de \u201c<em>imagens do fim de mundo<\/em>\u201d constitu\u00eddas no divisor humano-m\u00e1quina, potencializadas pelas plataformas de m\u00eddias sociais, a investiga\u00e7\u00e3o se ancora na hip\u00f3tese que as pr\u00e1ticas art\u00edsticas em tais ambientes instigam a resist\u00eancia, a criticidade, a pluralidade, nos sensibilizam e nos fazem imaginar \u201c<em>outras imagens do mundo<\/em>\u201d, respondendo sob a forma de uma posi\u00e7\u00e3o \u00e9tica, diante do que \u00e9 mais traum\u00e1tico hoje em dia.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Para tanto, partimos do pressuposto que a arte contra-ataca o imagin\u00e1rio catastr\u00f3fico e racista tanto quanto a inimizade e o \u00f3dio agenciados com as \u201c<em>imagens do fim do mundo<\/em>\u201d nas plataformas de m\u00eddias sociais, pr\u00f3prios \u00e0s for\u00e7as destrutivas de um mundo em decomposi\u00e7\u00e3o, como ato de imaginar a exist\u00eancia de maneira diferente, como o reconhecimento rec\u00edproco da vulnerabilidade.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Comprometida com urg\u00eancias pol\u00edticas e com a reconex\u00e3o dos corpos como constru\u00e7\u00e3o da diversidade, as pr\u00e1ticas art\u00edsticas que operam com as plataformas de m\u00eddias sociais tensionam o poder de <em>performatividade das imagens<\/em> <em>algor\u00edtmicas<\/em> (como capacidade de ver e analisar o mundo, <em>in<\/em> C\u00e9sar Baio, 2015), tendo como princ\u00edpio dar lugar \u00e0 mundos silenciados. \u00c9 desse lugar que problematizamos a no\u00e7\u00e3o de \u201c<em>outras imagens do mundo<\/em>\u201d, por meio de contribui\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas para os campos da comunica\u00e7\u00e3o, da arte e da imagem.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Tendo em vista tais circunst\u00e2ncias, a pesquisa tem como principal objetivo produzir Cr\u00edtica de arte tendo como ponto de partida a observa\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas propostas por dez artistas e coletivos brasileiros como <strong>C\u00e9sar Baio, Coletivo K\u00f5dos, Daniel Lima, Denise Agassi, Fernando Vel\u00e1squez, Gilbertto Prado, Giselle Beiguelman, Lucas Bambozzi, Paula Garcia e Plataforma eXplode<\/strong>, como bases estruturantes para refletir, a partir de suas singularidades, um corpo maior de artistas e obras envolvidas.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A partir dos modos como as imagens da arte se articulam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s imagens em rede, que regem a nossa temporalidade, o objetivo \u00e9 proporcionar uma pot\u00eancia de mergulho nelas, que possuem como \u00eanfase a problematiza\u00e7\u00e3o \u00e9tica, a produ\u00e7\u00e3o de comunidade e os agenciamentos coletivos. Contra as estruturas pol\u00edticas de domina\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o, a arte responde com outras vis\u00f5es de mundo, estrat\u00e9gias de cura e resist\u00eancia assim como produ\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><em>Por outras imagens do mundo<\/em> \u00e9 um tipo de problematiza\u00e7\u00e3o que invoca a inven\u00e7\u00e3o de imagin\u00e1rios constitu\u00eddos com as plataformas em rede por parte das pr\u00e1ticas contempor\u00e2neas da arte que n\u00e3o considerem o inimigo uma amea\u00e7a por sua radical alteridade, possibilitando um estado cr\u00edtico e sens\u00f3rio que n\u00e3o dissemine o \u00f3dio, a exclus\u00e3o e\/ou o exterm\u00ednio do outro. Ao contr\u00e1rio, trata-se de observar imagens da arte que atuam nesses territ\u00f3rios a partir de pol\u00edticas de alteridade, escuta, coexist\u00eancia e produ\u00e7\u00e3o plural de linguagens e comunidades.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>10. Macropol\u00edticas e micropol\u00edticas: pol\u00edticas de subjetiva\u00e7\u00e3o dominante, coletivos tempor\u00e1rios e a constru\u00e7\u00e3o do comum em Suely Rolnik<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Como Suely Rolnik nos diz, pelo afeto as pr\u00e1ticas art\u00edsticas trazem a perspectiva \u00e9tica, tensionam a presen\u00e7a vital, \u201ca presen\u00e7a viva do outro em mim\u201d (Rolnik, 2021, p. 69), situa\u00e7\u00e3o em que o outro n\u00e3o se encontra fora do meu corpo, mas \u00e9 uma presen\u00e7a vital nele. Buscam, dessa maneira, nos ambientes pertinentes \u00e0s ecologias midi\u00e1ticas em rede, desconstruir o aparato de controle, ferramenta central do autoritarismo, assim como mostrar a estrutura aberta do perverso dispositivo do globalitarismo, entre a tirania da informa\u00e7\u00e3o e do capital, compreendido, como em Milton Santos, como o dispositivo hegem\u00f4nico da sociedade no s\u00e9culo 21.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Nessa dire\u00e7\u00e3o, Suely Rolnik sustenta que o fascismo, em suas for\u00e7as reativas, pode ser compreendido como a despotencializa\u00e7\u00e3o vital da presen\u00e7a do outro em mim. Como uma \u201cf\u00e1brica mort\u00edfera de mundo\u201d (Suely Rolnik, 2023, n.p) dedicada \u00e0s for\u00e7as reativas do fascismo, as plataformas on-line de sociabilidade, supostamente dedicadas \u00e0 conex\u00e3o, de modo paradoxal produzem hoje em dia justamente o contr\u00e1rio, ou seja, a \u201cdesconex\u00e3o entre os corpos e os afetos por meio da \u201cnormalpatia\u201d (denominada tanto como doen\u00e7a da normalidade quanto normaliza\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie) sob o pressuposto \u201cque o que conecta as pessoas \u00e9 a semelhan\u00e7a, e n\u00e3o a diferen\u00e7a ou a aleatoriedade.\u201d (in Let\u00edcia Cesarino, 2022).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Para Rolnik (2023), trata-se de dimens\u00f5es da \u201cpeste fascista\u201d. Para ela, \u00e9 quando a palavra, a linguagem, dissocia-se da alma, como uma doen\u00e7a imanente ao \u201cregime inconsciente colonial-racializante-patriarcal-capitalista\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Comprometida com urg\u00eancias pol\u00edticas e com a reconex\u00e3o dos corpos como constru\u00e7\u00e3o da diversidade, as pr\u00e1ticas art\u00edsticas que operam com as plataformas em rede tensionam o poder de \u201cperformatividade da imagem\u201d (Baio, 2015, p. 15) algor\u00edtmica como capacidade de ver e analisar o mundo, tendo como princ\u00edpio dar lugar a mundos silenciados.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Por meio dos atravessamentos constitu\u00eddos entre as imagens do fim do mundo e as imagens da arte, em suas redes de rela\u00e7\u00f5es com as plataformas sociais, nos fluxos comunicacionais em rede, como fluxos de poder, de consumo e do capitalismo globalizado, observamos, nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo 21, embates tanto da chamada \u201chumanidade zumbi\u201d (Krenak, 2019) quanto da chamada \u201cpeste fascista\u201d (Rolnik, 2023), entre a esfera macropol\u00edtica e micropol\u00edtica, a partir da presen\u00e7a de pr\u00e1ticas art\u00edsticas comprometidas com a reconex\u00e3o dos corpos, como constru\u00e7\u00e3o da diversidade, trazendo como princ\u00edpio as no\u00e7\u00f5es de pluralidade, dissid\u00eancia, redes de afetos, contato e alteridade, como inscri\u00e7\u00e3o de outras imagens e desejo de outros mundos.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>BAIO, Cesar (2022). Da ilus\u00e3o especular \u00e0 performatividade das imagens. <em>Significa\u00e7\u00e3o<\/em>: Revista de Cultura Audiovisual, S\u00e3o Paulo, v. 49, n.57, p. 80-102.<\/p>\n\n\n\n<p>BAIO, Cesar (2020). Imagin\u00e1rios p\u00f3s-antropoc\u00eantricos: reconfigura\u00e7\u00f5es das rela\u00e7\u00f5es entre arte, natureza e tecnologia. <em>In<\/em>: ENCONTRO DA ASSOCIA\u00c7\u00c3O NACIONAL DE PESQUISADORES EM ARTES PL\u00c1STICAS, 29., Goi\u00e2nia. <em>Anais eletr\u00f4nicos <\/em>[&#8230;]. Goi\u00e2nia: ANPAP: UFG, 2020. ISSN 2175-8212.<\/p>\n\n\n\n<p>BAIO, Cesar (2015). Rumo \u00e0 imagem performativa. <em>In<\/em>: __________.<em>M\u00e1quinas de imagem: arte, tecnologia e p\u00f3s-virtualidade<\/em>. S\u00e3o Paulo: Annablume. Pp.155-191.<\/p>\n\n\n\n<p>BEIGUELMAN, Giselle (2021). <em>Pol\u00edticas da imagem: vigil\u00e2ncia e resist\u00eancia na dadosfera<\/em>. S\u00e3o Paulo, Ubu Editora.<\/p>\n\n\n\n<p>BELTING, Hans (2006). <em>O fim da hist\u00f3ria da arte: uma revis\u00e3o dez anos depois<\/em>. S\u00e3o Paulo, Cosac Naify.<\/p>\n\n\n\n<p>DANOWSKI, D\u00e9borah e VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo (2017). <em>H\u00e1 mundo por vir?<\/em>: <em>ensaio sobre os medos e os fins<\/em>. 2. ed. Florian\u00f3polis, Desterro, Cultura e Barb\u00e1rie: Instituto Socioambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>KRENAK, Ailton (2019). <em>Ideias para adiar o fim do mundo<\/em>. S\u00e3o Paulo, Companhia das Letras.<\/p>\n\n\n\n<p>LAZZARATO, Maurizio (2014). <em>Signos, m\u00e1quinas, subjetividades<\/em>. S\u00e3o Paulo, N-1 edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>LIMA, Daniel. (2023). <em>Da Barreira do inferno \u00e0 Terra de gigantes: a hist\u00f3ria de nossa escrita e a escrita de nossa hist\u00f3ria<\/em>. Tese de Doutorado em Meios e Processos Audiovisuais. S\u00e3o Paulo, Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>MBEMBE, Achille (2020). <em>Pol\u00edticas da inimizade. <\/em>S\u00e3o Paulo, N-1 edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>MBEMBE, Achille (2018). <em>Necropol\u00edtica: Biopoder, soberania, estado de exce\u00e7\u00e3o, pol\u00edtica da morte. <\/em>S\u00e3o Paulo, N-1 edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>NANCY, Jean-Luc (2014). <em>\u00c0 escuta<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Fernanda Bernardo. Belo Horizonte: Edi\u00e7\u00f5es Ch\u00e3o da Feira.<\/p>\n\n\n\n<p>OLIVEIRA, Fernanda (2023). <em>Ru\u00ednas do vis\u00edvel: das materialidades da imagem \u00e0 visualiza\u00e7\u00e3o de dados<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado em Artes. Campinas, Universidade Estadual de Campinas.<\/p>\n\n\n\n<p>RANCI\u00c8RE, Jacques (2012). <em>O destino das imagens<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de M\u00f4nica Costa Netto; Organiza\u00e7\u00e3o Tadeu Capristano. Rio de Janeiro: Contraponto (ArteF\u00edssil).<\/p>\n\n\n\n<p>RANCI\u00c8RE, Jacques (2005). <em>A partilha do sens\u00edvel: est\u00e9tica e pol\u00edtica<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de M\u00f4nica Costa Netto. S\u00e3o Paulo, EXO experimental org, Editora 34.<\/p>\n\n\n\n<p>ROLNIK, Suely (2023). <em>Entres aranhas, palavras do guarani e alguns europeus (outras notas para uma vida n\u00e3o cafetinada)<\/em>. S\u00e3o Paulo, N-1 edi\u00e7\u00f5es. No prelo.<\/p>\n\n\n\n<p>ROLNIK, Suely (2022). As Aranhas os Guarani e os Guattari: Por que importa ativas a for\u00e7a micropol\u00edtica do trabalho com o inconsciente? <em>In<\/em> SANTOS, Anderson (org.). <em>Psican\u00e1lise e Esquizoan\u00e1lise: diferen\u00e7a e composi\u00e7\u00e3o<\/em>. Pp. 269-332. S\u00e3o Paulo: n-1 edi\u00e7\u00f5es, 337 p. #ISBN: 978-65-81097-39-4.<\/p>\n\n\n\n<p>ROLNIK, Suely (2021). <em>Antropofagia zumbi<\/em>. S\u00e3o Paulo N-1 edi\u00e7\u00f5es, Hedra, S\u00e3o Paulo. (Lampejos).<\/p>\n\n\n\n<p>ROLNIK, Suely (2018). O inconsciente colonial-capital\u00edstico. <em>In<\/em>: ROLNIK, Suely.<em> Esferas da insurrei\u00e7\u00e3o: notas para uma vida n\u00e3o cafetinada<\/em>. S\u00e3o Paulo, N-1 edi\u00e7\u00f5es, pp. 29-97.<\/p>\n\n\n\n<p>ROLNIK, Suely (2016). <em>A hora da micropol\u00edtica.<\/em> 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o \/ 5\u00ba. Volume da s\u00e9rie Pandemia (cord\u00e9is). S\u00e3o Paulo, N-1 edi\u00e7\u00f5es. 31 p. #ISBN: 978-85-66943-27-6.<\/p>\n\n\n\n<p>SANTOS, Milton (2007). <em>Milton Santos: encontros<\/em>. Organiza\u00e7\u00e3o de Maria Angela Faggin Pereira Leite. Rio de Janeiro, Beco do Azougue.<\/p>\n\n\n\n<p>SILVA, Tarc\u00edzio (2022). <em>Racismo algor\u00edtmico: intelig\u00eancia artificial e discrimina\u00e7\u00e3o nas redes digitais<\/em>. S\u00e3o Paulo, Edi\u00e7\u00f5es Sesc.<\/p>\n\n\n\n<p>TRINDADE, Luiz Val\u00e9rio (2022). <em>Discurso de \u00f3dio nas redes sociais<\/em>. Cole\u00e7\u00e3o Feminismos Plurais. S\u00e3o Paulo, Editora Janda\u00edra.<\/p>\n\n\n\n<p>VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo (2022). O medo dos outros. <em>Concinnitas<\/em>, PPGARTES, UERJ, Rio de Janeiro, v. 23, n. 43, setembro.<\/p>\n\n\n\n<p>ZUBOFF, Shoshana (2021). <em>A era do capitalismo de vigil\u00e2ncia: a luta por um futuro humano na nova fronteira de poder<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de George Schlesinger. Rio de Janeiro, Editora Intr\u00ednseca.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagens do fim do mundo em seus regimes \u00e9tico-est\u00e9ticos:inimizade, discursos de \u00f3dio, micropol\u00edtica e o contra-ataque da diversidade nas redes sociais Christine Mello (PUC-SP\/UERJ) Este estudo integra a pesquisa Por outras imagens do mundo: arte, m\u00eddia e pol\u00edtica desenvolvida a partir da Bolsa PAPD (2022-2023) concedida pela Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas\/FAPERJ, sob a forma de interc\u00e2mbio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[16,19,25,26,27],"class_list":["post-1497","post","type-post","status-publish","hentry","category-pesquisa","tag-arte","tag-imagens","tag-fim-do-mundo","tag-regimes-etico","tag-regimes-esteticos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1497","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1497"}],"version-history":[{"count":47,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1497\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1578,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1497\/revisions\/1578"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/extremidades.art\/x\/christinemello\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}